Exames nacionais. Professores contactados esta manhã para corrigir mais itens horas antes do fecho do novo prazo

15 jul, 16:08
Exames Nacionais (LUSA/TIAGO PETINGA)
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

Depois de a CNN Portugal noticiar que alguns professores classificadores estavam a ser contactados telefonicamente para comunicar uma extensão do prazo para classificar os exames até às 12:00 desta quarta-feira, o Ministério emitiu um comunicado a confirmar a extensão do prazo

Vários professores foram contactados esta quarta-feira de manhã, a poucas horas do fim do novo prazo, para aferir a disponibilidade de classificarem novos itens de exames nacionais. O Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) emitiu um comunicado, na terça-feira, às 19:00, a estender o prazo de ontem para hoje. O prazo que terminava às 23:59 de terça-feira já resultava de uma extensão do prazo previsto para dia 10. Antes disso, a CNN Portugal já havia noticiado que muitos classificadores haviam sido contactados telefonicamente para lhes ser comunicado uma extensão do prazo até às 12:00 de hoje.

Durante a manhã desta quarta-feira, vários professores voltaram a ser contactados, mas para receberem novos itens para classificação. Luísa Jerónimo, professora de Português, foi uma dessas docentes. Eram 10:53 quando recebeu uma chamada do Agrupamento de Exames de Miraflores, um número que já está gravado no telemóvel, tal foi a frequência com que teve de contactar este serviço nas últimas semanas.

“Não atendi, porque já sabia o que me queriam. Outra colega foi contactada e também não atendeu, porque uma outra colega que tinha sido contactada e tinha atendido ali à nossa frente recebeu a proposta para corrigir mais itens. Supostamente o prazo terminava às 12:00. Eram 10:53. Ontem, ao fim do dia outra colega nossa tinha sido contactada para classificar mais 20 itens”, relata.

“Estas coisas são demoradas. Sobretudo num exame de Português e sobretudo se esses itens corresponderem ao grupo III, em que temos de ler o texto, contar palavras, verificar eventuais erros ortográficos… Por norma, temos o hábito de ler tudo, fazer uma primeira aplicação de critérios e depois voltar atrás e confirmar se está tudo bem, antes de darmos o item por classificado”, sublinha.

Em conversa com a CNN Portugal, Luísa Jerónimo conta ainda o caso de uma professora da escola onde trabalha que recebeu 200 itens na segunda-feira à noite, ainda antes de se saber do alargamento do prazo. “Atribuem 200 itens para classificação a um docente com 24 horas para o fazer. O docente tem de dormir e descansar, até para garantir o rigor da própria classificação. Não se classificam 200 itens numa manhã”, contesta.

“Esta dilatação do prazo não é significativa, tendo em conta a quantidade de itens que nos estão a ser atribuídos à última hora. Além disso, o ministro informou da dilatação do prazo pela comunicação social. Não houve qualquer contacto, nem informação através da plataforma nesse sentido”, reclama a docente.

Luísa Jerónimo está também revoltada com a forma como o Governo tem gerido esta crise, em termos de atribuição de responsabilidades. A docente queixa-se deste “passa-culpas para as escolas, para os professores que não sabem agrafar folhas, para os professores que estão a ser resistentes à mudança”. “Nós não estamos resistentes à mudança. Estamos resistentes é a fazer um trabalho de empreitada, numa corrida contra o tempo, numa plataforma e em condições que não são adequadas. Queremos fazer o nosso trabalho com rigor, mas não conseguimos nestas condições”, reforça.

No comunicado enviado às redações na terça-feira, às 19:00, o MECI falava em 98% dos exames já classificados. Esta quarta-feira de manhã, o ministro da Educação revelou que 99% das respostas dos exames nacionais do ensino secundário estão corrigidas e garantiu que na sexta-feira serão publicadas “todas as avaliações com rigor e transparência”.

“Nós temos 99% das provas corrigidas, o processo está a decorrer com normalidade, mas obviamente quando chegarmos à fase final é preciso identificar as provas que não estão a ser corrigidas, porque há professores que podem ter atestado médico”, disse o ministro da Educação, Ciência e Inovação, antes de entrar para um encontro sobre ciência que começou em Lisboa.

O maior problema, defendeu Fernando Alexandre, prendeu-se com o exame de Português, “porque é o mais difícil de corrigir”. Português foi também o primeiro exame a ser realizado, faz esta quinta-feira um mês. Foi também com este exame que surgiu a primeira polémica, que nada tinha a ver com a classificação e que se prendia com a pergunta do Grupo III, muito semelhante a uma que constava de um manual de preparação para os exames.

Relacionados

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Educação

Mais Educação