Eurodeputada Kaili apenas vai ser ouvida em tribunal no dia 22

Agência Lusa , BCE
14 dez 2022, 17:19
Eva Kaili, vice-presidente do Parlamento Europeu, foi detida

Os advogados de defesa de Kaili dizem que a ex-vice-presidente do Parlamento Europeu não tem nada a ver com o dinheiro encontrado e que apenas Giorgi poderá explicar a existência dos sacos de notas

A eurodeputada grega Eva Kaili apenas vai ser ouvida em tribunal no próximo dia 22, permanecendo detida, tal como o seu companheiro, Francesco Giorgi, ambos envolvidos num alegado caso de corrupção.

Eva Kaili - que já foi destituída do cargo de vice-presidente do Parlamento Europeu – viu esta quarta-feira a sua audiência ser adiada para 22 de dezembro, enquanto reclama estar inocente, pela voz de um dos seus advogados em Atenas, alegando desconhecer a existência dos sacos de notas, no valor de 150.000 euros, encontrados na sua casa em Bruxelas.

Detida na sexta-feira na capital belga, a eurodeputada de 44 anos é suspeita de ter sido subornada pelo Qatar para defender os interesses deste emirado que atualmente acolhe o Campeonato Mundial de Futebol.

Esta quarta-feira, soube-se também que Francesco Giorgi, companheiro de Kaili, vai permanecer detido, depois de ter comparecido perante um tribunal de Bruxelas, juntamente com o ex-deputado socialista italiano Antonio Panzeri.

Os advogados de defesa de Kaili dizem que a ex-vice-presidente do Parlamento Europeu não tem nada a ver com o dinheiro encontrado e que apenas Giorgi poderá explicar a existência dos sacos de notas.

O pai de Kaili também foi surpreendido com uma mala com 750 mil euros em numerário e outros 600.000 euros foram apreendidos na casa de Pier-Antonio Panzeri.

O Qatar nega as acusações de corrupção, mas uma fonte judicial na Bélgica confirmou que este país está a ser considerado suspeito pelos investigadores belgas.

Perante este escândalo que ameaça a sua credibilidade, o Parlamento Europeu destituiu na terça-feira a eurodeputada grega do cargo de vice-presidente, por "má conduta grave", numa votação aprovada quase por unanimidade, com 625 votos a favor em 628 votos expressos.

Este caso também está a provocar uma onda de choque na Grécia, país atingido por diversos casos de suspeita de corrupção, despertando a indignação da população.

As autoridades gregas já congelaram todos os bens da eurodeputada, enquanto muitos gregos expressaram a sua vergonha por verem Kaili, que foi apresentadora de programas num canal televisivo, envolvida num escândalo de dimensão europeia.

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