História milagrosa de sobrevivência no Evereste: como um guia dado como desaparecido durante uma semana foi encontrado vivo

CNN , Helen Regan
5 jun, 11:39
Os médicos levam Dawa Sherpa para receber tratamento após a sua chegada ao Hospital HAMS, em Katmandu, no Nepal, na quinta-feira, 4 de junho de 2026. Niranjan Shrestha/AP
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A tragédia transformou-se em alegria na quinta-feira, quando uma equipa de limpeza encontrou homem a rastejar pela zona glaciar, exausto e com sinais de congelamento, mas vivo

Um guia de montanha, que era dado como morto nas zonas altas do Monte Evereste, foi encontrado a rastejar de volta ao Acampamento Base depois de ter passado quase uma semana na montanha sem comida nem oxigénio engarrafado.

Durante seis dias não houve qualquer contacto por rádio nem sinal de Hillary Dawa Sherpa, de 52 anos, visto pela última vez a 29 de maio a descansar acima do Campo 3, situado a 7.060 metros de altitude.

O guia ficou separado do seu cliente e da equipa de escalada, que já tinha iniciado a descida e integrava o último grupo no Evereste antes do encerramento da temporada. As escadas colocadas sobre a Cascata de Gelo do Khumbu, fixadas cuidadosamente pelos sherpas para permitir a travessia da secção mais perigosa da ascensão, já tinham sido desmontadas, segundo uma empresa de montanhismo.

Com Hillary Dawa isolado na montanha mais alta do mundo em condições extremamente perigosas durante tanto tempo, a família chegou a iniciar os rituais fúnebres.

No entanto, a tragédia transformou-se em alegria na quinta-feira, quando uma equipa de limpeza o encontrou a rastejar pela zona glaciar, exausto e com sinais de congelamento, mas vivo.

“Quando soubemos pela primeira vez (do resgate), não tínhamos a certeza se essa pessoa era realmente o nosso pai”, disse à Associated Press a filha de Hillary Dawa, Mendo Lhamu. “Para termos a certeza, pedimos que enviassem fotografias e só depois disso tivemos a confirmação e ficámos muito felizes.”

Foi-lhe dada comida e água e foi transportado de helicóptero para um hospital na capital do Nepal, Catmandu, onde recebeu tratamento para congelamento e outras complicações, segundo a agência Reuters.

Vídeos publicados nas redes sociais mostram Hillary Dawa a ser transportado às costas de outro alpinista durante a descida por terreno rochoso. Ainda com o casaco de alpinismo amarelo e azul, surge depois em novas imagens a ser levado numa maca desde o heliporto do hospital HAMS, em Catmandu.

Muitos na comunidade de montanhismo consideraram a sobrevivência de Hillary Dawa como milagrosa.

“Não é nada menos do que um milagre sobreviver tantos dias na montanha, enfrentando condições tão duras”, disse à AP Ang Tshering Sherpa, uma figura de destaque na comunidade.

Este resgate surge no final da época mais movimentada de sempre no Evereste, com mais de 1.000 alpinistas a atingirem o cume pelo lado sul da montanha, incluindo um recorde de 274 num único dia, a 20 de maio.

Imagens de filas de alpinistas numa área conhecida como “zona da morte” — onde o ar é demasiado rarefeito para respirar sem ajuda durante muito tempo — voltaram a circular, juntamente com novas ascensões recorde de montanhistas nepaleses e estrangeiros.

Uma história milagrosa de sobrevivência

A notável autossalvação de Hillary Dawa levantou questões sobre a ausência de uma equipa de busca quando foi dado como desaparecido há uma semana.

Quando helicópteros de busca o procuraram esta semana, não encontraram qualquer sinal do alpinista, segundo a empresa Nepal Mount Everest.

Os que encontraram Hillary Dawa eram membros do Comité de Controlo da Poluição de Sagarmatha (SPCC), responsável por definir rotas, cordas e escadas na Cascata de Gelo do Khumbu no início da temporada, bem como pela remoção de resíduos após a saída dos alpinistas.

Lama Kazi Sherpa, do SPCC, disse à Reuters que a sua equipa localizou Hillary Dawa acima do Acampamento Base, perto da cascata de gelo, e o transportou para um local seguro.

Num vídeo após o resgate, Hillary Dawa afirmou que tinha escorregado e caído numa fenda perto do Campo 1, a cerca de 6.000 metros, tendo passado dois dias preso no gelo antes de conseguir libertar-se, segundo meios locais.

Hillary Dawa, guia de alta montanha de uma pequena empresa de Catmandu chamada Himalayan Traverse, e o seu cliente polaco desciam o Evereste após não terem conseguido atingir o cume a 29 de maio, segundo a AP.

O alpinista britânico Chris Thrall, também cliente da Himalayan Traverse e a última pessoa a ver Hillary Dawa antes do seu desaparecimento, disse numa publicação no Instagram que estava “eufórico e muito feliz por ele e pela sua maravilhosa família”, depois de o ter dado como morto na montanha.

Num vídeo publicado a partir de Catmandu, Thrall afirmou que o alpinista polaco lutava contra congelamento e desceu com o sherpa com quem Thrall escalava, deixando Hillary Dawa e ele para descerem juntos.

Hillary Dawa terá “sentado para descansar com a sua mochila” durante a descida do Campo 4, a 7.900 metros, referiu.

“Virei-me e disse: ‘Hillary, estás bem irmão?’ E ele disse ‘sim, estou bem Chris, por favor vai’”, contou Thrall, acrescentando que o guia levava rádio e telefone satélite.

Segundo Thrall, era habitual os sherpas fazerem pausas e esperava que ele os apanhasse mais tarde.

Na descida para o Campo 3, o alpinista disse ter encontrado o cliente polaco sem oxigénio e com sinais de congelamento. A descida foi mais difícil e demorou muito mais do que o previsto.

“O que deveria ter sido cinco dias até ao cume e regresso acabou por ser 11 dias. Foi assim tão difícil”, afirmou.

Thrall, antigo fuzileiro britânico, explicou ainda que decidiu ajudar o alpinista em dificuldades e descer com ele durante cerca de 19 horas até ao Campo 2, em condições meteorológicas que passaram de neve para nevoeiro intenso.

“Nenhum momento, quando olhei para cima da montanha, vi Hillary a descer”, disse. “Dizer que os alarmes soaram é pouco — pensei que o pior tinha acontecido.”

A CNN não conseguiu verificar de forma independente estes relatos.

O incidente voltou a levantar preocupações sobre a segurança dos trabalhadores nepaleses na montanha, num contexto de crescimento de operadores comerciais de escalada.

Especialistas já tinham alertado para riscos associados a operadores inexperientes e a cortes em segurança, equipamento e monitorização, incluindo a falta de guias qualificados e a fraca avaliação da experiência dos clientes.

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