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Extrema-direita alemã pode ganhar votos de novos eleitores de 16 anos nas europeias

Agência Lusa , MM
8 jun, 09:54
Voto (LUSA)

Estudo revela que os menores de 30 anos estão cada vez mais descontentes com a sua situação social e económica e que os receios sobre o futuro estão a conduzi-los para uma mudança à direita

 A extrema-direita poderá beneficiar da estreia na Alemanha de mais de cinco milhões de jovens que votam pela primeira vez nas eleições europeias de domingo, depois da idade permitida ter baixado para os 16 anos.

Num cartaz em destaque na conta da rede social Instagram, a Alternativa para a Alemanha (AfD) anuncia que o partido é o “número 1 entre os jovens” associando o slogan “pátria e identidade só connosco”. A força política de extrema-direita aproveita os dados de um estudo que mostra que 22% dos jovens entre os 14 e os 29 anos quer votar na AfD.

Os autores do trabalho “Juventude na Alemanha 2024” revelam que os menores de 30 anos estão cada vez mais descontentes com a sua situação social e económica e que os receios sobre o futuro estão a conduzi-los para uma mudança à direita.

Nas últimas eleições europeias, em 2019, a elevada participação dos jovens ajudou a impulsionar o que muitos anunciaram como uma “onda verde” que viu os partidos centrados no clima conquistarem um recorde de 74 assentos no Parlamento Europeu. Agora, e segundo as sondagens, esses números não deverão repetir-se.

Há cinco anos, 30% dos eleitores alemães com idades entre os 18 e os 29 anos votaram nos Verdes e 13% na União Democrata-Cristã (CDU) coligada com o partido irmão na Baviera, a CSU. Os restantes partidos recolheram menos de 10% dos votos, e a AfD não foi além do sétimo lugar com 7%.

A questão principal defendida pela “Alternativ für Deutschland” baseia-se numa política dura anti-imigração. Se antes a entrada de refugiados e estrangeiros na Alemanha era uma preocupação do eleitorado mais velho, agora é também do mais jovem, segundo os estudos.

O advogado constitucional Hermann Heussner, que tem vindo a apoiar a ideia de reduzir a idade de voto, defendeu, na Deutsche Welle, que entre os 12 e os 14 anos o desenvolvimento intelectual aumenta, e, depois disso os adolescentes são capazes de pensar de forma “amplamente abstrata, hipotética e lógica, como fazem os adultos”.

No total, cerca de 26 milhões de jovens na União Europeia vão poder ir às urnas pela primeira vez.

Na Áustria e Malta, a idade mínima para votar já era de 16 anos e a Grécia vai permitir que quem faça 17 anos em 2024 possa participar nas eleições. A Alemanha e a Bélgica estreiam-se nestas novas regras.

Quando apanha um comboio na Alemanha, esta nova fatia de eleitores com 16 e 17 anos é convidada a votar. Há mais de mil cartazes espalhados por estações com mensagens como “primeiro beijo, primeira vez, primeiro voto” numa tentativa de os levar às urnas.

Espera-se uma alta participação, já que dados recentes indicam que 41% dos alemães entre os 15 e os 14 anos têm uma opinião positiva sobre o Parlamento Europeu, em comparação com 34% da população em geral. Ainda assim, o valor é menor que o registado em 2021, 51%, um máximo histórico.

No boletim de voto, vão poder encontrar 35 partidos políticos, mas são poucos os que conseguem passar a mensagem. O chanceler Olaf Scholz criou recentemente uma conta na rede social TikTok, mas é aqui que a AfD se distingue. O partido de extrema-direita cria conteúdo específico para os mais jovens, com vídeos curtos e mais apelativos. Na conta oficial explicam o programa, com bonecos coloridos, em 59 segundos.

Esta semana, em Berlim, oito sobreviventes do Holocausto pediram aos jovens para evitar partidos de extrema-direita e votar para proteger a democracia.

“Para milhões de vós, as eleições europeias são as primeiras nas vossas vidas. Para muitos de nós, poderá ser a última”, pode ler-se numa carta aberta.

“Não pudemos impedir o que aconteceu naquela época. Mas vocês podem impedir que aconteça hoje”, escreveram os oito autores.

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