Uma "quebra de confiança" e a reação no NOS Alive: Carneiro critica Montenegro por "uma das circunstâncias mais graves dos últimos 30 anos"
Secretário-geral do Partido Socialista concedeu entrevista à CNN Portugal e analisou as principais polémicas do país atualmente
José Luís Carneiro, secretário-geral do Partido Socialista, concedeu uma entrevista exclusiva à CNN Portugal esta quarta-feira. O político comentou os principais assuntos que afetam o país atualmente, avaliando a crise dos exames nacionais, cujas notas finais devem ser divulgadas na sexta-feira, e do ministro Luís Neves, envolto numa polémica que envolve obras numa casa em Odemira, e que está a ganhar novos capítulos constantemente.
Em relação aos exames nacionais, Carneiro entende que houve uma “quebra de confiança no processo de classificação”. Para o líder socialista, as dificuldades encontradas pelos professores para avaliarem as diferentes questões das provas de acesso ao ensino superior é, possivelmente, “uma das circunstâncias mais graves dos últimos 30 anos”. "Quem me disse isso foi mesmo o responsável máximo do Conselho Nacional de Educação", explicou.
A gravidade, para o líder do PS, é intensificada pelas ações do Governo na gestão da crise. O socialista voltou a criticar a escolha de Luís Montenegro de pronunciar-se pela primeira vez enquanto estava no NOS Alive e deixou um alerta ao social-democrata: “Ou o primeiro-ministro lidera o Governo, ou o povo português encarregar-se-á de responsabilizar o primeiro-ministro e de querer a sua substituição”.
Carneiro vê “sinais” de que o “Governo está a manter um padrão de nunca assumir a sua responsabilidade política e de procurar sacudir a sua responsabilidade para outros”. A crítica ocorre após Montenegro acusar professores de “resistência” ao processo de digitalização dos exames. “A grande maioria, não tenho dúvida, está com o passo que estamos a dar, mas há alguns que não estão e temos de compreender que isso perturba o processo em si”, analisou ontem o chefe do Executivo, que garantiu não estar a “sacudir responsabilidades”.
Para o socialista, esta posição é preocupante, e o partido admite a constituição de uma comissão de inquérito para investigar a situação caso os resultados não sejam publicados até sexta-feira, o prazo estipulado atualmente. Esta quinta-feira, a Assembleia da República recebe o debate sobre o Estado da Nação, no qual o PS espera garantias do Governo de que alunos não serão prejudicados.
PS diz que não pede a demissão de Luís Neves
Outro caso que está a ter o foco mediático esta semana está relacionado com as obras na casa de Luís Neves em Odemira. O ministro garante que não cometeu irregularidades, mas ainda não explicou todas as informações que têm sido pela comunicação social sobre as construções realizadas no local. Para José Luís Carneiro, que garantiu que o partido não pede a demissão de ministros, o antigo diretor da Polícia Judiciária deveria esclarecer rapidamente todas as questões acerca do caso para garantir "a integridade da autoridade política que está confiada a um dos mais importantes ministérios [do país]”.
Mesmo assim, as críticas do Partido Socialista poupam a figura central desta polémica e concentram-se na figura de Luís Montenegro. “A responsabilidade é do primeiro-ministro", entende. “Se o Governo falha, é o primeiro-ministro que está a falhar”.
O Orçamento de Estado para o próximo ano também foi um assunto comentado por Carneiro. Com um Parlamento dividido em três grandes blocos e com a necessidade de o Governo negociar as medidas orçamentais com o PS e com o Chega, os socialistas ainda não estipulam linhas vermelhas para as conversas.
“Há condições que têm de ser garantidas”, garante o secretário-geral. “Estas condições serão colocadas ao primeiro-ministro". Carneiro explicou que realizará uma reunião com o executivo nos próximos dias e que, apenas a partir deste ponto, poderá discutir publicamente as medidas desejadas pela centro-esquerda para 2027.
Até lá, o partido opta por assegurar a sua posição como uma alternativa “responsável”, destacando que a organização tem planos que visam solucionar os problemas em diferentes áreas, como habitação, saúde e economia. O político também aproveitou para deixar uma crítica a “quem está interessado em fragilizar a confiança dos cidadãos em todas as instituições”, sendo assim um risco democrático, mas não citou nomes.
