Com novas falhas e a conta-gotas: notas dos exames nacionais chegam (mas não para todos)

17 jul, 22:32

Depois da confusão, esta escola viu as notas e uma mãe ficou "muito admirada" por ver "notas suspensas"

Vários alunos com notas dos exames suspensas. Isto é o que devem fazer

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Vários pais e alunos foram surpreendidos com a nota "suspensa" que foi afixada no quadro. Esses estudantes vão receber a avaliação mais tarde, enquanto outros colegas similares já sabem o que se segue

Foi um final de semana de nervos. Depois de adiamentos e mais adiamentos, pedidos de horas extraordinárias e promessas falhadas, as notas dos exames nacionais começaram a ser publicadas, ainda que a conta-gotas.

O ministro da Educação tinha avançado que estava “muito confiante” de que isso podia acontecer na tarde desta sexta-feira, mas, mais uma vez, Fernando Alexandre falhou o prazo, sendo que milhares de alunos só conseguiram ter acesso às suas notas por causa das horas extraordinárias de professores e funcionários escolares. Ainda esta sexta-feira, é certo, mas já bem depois da tarde.

As secretarias de todo o país fecharam às 17:00 e a essa hora não havia um único agrupamento com a documentação pronta para ser assinada e publicada. Primeiro falhanço, portanto, com as escolas a prontificarem-se para estenderem os horários de modo a que as notas fossem disponibilizadas ainda antes do fim de semana.

Isto para o Ensino Secundário, aquele que era prioritário, como admitiu o ministro da Educação em entrevista à SIC, na qual justificou o adiamento da publicação das notas dos exames do 9.º ano para que os professores-classificadores pudessem concentrar-se nas provas cujas notas podem decidir a entrada no Ensino Superior.

Por volta das 21:30 já a CNN Portugal recebia relatos de escolas a notificarem encarregados de educação e alunos de que podiam ir presencialmente ao estabelecimento para consultar as notas.

Foi o que aconteceu na Escola Secundária Rainha Dona Leonor, em Lisboa, ou na Escola Secundária Severim de Faria, em Évora, que, como tantas outras no país, abriram os portões para lá das horas para garantirem que ninguém ia de fim de semana sem notas. Na Escola Secundária do Restelo, por exemplo, a afixação ocorreu mais tarde e o estabelecimento abriu às 01:00.

O problema é que nem toda a gente vai ter o mesmo acesso. É o segundo falhanço. O próprio Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) admitiu que há provas que vão chegar sem nota.

Desde logo porque o Júri Nacional de Exames identificou falhas, o que vai impossibilitar que alguns alunos tenham já a nota, enquanto colegas nas mesmas condições vão ter acesso.

A CNN Portugal esteve em direto da Escola Secundária Camilo Castelo Branco, onde uma mãe notou que havia nomes de alunos cuja nota estava “suspensa”. Alunos esses que não vão ter direito a saber a sua classificação ao mesmo tempo de outros colegas, sendo que a competição - a média de entrada no Ensino Superior é nacional - se estende a todo o país.

Foi precisamente nessa escola que esteve a Ana Borges Pinto, que testemunhou a emoção e alguma confusão assim que foram afixadas as notas. Houve alunos com "notas mais baixas" do que estavam à espera. Uma aluna em concreto notou que "houve muitas negativas" a Português, pelo que admite pedir a revisão da prova, até porque os estudantes têm dúvidas se a nota se deve mesmo ao desempenho ou a todos os constrangimentos do processo.

Mais confusa estava uma encarregada de educação, que admitiu estar "muito admirada" por ver "situações em que as notas estão suspensas". "Perante a pauta, apercebi-me que havia notas de alunos que estão suspensas e não sei o que isso significa e as implicações que vai ter", admitiu.

Só no Agrupamento de Escolas de Benfica, por exemplo, foram 33 as notas suspensas no Exame de Português, de acordo com a diretora daquele agrupamento, Rosária Alves. Perante as dúvidas dos alunos, a profissional explica que os estudantes devem já pedir a revisão da prova para acautelar o acesso à prova digital.

Numa informação oficial relativa ao processo de classificação dos exames do ensino secundário, a que a Lusa teve acesso, o EduQA explicou que as escolas deverão receber “oportunamente mais orientações” sobre as provas por concluir, que estarão sinalizadas nas pautas com “suspenso”.

Segundo a entidade responsável pelos exames nacionais, entre as 290 mil provas, que correspondem a cerca de dois milhões de itens digitalizados, verificaram-se casos de “extravio de uma folha da prova ou a indisponibilidade de um ou mais itens de resposta por motivo não imputável ao aluno”.

“Embora estas ocorrências sejam residuais, exigem procedimentos específicos, uniformes, verificáveis e transparentes”, acrescentou o EduQA.

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