Investigação conclui que explosão que matou cinco crianças em Gaza foi causada por ataque israelita

Agência Lusa , CF
16 ago, 20:53
Gaza

Uma explosão que matou cinco crianças palestinianas durante o recente período de hostilidades em Gaza foi causada por um ataque aéreo israelita e não por um ‘rocket’ palestiniano que falhou o alvo, segundo uma investigação divulgada esta terça-feira.

O Centro Palestiniano para os Direitos Humanos (CPDH), organização não governamental (ONG) humanitária com sede em Gaza, e o jornal israelita Haaretz divulgaram esta terça-feira que esta explosão, em que morreram cinco crianças com idades entre 4 e 16 anos, resultou de um ataque israelita.

Esta explosão foi uma das várias, que ocorreram nos últimos três dias de hostilidades entre a Jihad Islâmica e Israel, que não apresentavam sinais indicadores de um ataque israelita de F-16 ou ‘drone’, noticiou a agência Associated Press (AP).

Os militares israelitas indicaram, na altura, que esta explosão poderia ter sido causada por ‘rockets’ disparados pelo grupo militar Jihad Islâmica.

As cinco crianças estavam reunidas junto ao túmulo do seu avô no cemitério local, um dos poucos espaços abertos no lotado campo de refugiados de Jebaliya, em 7 de agosto, horas antes de um cessar-fogo mediado pelo Egito ter sido alcançado.

Alguns moradores referiram que um projétil caiu do ar e explodiu no cemitério, enquanto Israel divulgou que estava a investigar o incidente.

Quando a AP visitou o local no dia seguinte, não encontrou nenhum dos sinais indicadores de um ataque aéreo por um F-16 ou ‘drone’ israelita, aumentando as suspeitas de que a explosão foi causada por um ‘rocket’ do grupo palestiniano que não atingiu o alvo.

Já o CPDH referiu esta terça-feira que a sua investigação aos estilhaços e outras provas levaram a concluir que a explosão foi causada por um ataque aéreo israelita.

"Este foi um míssil disparado de uma aeronave israelita", apontou Raja Sourani, diretor do grupo, enquanto exibia fotos do que apontou ser um fragmento com o número de série do míssil.

Também esta terça-feira, o jornal israelita Haaretz citou autoridades da Defesa de Israel, que falaram sob anonimato, que revelaram que a investigação dos militares concluiu que as cinco crianças morreram devido a um ataque israelita.

Fonte oficial da Defesa israelita, questionada sobre a notícia avançada pelo Haaretz, adiantou que continuam a decorrer as investigações sobre o incidente.

Durante o mais recente período de hostilidades, os alvos israelitas foram infraestruturas militares tendo sido feitos “todos os esforços possíveis para minimizar, tanto quanto possível, danos a civis e propriedades civis”, acrescentou.

Três dias de hostilidades

No dia 7 de agosto, Israel e a Jihad Islâmica acordaram um cessar-fogo, para colocar fim a uma escalada de violência de três dias, que deixou pelo menos 44 palestinianos mortos, incluindo 15 crianças, e mais de 360 feridos.

O acordo de cessar-fogo, mediado pelo Egito e anunciado pela Jihad Islâmica e Israel, foi antecedido e seguido pelo lançamento de uma série final de projéteis de artilharia a partir de ambos os lados beligerantes na Faixa de Gaza.

Durante os últimos três dias de hostilidades, a Jihad Islâmica disparou mais de 930 ‘rockets’ de Gaza para Israel, segundo estimativas do exército israelita, a grande maioria dos quais caiu em áreas despovoadas ou foi intercetada pelo sistema de defesa aérea israelita, segundo a mesma fonte.

Os bombardeamentos israelitas, em contrapartida, atingiram mais de 160 alvos, alegadamente pertencentes à Jihad Islâmica. Estes incluíam instalações de fabrico e armazenamento de armas, locais de lançamento de foguetes e uma rede de túneis alegadamente utilizados pelo grupo, considerado "terrorista" por Israel, pelos Estados Unidos da América e pela União Europeia.

De acordo com Mohamad al-Hindi, que dirige o departamento político da Jihad Islâmica em Gaza, as condições do acordo de cessar-fogo incluem o abrandamento do bloqueio israelita a Gaza, a entrada de combustível para a reativação da central elétrica e a libertação de um membro do grupo encarcerado por Israel.

Este prisioneiro é Bassem Saadi, um líder superior do grupo, cuja detenção por Israel na Cisjordânia ocupada no início do mês elevou a tensão, que culminou na escalada, a mais sangrenta em mais de um ano.

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