PJ investiga burla informática que lesou médicos da ULS de Entre Douro e Vouga

18 fev, 21:05

Os próprios Recursos Humanos da Unidade Local de Saúde de Entre Douro e Vouga (ULS EDV) enviaram a 121 médicos um documento com um link que seria uma burla informática em nome do IRN

A integração, no início deste ano, de 121 médicos da ULS de Entre Douro e Vouga ficou marcada por uma burla informática que fez com que os médicos pagassem 50 euros em vez dos habituais 10 por uma certidão de nascimento. Em causa, está o facto da gestão de Recursos Humanos da ULS de Entre Douro e Vouga ter enviado um documento apresentado como uma “lista de apoio aos processos de integração”, onde eram enumerados vários documentos necessários. Até aqui tudo normal, o problema foi que o  link associado ao pedido da certidão de nascimento era fraudulento. Encontra-se identificado no website do Instituto dos Registos e Notariado (IRN) como suspeito e sem ligação à instituição e como é óbvio os 50 euros pagos pelos clínicos não foram parar aos cofres do Estado.

Ao que o Exclusivo da TVI apurou pelo menos dois médicos foram lesados: “Houve uns que efetivamente abriram e seguiram o caminho, dando os dados e fazendo um pagamento fraudulento, portanto, 50 euros em vez dos habituais 10, mas nem todos seguiram esse caminho” diz Joana Bordalo e Sá, presidente do Sindicato dos Médicos do Norte.

A PSP confirmou a recepção de duas queixas: “por se tratar de um crime de burla informática, para além da normal comunicação ao Ministério Público de Santa Maria da Feira, todo o expediente relacionado com os referidos processos foi reencaminhado para a Polícia Judiciária.”

O Sindicato dos Médicos do Norte alega que “os médicos internos foram lesados e isto tem que ser resolvido. Não só evitar no futuro, como também têm que ser compensados por este prejuízo financeiro que também tiveram.”

A ULS EDV, que integra diversos centros de saúde da região e os hospitais de Santa Maria da Feira, Ovar, Oliveira de Azeméis e São João da Madeira, confirmou que abriu um processo interno. Em resposta ao Exclusivo da TVI, afirma: “relativamente a eventuais compensações, o Hospital aguardará as conclusões deste processo para agir em conformidade com o que vier a ser apurado.”

Sobre o documento enviado, a instituição esclarece ainda tratar-se de “um documento de natureza meramente informativa, não obrigatório, criado há vários anos, relativamente ao qual nunca tinham sido reportadas anomalias. Após a recente comunicação, o documento foi revisto e reformulado.”

Salários em atraso

Os problemas dos médicos internos não ficaram pelo link fraudulento: dez profissionais receberam o primeiro salário com atraso. “Isto é uma forma inaceitável de tratar médicos que entram no Serviço Nacional de Saúde”, diz a presidente do Sindicato dos Médicos do Norte. 

A ULS reconhece falhas administrativas no processamento automático dos vencimentos: “foram identificados, em dez processos, constrangimentos administrativos que inviabilizaram o processamento automático dos vencimentos. Assim que a situação foi detectada, os casos foram sendo corrigidos nos dias 28 e 30 de janeiro e 2 de fevereiro.”

O Exclusivo da TVI pediu uma reação à Ordem dos Médicos, que garantiu não ter conhecimento dos factos.

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