Megaoperação: cerca de 40 detidos por escravizarem centenas de imigrantes em campos agrícolas

23 nov, 09:15

São mais de 400 os inspetores envolvidos, em cerca de 60 buscas no Alentejo por tráfico de seres humanos, associação criminosa e branqueamento de capitais

Cerca de 40 pessoas estão esta quarta-feira a ser detidas pela Unidade de Contraterrorismo e pelo DIAP de Lisboa, apurou a CNN Portugal, na maior operação da Polícia Judiciária nos últimos anos. São mais de 400 os inspetores envolvidos, em cerca de 60 buscas no Alentejo por tráfico de seres humanos, associação criminosa e branqueamento de capitais. 

Em causa, o facto de explorarem em condições sub-humanas, de semiescravidão, centenas de trabalhadores estrangeiros em campos agrícolas da região e no centro do país. Ficam com os ordenados das vítimas, pagos pelos empregadores, e fazem fortuna, ostentando vários sinais exteriores de riqueza. Contam ainda com a colaboração de uma solicitadora da vila de Cuba, também detida, para a criação de empresas fantasma e falsificação de documentos.  

As vítimas são atraídas, ainda nos seus países de origem, para uma vida melhor em Portugal – com alojamento, condições de trabalho e salários dignos. Tudo não passa de um logro e, para o efeito, a rede organizada a partir do distrito de Beja conta com angariadores no Leste da Europa, como na Ucrânia ou Roménia, além de países como a Índia, Paquistão ou Timor. 

Aquilo que as vítimas encontraram foi um regime de semiescravidão, às mãos da rede agora desfeita pela PJ e pelo DIAP de Lisboa. O esquema passa por colocarem logo os trabalhadores em dívida com a rede, que cobra pelas viagens, logística e alojamento milhares de euros que as vítimas não podem pagar. Estão ilegais no nosso país, vulneráveis e sujeitos a trabalhos pesados com raro descanso e escassa recompensa – a maior parte do ordenado é retida na fonte pelos capatazes que são, na maior parte das vezes, compatriotas das vítimas. 

Outro dos métodos passa por manter as vítimas sob ameaça de violência física, para os próprios e para os familiares diretos nos países de origem. 

A rede é comandada a partir de uma estrutura familiar, de cidadãos romenos, que a partir daí distribuem ordens por toda a hierarquia com posições definidas, desde a angariação, ao transporte e colocação dos trabalhadores nas explorações agrícolas. 

São criadas empresas fantasma para a celebração de contratos com os empregadores e falsificados documentos em nome dos trabalhadores – missão que estava entregue à solicitadora portuguesa. Quanto ao branqueamento de capitais, passa nomeadamente pelo adquirir pela rede de bens de luxo em nome de terceiros com o objetivo de tentar passar os sinais de riqueza abaixo do radar das autoridades.

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