Croácia
76'
2 - 1
Albânia

Como está a sua atividade física? Inatividade e problemas de saúde andam de mãos dadas

CNN , Melanie Radzicki McManus
9 jun, 12:00
Corrida (Pixabay)

A iniciativa Exercise is Medicine quer colocar todos os médicos a aconselhar os pacientes com programas de exercício físico personalizados. Os responsáveis garantem que resultado levaria as despesas médicas dos países a ciar a pique

O seu médico já lhe fez um questionário sobre o seu nível de atividade física? Se sim, pode agradecer uma iniciativa de saúde global gerida pelo American College of Sports Medicine, conhecida como Exercise is Medicine (EIM).

Criada em 2007, a iniciativa encoraja os profissionais de saúde a avaliar e incentivar a atividade física dos doentes durante as consultas, incluindo até planos de exercícios regulares elaborados consoante o diagnóstico de cada paciente. A quantidade e os tipos de exercício que os profissionais de saúde recomendam devem basear-se na saúde e nas capacidades atuais de cada pessoa.

Os prestadores de cuidados de saúde podem ter impacto na saúde dos pacientes se avaliarem regularmente a atividade física em cada consulta e prestarem aconselhamento. (Jacob Wackerhausen/iStockphoto/Getty Images)

A filosofia subjacente a esta iniciativa é simples: a atividade física promove uma saúde ótima. O movimento regular também ajuda a prevenir e até a tratar várias doenças. De acordo com um artigo publicado em 2020, no American Journal of Lifestyle Medicine, existem provas irrefutáveis que associam a inatividade física a problemas de saúde e a custos elevados dos cuidados de saúde. O estudo concluiu também que os cuidados de saúde e os programas de fitness devem ser combinados.

Além disso, as pessoas que eram moderadamente a altamente ativas durante pelo menos 150 minutos por semana tinham quase metade da utilização dos cuidados de saúde em comparação com as que eram sedentárias, de acordo com um estudo realizado pelo sistema de cuidados de saúde Intermountain Health, com sede em Salt Lake City, que foi apresentado na reunião anual de 2019 do American College of Sports Medicine e aceite para publicação.

O estudo também descobriu que as pessoas ativas tinham metade do custo total dos cuidados de saúde em comparação com as pessoas sedentárias, definidas como aquelas que praticavam um minuto por semana de atividade moderada a vigorosa, explicou a a médica Elizabeth Joy, diretora médica da empresa de tecnologia de saúde Lore Health e presidente do conselho de administração da Exercise is Medicine.

Infelizmente, embora a Exercise is Medicine se tenha expandido e alcançado muitos êxitos, apenas 22,9% das mulheres adultas e 17,8% dos homens adultos foram aconselhados por profissionais de saúde a aumentar os níveis de atividade física, de acordo com o National Health Interview Survey de 2022 dos EUA, aponta Elizabeth Joy.

Com a visita média aos cuidados primários a durar menos de 20 minutos e com os prestadores de cuidados de saúde a necessitarem de cobrir muitas variáveis clínicas, não é surpreendente que tão poucos abordem a questão atividade física, lembrou Elizabeth Joy.

"Demora muito pouco tempo a passar uma receita", garantiu a presidente do conselho de administração da Exercise is Medicine. "É preciso muito mais tempo para que seja feito um aconselhamento de mudança de comportamento baseado em evidências".

Ainda assim, estão a ser feitos progressos

Apesar da falta de progressos no consultório médico, a Exercise is Medicine criou um vasto conjunto de programas, iniciativas e receitas de exercício para ajudar as pessoas fora dele.

O Exercise is Medicine inclui agora também o Exercise is Medicine on Campus, por exemplo, que se trata de um programa que ajuda as faculdades e universidades a promover e avaliar a atividade física entre os estudantes, professores e funcionários. Até ao momento, participam mais de 200 escolas americanas e mais de duas dúzias de instituições de ensino internacionais.

O programa EIM-OC da Grand Valley State University em Grand Rapids, Michigan, obteve o estatuto de ouro, como referiu a Amy Campbell, diretora associada de recreação e bem-estar, o que significa que a universidade avalia e promove regularmente a atividade física no campus. A universidade oferece regalias como treino pessoal gratuito através dos seus estudantes de ciências do desporto, para além de uma grande variedade de aulas de fitness em grupo e de treino de bem-estar.

Embora algumas destas ofertas já existissem antes de a GVSU ter aderido ao EIM-OC, Amy Campbell destacou que a universidade está a trabalhar de forma mais colaborativa para realçar a importância da atividade física.

A equipa CARE (que liga os estudantes com maiores dificuldades aos serviços de apoio) pergunta agora sempre aos alunos: "O que fazes fora das aulas? Mantém-se fisicamente ativo? Quais são as atividades de que gostam? explicou Amy Campbell. "Se virem uma oportunidade de trabalhar com o nosso departamento, contactam-nos. Por exemplo, se alguém não tiver dinheiro para participar num programa intramuros, nós asseguramos que essa pessoa tenha acesso".

Há também a Moving Through Cancer, a primeira iniciativa específica de uma doença no âmbito da Exercise is Medicine. A iniciativa ajuda a programar o exercício e a reabilitação das pessoas que vivem com cancro e não só. A maioria das pessoas que são fisicamente ativas durante o tratamento do cancro têm efeitos secundários menos graves, sentem-se melhor mais rapidamente após o tratamento e, em alguns casos, têm um menor risco de reincidência do cancro, como foi demonstrado pela investigação.

A Exercise is Medicine também criou a série Rx for Health, que fornece prescrições de exercício para pessoas com uma grande variedade de doenças crónicas comuns, como a doença de Alzheimer, depressão e ansiedade, osteoartrite e insuficiência cardíaca.

"Se já teve um ataque cardíaco, corre um risco muito maior de ter outro se passar a maior parte do tempo no sofá em vez de ir dar um passeio", constatou Amy Joy. "O sofá é mais perigoso do que os seus sapatos de caminhada".

As comunidades também podem inspirar a boa forma física

Embora a Exercise is Medicine continue a educar os prestadores de cuidados de saúde e os estudantes das áreas da saúde sobre a importância de avaliar os níveis de atividade dos doentes e de criar prescrições de atividade física, está também a estudar outras opções.

"As pessoas não reagem bem quando lhes é dito para fazerem alguma coisa", afirmou Amy Joy. "Em vez disso, é mais provável que os pacientes se envolvam e mantenham mudanças de comportamento saudáveis quando estas são efetuadas na sua comunidade. Se a família, a vizinhança, a comunidade religiosa ou mesmo o ambiente de trabalho de uma pessoa apoiarem a atividade física regular, é provável que essa pessoa se torne mais ativa."

Sem dúvida, disse Gerren Liles, personal trainer certificado e proprietário da Gerren Liles Vision Fitness em Nova Iorque. Várias empresas da cidade de Nova Iorque contrataram Liles para dar aulas de fitness aos seus empregados, e têm visto os benefícios.

"É sempre bom unir os trabalhadores para fazerem exercício físico", afirmou Gerren Liles. "Isso pode inspirar as pessoas a assumirem o controlo da sua condição física. Seria ótimo se as empresas investissem na boa forma física, se as escolas criassem programas e eventos para os alunos e até para os pais, e se os meios de comunicação social e os filmes promovessem mais a atividade física."

"Os comportamentos saudáveis são contagiosos", afirma Amy Joy. "Também temos alguma responsabilidade pessoal em relação à atividade física - pensar realmente na forma como influenciamos as pessoas à nossa volta."

Por isso, da próxima vez que sair para uma caminhada, aconselhou Amy Joy, convide um amigo ou vizinho.

Vida Saudável

Mais Vida Saudável

Patrocinados