Informação foi avançada por uma deputada republicana em entrevista a um jornal alemão. Porta-voz do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) "não confirma nem desmente" número de deputados federais que vão participar no encontro
Dezenas de políticos do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) vão viajar até à capital dos Estados Unidos no próximo mês a convite de um grupo de republicanos da Câmara dos Representantes, adiantou a deputada americana Anna Paulina Luna, da ala do Partido Republicano mais próxima do presidente Donald Trump.
A informação foi avançada por Luna em entrevista ao jornal Die Welt, na qual adiantou que os republicanos da câmara baixa do Congresso americano vão receber 40 membros da AfD em dezembro em Washington DC. “Não serei a única [a recebê-los], outros membros do Congresso também estarão presentes”, garante a legisladora.
O convite dos aliados de Donald Trump aos elementos da AfD surge num momento em que a extrema-direita alemã está a tentar obter cada vez mais apoios do movimento MAGA e dos arquitetos do Projeto 2025 para o que consideram ser uma luta iminente contra a perseguição política e a censura de que são alvo na Alemanha.
Contactado pelo Politico, publicação-irmã do Die Welt, um porta-voz da AfD disse que não pode “confirmar nem desmentir” o número de elementos do partido que viajará de facto para os EUA. Já o porta-voz do grupo parlamentar da AfD no Bundestag garante que o número de deputados federais com voo marcado pra Washington DC não é tão elevado quanto o que foi adiantado por Luna.
O encontro marcado para dezembro terá lugar antes de uma conferência mais alargada marcada para janeiro, adiantou a mesma deputada, num encontro que pretende “contrariar Davos” (a cidade da Suíça que, uma vez por ano, acolhe o Fórum Económico Mundial) e focar-se na “soberania das nações”.
Recentemente, numa crítica direta à alegada perseguição de que a extrema-direita alemã tem sido alvo, Luna tinha dito ao Politico que “as ações recentes do governo alemão contra os seus próprios cidadãos assemelham-se mais ao autoritarismo da União Soviética antes do seu colapso do que à Rússia atual”.
Luna não está sozinha, com elementos da própria administração Trump a manifestarem nos últimos meses apoio à AfD – incluindo Marco Rubio, o secretário de Estado norte-americano, que classificou como “tirania disfarçada” o facto de a agência federal de serviços de informação internos da Alemanha ter declarado o partido de extrema-direita como uma organização extremista.
Isso aconteceu meses depois do famigerado discurso do vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, na Conferência de Segurança de Munique, em fevereiro passado, quando acusou os políticos e partidos tradicionais da Europa de erguerem “barreiras” que impedem os partidos de extrema-direita de chegarem ao governo.
Aos olhos da AfD, o convite dos republicanos para visitarem Washington no próximo mês representa uma oportunidade para obterem maior legitimidade na Alemanha, depois de, em setembro, o partido de extrema-direita ter obtido o melhor resultado da sua história num inquérito de opinião conduzido no país.
Em outubro, Luna tinha recorrido à rede social X para dirigir um convite direto à co-líder da AfD, Alice Weidel, para que visitasse os EUA, com Weidel a responder que entraria em contacto para discutir essa possibilidade. Ainda no mês passado, a deputada republicana encontrou-se com Naomi Seibt, influencer de direita e aliada da AfD.
A reunião teve lugar após Seibt ter pedido asilo nos EUA por alegadamente estar a ser alvo de “severa vigilância e assédio por parte do governo e das agências secretas” da Alemanha por causa das suas opiniões políticas e por defender a liberdade de expressão.
“Acho que [Seibt] é uma jovem incrível e acredito que tem um futuro promissor, independentemente do que decidir fazer, e portanto vamos apoiá-la integralmente”, disse Luna na entrevista ao Die Welt. “Na verdade, não a vou ajudar só a ela, mas também a outras pessoas como ela. Espero que isso, no mínimo, proporcione um diálogo aberto sobre como o governo alemão — especificamente os políticos e as forças policiais — tratam os seus próprios cidadãos, mesmo quando discordam deles.”