Ministro garante que 92% dos exames nacionais estão corrigidos. Alunos terão acesso às notas na sexta-feira

Agência Lusa , NM
13 jul, 11:50
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

Fernando Alexandre reafirma que prazo será cumprido e com "rigor"

O ministro da Educação anunciou esta segunda-feira que 92% dos exames nacionais do ensino secundário estão corrigidos e que os alunos terão acesso às suas notas na próxima sexta-feira. 

"Neste momento, 92% dos exames estão corrigidos e a cadência está a ser muito elevada", afirmou o ministro da Educação, Fernando Alexandre, à entrada para uma reunião com o Conselho das Escolas, que está a decorrer em Lisboa.

Fernando Alexandre reconheceu que “ontem [domingo] e no sábado os professores trabalharam de forma muito intensa”, sublinhando que há “muitas pessoas a trabalhar para garantir o rigor da avaliação”.

O novo calendário dos exames nacionais do ensino secundário, que foi alterado devido aos problemas detetados no processo de digitalização, prevê que na terça-feira as cerca de 300 mil provas do 11.º e 12.º anos estejam todas avaliadas.

O ministro reafirmou esta segunda-feira que esse prazo será cumprido e com “rigor”.

Durante o fim de semana houve relatos de docentes subitamente convocados para o processo de avaliação, outros que receberam centenas de novos itens para avaliar e outros ainda que se queixaram de estar a receber novamente respostas que já tinham sido corrigidas.

Fernando Alexandre reconheceu que alguns docentes “tiveram de corrigir duas e três vezes a mesma prova”, explicando que tal aconteceu porque “foi identificado um erro”.

“É lamentável, mas é a confirmação de que temos mecanismos de controlo de qualidade e de rigor e é isso que estamos a fazer e vamos fazer tudo até ao fim”, disse.

Na noite de domingo, o ministro esteve nas instalações da Imprensa Nacional - Casa da Moeda (INCM) onde foram digitalizadas as provas e hoje explicou aos jornalistas que está em curso um processo de verificação das provas e dos exames guardados na INCM.

“Temos de garantir que a avaliação corresponde ao que está no papel”, acrescentou Fernando Alexandre, sublinhando que “os professores não podem corrigir provas com erros”.

Em resposta à Lusa, o gabinete do ministro acrescentou que “hoje, começou, simultaneamente, um processo de controlo de qualidade para consolidação do processo e validação de que cada exame realizado em papel tem correspondência exata ao seu ficheiro digitalizado, cujo PDF será disponibilizado aos alunos”.

Sobre a convocação de novos professores para corrigir as provas durante o fim de semana, Fernando Alexandre esclareceu que se trata de um processo dinâmico, que pode acontecer "a qualquer momento", até porque os docentes podem adoecer e precisar de ser substituídos.

“Tivemos um estrangulamento na correção porque conseguimos identificar classificador a classificador, prova a prova, escola a escola. E quando vemos que um classificador está parado é contactado, sai da bolsa e tem de ser substituído”, explicou.

Este é o primeiro ano em que a correção dos exames nacionais do ensino secundário é feita de forma digital permitindo saber em tempo real o que está a acontecer. No entanto, quando questionado hoje pelos jornalistas sobre o número de reportes de problemas feitos pelos professores durante o fim de semana, o ministro não respondeu.

À Lusa, por escrito, o gabinete do ministro acrescentou que o processo de verificação de qualidade e validação do sistema de classificação eletrónica está a ser feito com os exames nacionais do secundário e as provas finais de matemática do 9.º ano.

O ministério sublinha que este é um “processo normal e necessário”, tendo em conta que houve “folhas de resposta mal digitalizadas, (…) folhas de enunciado ou de continuação de item que não foram digitalizadas ou até de provas que não foram inicialmente entregues às forças de segurança para o transporte para a Imprensa Nacional - Casa da Moeda (INCM), tendo sido remetidas posteriormente”.

Transição digital implica processo de "tentativa-erro"

O ministro-Adjunto e da Reforma do Estado afirmou hoje em Coimbra, quando questionado sobre o caso dos exames nacionais, que a transição digital “tem riscos” e implica processos de tentativa e erro.

“A transição digital tem custos, a transição digital tem riscos. Todos nós ao longo da história da transição digital temos inúmeros exemplos de tentativa-erro”, disse Gonçalo Matias, que respondia aos jornalistas sobre o caso dos exames nacionais, depois de ter participado na apresentação da plataforma de gestão urbana da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIMRC).

Não falando especificamente sobre os problemas nos exames nacionais, cujo calendário foi alterado devido a problemas no processo de digitalização, o ministro afirmou que o Governo está disponível para “este processo de tentativa-erro”, vincando que não estará disponível “para voltar para trás”.

“O que não estamos disponíveis é para deixar alguém para trás. O que estamos disponíveis é para avançar, aprender com aquilo que possa não correr bem e melhorar no futuro. Porque só assim é que nós conseguimos evoluir. E é por isso que nós hoje temos a digitalização que temos”, vincou.

Na sua intervenção durante a sessão de apresentação da plataforma, que decorreu no Convento São Francisco, em Coimbra, Gonçalo Matias defendeu que não se deve digitalizar “aquilo que é complexo”, porque dessa forma cria-se apenas “mais uma camada de burocracia digital”.

Para o ministro, antes da digitalização, deve avançar-se com a simplificação de processos e procedimentos.

“Isso dá trabalho, é um trabalho minucioso, quase de ourivesaria, mas tem que ser feito”, disse.

Gonçalo Matias defendeu que não se deve ter receio da digitalização, considerando que esses processos de transição trazem vantagens e a possibilidade de oferecer serviços melhores e mais rápidos aos cidadãos.

“Não tenhamos medo da digitalização. Ela vai trazer-nos desafios, claro que vai. Já está a trazer. Todos os dias somos confrontados com exemplos de casos em que a digitalização tem mais dificuldades. Por isso, podemos fazer [projetos] pilotos, podemos experimentar, testar e falhar. E vamos falhar. Quem é que nunca falhou? Mas falhar não significa andar para trás. Falhar não significa desistir”, afirmou.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Educação

Mais Educação