Portugal é o oitavo melhor país do mundo para expatriados: mesmo com a "burocracia no seu pior" e um "mercado de trabalho a evitar"

17 ago, 11:48
Turismo temperaturas tempo quente meteorologia Turistas no miradouro de Nossa Senhora do Monte, vista para o Tejo e para a baixa de Lisboa, num dia de sol quente a 20 de fevereiro de 2024. AP Photo _ Armando França
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Num país marcado pela crise na habitação, os expatriados dizem não sentir dificuldades em encontrar casa ou em pagá-la

Portugal figura entre os melhores países do mundo para expatriados em 2026, ocupando o oitavo lugar na lista da InterNations, que avalia 31 destinos com base em critérios como a qualidade de vida ou a facilidade de adaptação.

Ainda assim, apesar de estar no top 10, o nosso país não deixa de enfrentar críticas: “Portugal atrai expatriados com o seu baixo custo de vida, sol e habitantes simpáticos — mas o seu mercado de trabalho e burocracia estão entre os piores do mundo”.

“Burocracia no seu pior” e um “mercado de trabalho a evitar”, lê-se no estudo.

É utilizado o termo expatriado para definir quem se muda para outro país por questões profissionais ou académicas, geralmente com uma situação económica mais estável do que a maioria dos imigrantes.

Apesar das fraquezas portuguesas, a maioria dos expatriados no país parece estar satisfeita: dois em cada cinco (39%) “querem ficar para sempre”.

"Não é tudo sol e diversão"

Mesmo com uma boa posição “não é tudo sol e diversão em Portugal”. “A vida prática é um ponto particularmente sensível”, nota o estudo.

Apenas um em cada cinco considera fácil lidar com as autoridades locais. Mesmo com serviços disponíveis online, a burocracia é indicada como uma preocupação antes da mudança por 35% - logo atrás da barreira da língua.

Além disso, há um “mercado de trabalho a evitar”. O trabalho é, segundo a análise, “o ponto fraco evidente de Portugal”, recebendo uma avaliação positiva de menos de um em cada cinco expatriados (19%).

“O país ocupa também a última posição em termos de melhoria das perspetivas de carreira”, pode ler-se.

Habitação não é problema

O estudo nota que, embora os expatriados enfrentem dificuldades com a disponibilidade e o custo da habitação em muitos países, “o mesmo não se verifica em Portugal” - algo que contrasta com as dificuldades sentidas por muitas famílias nacionais.

(Pexels)

Dinheiro rende

Portugal é descrito como um país onde o dinheiro rende. Três em cada quatro expatriados considera que os seus rendimentos são suficientes para uma vida confortável no país.

O custo de vida no país atrai um “público específico”: “um em cada cinco expatriados mudou-se para Portugal especificamente para se reformar”.

Ao descanso e à busca de qualidade de vida, juntam-se “rostos amigáveis” e “ar fresco” – com um clima ameno - como traços positivos.

“Mais de nove em cada 10 inquiridos (94%) reportaram sentirem-se seguros no país, contra uma média global de 81”, lê-se no documento.

O perfil do expatriado

É possível traçar um retrato dos expatriados a viver em Portugal: uma idade média de 58,7 anos, com uma distribuição igualitária entre homens e mulheres. A maior fatia muda-se para o país à procura de maior qualidade de vida ou para se reformar.

Os setores mais presentes são tecnologias da informação (14%), consultoria (8%) e cuidados de saúde (8%).

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