"A decência também vai a votos no dia 18 de maio", diz João Costa, que foi governante no Executivo de António Costa
O ex-ministro da Educação e militante do PS João Costa apresentou queixa na Polícia Judiciária após receber um e-mail anónimo com ameaças de morte - termina com a frase “socialista bom é socialista morto”. O caso é relatado pelo próprio João Costa num artigo que publicou no Expresso.
O antigo governante destaca que a ameaça é motivada pela disciplina de Cidadania e Desenvolvimento. Sublinha que temas como a igualdade de género, a educação sexual e o combate ao bullying fazem parte de uma agenda educativa alinhada com os valores democráticos e com evidência científica, mas que têm sido deturpados para alimentar narrativas de medo e desinformação.
João Costa acusa diretamente a extrema-direita portuguesa – nomeadamente "o Chega, o Ergue-te, o PNR e os seus congéneres portugueses e estrangeiros" – de alimentar um clima de ódio através da disseminação de fake news, calúnias e intimidações.
O ex-ministro lamenta a banalização da violência e do discurso de ódio, que já não se limita a anónimos escondidos atrás de um teclado mas que, diz, se ouve sem pudor nos corredores da Assembleia da República. João Costa defende que estas atitudes não são meros excessos retóricos, mas sintomas de uma erosão democrática que ameaça os direitos, as instituições e a própria dignidade cívica.
O ex-ministro critica o que considera ser o silêncio cúmplice de membros do atual Governo e de outros partidos. Para João Costa, “a decência também vai a votos no dia 18 de maio”, data das eleições legislativas. "Estas ameaças podem ser anónimas mas têm autores morais", diz João Costa.