Exames nacionais: Quais são os erros mais frequentes nas provas de Português e Matemática? Duas professoras ajudam a enfrentar Camões e triunfar na trigonometria

16 jun, 07:00
Escola

Ler com atenção: estes conselhos servem para os exames de Português e de Matemática, mas não só

Começa esta sexta-feira a 1.ª fase de exames para mais de 148 mil alunos do 11.º e do 12.º anos e a primeira disciplina é logo o Português. Já não sobra muito tempo para estudar, mas estes conselhos são para ter em conta durante o exame e vale a pena lê-los com atenção (tal como ao exame, sublinham as professoras com quem a CNN Portugal falou). Afinal, em que mais falham os alunos nas provas de Matemática e Português?

O medo de Camões

Maria do Carmo Oliveira é professora de Português há 32 anos. São mais de três décadas de experiência a leccionar alunos do 12.º ano e a corrigir Exames Nacionais. Em declarações à CNN Portugal, a professora revela que normalmente os alunos falham muito nas questões de interpretação porque estas implicam conhecimentos teóricos das obras e autores e a sua aplicação prática.

"É na interpretação que eles mais falham. Os alunos ficam muito focados nas partes teóricas e praticam menos a parte prática", começa por referir a docente, que também faz parte da Associação de Professores de Português.

Então, como contornar este problema? "Ler com muito cuidado as questões e ter em atenção que podem aparecer obras e autores que não estão contemplados nas aprendizagens essenciais. Têm de se focar no texto em causa e não nas obras. Eles esquecem-se disso", aponta. "Esquecem-se de que os autores escrevem porque querem dizer alguma coisa" e, nesse sentido, a resposta passa por "tentar perceber qual é a ideia que o autor quer passar".

Ponto-chave: "toda a literatura tem uma mensagem".

"Mas, quando sai Camões, é o pânico, sobretudo Os Lusíadas", destaca Maria do Carmo Oliveira. Mas não só: "quando sai Fernando Pessoa (ortónimo) também têm dificuldade. Se for prosa é sempre mais fácil, se for texto poético é sempre mais difícil." 

Mas porquê temer uma pergunta sobre Camões ou Fernando Pessoa? O poeta do século XVI "é um autor clássico e, portanto, a estrutura das suas frases não corresponde ao padrão do século XXI" e, "uma vez mais, os alunos têm que tentar perceber qual é a ideia do autor".

A professora deixa ainda outro conselho "valoroso": "a parte da composição é muito cotada" – vale 44 pontos – e por isso, é importante não só prepará-la bem como também, simplesmente, ler com atenção. "Todas as composições têm instruções e os alunos por norma não leem as instruções, que dizem especificamente o que fazer".

"O ponto de partida é perceberem qual é o tema proposto, que por norma se foca em temas relacionados com os jovens. E usar uma linguagem simples, deixando bem marcada a sua opinião."

A longa experiência desta professora avisa ainda: "se os alunos tiverem que dar exemplos, não os devem inventar", mas "falar de questões concretas". "As principais falhas são exemplos irrelevantes", sublinha.

Ler, ler, ler. Um conselho que serve para o exame mas também para depois dele: "os alunos têm dificuldade em interpretar porque leem pouco", frisa a professora de português.

Desenhar e escrever a Matemática

A interpretação também é o que mais falha no exame de Matemática, explica Catarina Onofre, professora desta disciplina.

"A maior dificuldade dos alunos está na interpretação de problemas", começa por revelar à CNN Portugal. "Se for um exercício só de cálculo, os alunos até resolvem bem, mas quando há interpretação há maiores dificuldades". E não há fórmulas milagrosas. "Essa é uma preparação de 365 dias por ano, tem de ser construída".

Mas para ajudar a combater essa falha, Catarina Onofre tem alguns conselhos. "Sublinhem os dados no enunciado, usem e abusem dos diagramas e dos desenhos, se há medidas e uma figura, metam as medidas nas figuras, desenhem o comprimento... transcrevam e passem para linguagem matemática o problema que é apresentado: aí já têm grande parte do problema resolvido".

Há ainda outra dica igualmente simples de seguir que pode contribuir para um melhor desempenho neste exame: escrever o raciocínio.

"Na escolha múltipla, é sempre melhor escrever numa folha à parte o raciocínio. Quando a pessoa consegue fazer mentalmente todo o raciocínio é bom, mas às vezes a memória é traiçoeira. É muito útil escrever o problema no papel", aconselha a professora de Matemática.

E, independentemente da disciplina, há dois conselhos que as professoras deixam que se aplicam a qualquer exame: controlar a ansiedade e escolher a ordem das perguntas estrategicamente.

Catarina Onofre lembra que um dos grandes problemas é o controlo do sistema nervoso, que pode ser prejudicial na prova. "Os alunos devem focar-se na resolução do problema e preocupar-se em fazer bem e não na nota. Se souberem fazer bem, vão ter o resultado disso".

"A falta de atenção é algo que pode acontecer e é muitas das vezes consequência do stress . É preciso sublinhar a informação para não ficar esquecida", diz. 

Quando se recebe o enunciado, as professoras referem que é importante pensar logo numa estratégia. "Podem alterar a ordem das questões que respondem, de forma a não perder tanto tempo com as que têm dúvidas e a ficar nervosos", aconselha Maria do Carmo Oliveira.

"É importantíssimo não se preocuparem com a ordem das perguntas: primeiro, responder ao que sabe muito bem e, só depois, ir a outras perguntas. A gestão do tempo é muito importante. Devem começar pelos exercícios que consideram mais fáceis", explica Catarina Onofre.

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