Quem é Eva Rapdiva, candidata pelo PS?

3 abr 2025, 13:26
Eva Cruzeiro (DR-Facebook)
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Rapper, ativista e investigadora: tem 36 anos e está no 8º lugar da lista de candidatos a deputados do PS por Lisboa

"Minha tropa, Sou candidata a deputada pelo Partido Socialista em Portugal por Lisboa", anunciou Eva Rapdiva nas redes sociais. É uma das grandes surpresas nas listas de candidatos aprovadas pelo partido: Eva Cruzeiro, que usa o nome artístico Eva Rapdiva, ocupa o oitavo lugar da lista por Lisboa. Aos 36 anos, a artista, ativista e investigadora tem oportunidade de levar as suas preocupações com os direitos das mulheres e as desigualdades sociais para o debate parlamentar. 

"Vocês conhecem-me. Sabem quem sou, o que defendo, como luto e a forma firme que sempre fiz as minhas escolhas. Tudo o que conquistei até hoje, seja na minha vida profissional ou académica, foi fruto de muito trabalho, resiliência e dedicação. Já dei muito de mim em nome daquilo em que acredito. Agora, quero dar ainda mais", explica Eva nas suas redes sociais, numa publicação desta quinta-feira de manhã.

"Vivemos tempos difíceis, marcados por incerteza, desigualdade e ataques cada vez mais frequentes aos nossos direitos fundamentais. Perante isto, não podemos ficar indiferentes. A minha candidatura é, também, um grito de alerta e um apelo à mobilização. Temos de agir! Temos de nos unir! Temos de lutar pelos direitos que já conquistámos, pelos que ainda queremos conquistar e contra tudo o que nos quer silenciar", diz, justificando a candidatura. 

"A minha entrada na política institucional não representa uma mudança de caminho, mas sim um novo capítulo da mesma luta. Uma luta que sempre travámos juntos com arte, com coragem, com consciência e com o coração. Uma extensão natural de uma caminhada feita de ativismo e compromisso com a justiça social. (...) Esta candidatura é também vossa. É por nós, pelas nossas pessoas, pelas nossas causas e pelo futuro que merecemos construir."

Mas quem é Eva?

Eva Cruzeiro, também conhecida como Rainha Ginga do Rap, nasceu em Portugal em 1988 e cresceu na Arrentela, no concelho do Seixal. Na adolescência, já fã de hip hop e de artistas como Black Company, Da Weasel, Chullage ou o Boss AC, mudou-se para a zona da Amadora e começou a participar em rodas de freestyle, improvisando as suas primeiras rimas. 

Em 2009 foi viver para o Lobito, em Angola, e dois anos depois para Luanda. Já tinha participado em várias mixtapes - em Portugal e em Angola - e fazia todos os domingos o programa "Beatbox" na Rádio Luanda, quando em 2013 lançou o seu primeiro disco, “A Rainha do Ginga Rap”, sendo eleita a melhor rapper angolana pelos Angola Hip Pop Awards.

Com o disco “Eva” (o seu nome mas também o nome da sua avó), editado em 2017, a Rapdiva voltou a ganhar mais prémios em Angola. “Final Feliz?”, “Beleza Não É Tudo”, “Um Assobio Meu” e “Desculpa”  são alguns dos temas desse disco que se tornaram mais conhecidos.

"Lutamos com leões na cidade safari

Enquanto alguém que gere o povo manda vir um Ferrari

Pra ser sincera o meu problema é só um

Eles deitam picanha, raspamos latas de atum!"

(Eva Rapdiva, "Um Assobio Meu")

“Eva” foi, de facto, o disco que alavancou em Angola a carreira da artista e que lhe permitiu regressar a Portugal para assinar um número considerável de espetáculos. Eva Rapdiva atuou em 2017 em Lisboa no festival Vodafone Mexefest e em 2018 integrou a Guerrilha Cor de Rosa, liderada pela amiga de há vários anos, Capicua, no Red Bull Music Culture Clash.

Ao longo do seu percurso foi colaborando com nomes do hip hop lusófono como Sam the Kid e Charlie Beat.

Foi a única artista feminina angolana a ser nomeada para os All African Muzik Magazine Awards de 2019. Nesse ano dividiu-se em concertos no Brasil (por exemplo no festival Latinidades), em Angola e em Portugal (no festival “Sou Quarteira”, impulsionado por Dino D'Santiago)

Nos últimos anos participou no tema “Lisboa Que Amanhece" (Chong Kwong, EU.CLIDES, Eva Rapdiva, feat. DJ Ride) e lançou “Tudo de Novo” (com Gerilson Insrael) e “Incondicional” (com Deezy). Na última Festa do Avante, Eva Rapdiva foi convidada do concerto da brasileira Bia Ferreira. Juntas cantaram o tema "Um assobio meu".

Paralelamente à carreira musical, Eva Rapdiva estudou Ciência Política e Relações Internacionais e fez pós-graduações em Gestão Financeira e em Direitos Humanos, uma área em que se tornou cada vez mais interveniente. E está envolvida em diversos movimentos, sobretudo relacionados com direitos das mulheres, como a campanha contra a violência contra as mulheres ou de consciencialização sobre o cancro da mama.

"Beleza não é tudo, batalho para ter o que é meu" canta a rapper Eva Rapdiva num dos seus temas mais conhecidos. Diz que não gosta do termo "rap feminino" porque o rap é só rap, independentemente do género. Mas talvez lhe possamos chamar "rap feminista". "Eu sei que tu vidraste no tamanho da minha bunda, Não ligues tanto ao rabo, A minha mente é mais profunda", pede a artista na mesma música.

No ano passado esteve no Parlamento Europeu a convite de Elisa Ferreira, comissária europeia para a Coesão e Reformas, e nas Nações Unidas, em Genebra, como investigadora, integrando uma delegação do CCW (Convenção sobre Certas Armas Convencionais). Em 2024 moderou um debate com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, na Fundação Gulbenkian, no âmbito do Jacques Delors Agora, que juntou 130 jovens de toda a Europa durante quatro dias para debater o futuro da União Europeia.

No último anos teve também, no seu canal de Youtube, um programa de entrevistas, o "PodTudoo", no qual entrevista várias figuras ligadas à lusofonia e explora alguns dos temas que mais a preocupam na sociedade contemporânea.

A par da intervenção cívica foi surgindo a intervenção política. No ano passado apoiou publicamente a candidatura de Bruno Gonçalves a secretário-geral da Juventude Socialista. "Além de ser deputado europeu, considero-o o jovem mais relevante, competente e inspirador da política portuguesa", escreveu nas redes sociais. "O crescimento da extrema-direita em Portugal deve ser uma preocupação de todos, assim como este governo de direita. Por isso decidi posicionar-me, como já o fiz em Angola no passado e como acho que devo fazer sempre que sentir que posso contribuir de forma positiva. Nunca foi tão importante defendermos a democracia e a liberdade!"

Esta quinta-feira de manhã, conhecida a presença de Eva Cruzeiro nas listas do PS, Bruno Gonçalves retribuiu o elogio público: "A Eva Cruzeiro será candidata a deputada à Assembleia da República pelo Partido Socialista. Uma aposta certa numa ativista que, a partir da música e da política, transforma vidas. E que a partir de agora tem a enorme tarefa de mudar a forma de fazermos política em Portugal e de reaproximarmos os valores de Abril de quem mais precisa. Precisamos da Eva como precisamos de mais Evas. O país que queremos está sempre a um passo de ser construído!"

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