Trump elogiou o bronzeado de Merz mas não elogiou os pressupostos do chanceler alemão para uma reunião com Putin

18 ago 2025, 21:34
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Líderes europeus não conseguem imaginar reunião com Putin sem haver antes um cessar-fogo. "Não sei se é necessário", defende Trump. Antes de se reunirem em privado, líderes europeus e Trump falaram à imprensa

Entre os constantes agradecimentos e elogios de parte a parte entre Zelensky, Trump e os líderes europeus que marcaram presença no encontro-relâmpago na Casa Branca para discutir garantias de segurança, houve um tema que marcou uma clara distinção de estratégias sobre como lidar com Moscovo. Grande parte dos líderes europeus, incluindo o chanceler alemão e o presidente francês, quer que haja um cessar-fogo do conflito na Ucrânia antes de uma reunião com Putin. Donald Trump riscou, para já, essa hipótese.

Durante as negociações na Sala Oval, de onde eventualmente sairá um acordo sobre as garantias de segurança - que até pode envolver a presença militar dos EUA no território invadido pela Rússia -, o presidente norte-americano foi claro ao passar a mensagem aos aliados europeus. "Neste momento", referiu, isso "não está em cima da mesa" - "isso" é um cessar-fogo. Ainda assim, salientou que gosta "da ideia de cessar-fogo porque paramos imediatamente a matança enquanto trabalhamos numa paz duradoura".

Esta afirmação surge em linha com aquilo que Trump já tinha admitido um dia após a cimeira do Alasca, onde esteve frente a frente com Putin, quando sublinhou que "a melhor maneira de acabar com a terrível guerra entre a Rússia e a Ucrânia" é ir "diretamente para um acordo de paz, que acabaria com a guerra, e não um mero acordo de cessar-fogo, que muitas vezes não se sustenta”. Uma proposta que não surge nem alinhada com a estratégia da Ucrânia - que tem vindo a exigir um cessar-fogo temporário como primeiro passo para um acordo abrangente -, nem com a visão de alguns líderes europeus - que veem utilidade em estabelecer-se uma trégua antes de um eventual encontro trilateral com a Rússia. 

Foi Friedrich Merz, chanceler alemão de quem Trump elogiou o bronzeado, quem mais insistiu nesta solução enquanto estava à mesa com Donald Trump. “Todos gostaríamos de ver um cessar-fogo. … Não consigo imaginar que a próxima reunião tenha lugar sem um cessar-fogo. Por isso, vamos trabalhar para isso e tentar pressionar a Rússia como resultado de uma potencial reunião trilateral,” referiu Merz. Uma posição acompanhada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, que garantiu que um cessar-fogo é necessário “pelo menos para parar os assassínios. É uma necessidade e todos apoiamos esta ideia.”

Mas Trump, para já, não aparenta mudar a convicção que tem defendido depois do encontro com Putin. "Todos nós, obviamente, preferiríamos um cessar-fogo imediato enquanto trabalhamos numa paz duradoura. E talvez algo assim possa acontecer. Mas, neste momento, isso não está a acontecer. Não sei se é necessário", acrescentou esta segunda-feira.

Foto de família tirada na Casa Branca durante o encontro entre Trump, Zelensky e vários líderes europeus / GETTY

Ainda que Putin não tenha estado presente na reunião, Donald Trump fez questão de colocar os seus argumentos em jogo com os líderes europeus. "Conheço-o há muito tempo, sempre tive uma ótima relação com ele. Acho que o presidente Putin também quer encontrar uma resposta. Veremos", referiu o presidente norte-americano, acrescentando que espera que haja uma reunião trilateral entre a Rússia, a Ucrânia e os Estados Unidos em breve. “Acho que a questão é quando, não se.

Para Macron, no entanto, essa questão deve também ser alargada aos aliados europeus, insistindo que, quando se fala em garantias de segurança, não se fala apenas de segurança para a Ucrânia mas sim de toda a Europa. "De forma a termos uma paz duradoura para a Ucrânia e para todo o continente é preciso ter garantias de segurança credíveis. O primeiro é um exército ucraniano credível para os anos de décadas que se aproximam", defendeu, acrescentando que os europeus estão "bastante lúcidos" acerca de ter de pagar a sua parte para a defender o continente. 

De resto, os líderes europeus têm também tentado posicionar Donald Trump cada vez mais do lado da Ucrânia, repetindo um argumento: estar pela paz significa apoiar a Ucrânia no conflito com a Rússia. Georgia Meloni, primeira-ministra italiana enquadrou essa ideia desta forma: "Se queremos chegar à paz e garantir justiça, teremos de o fazer unidos". Já o presidente finlandês fê-lo deste modo: "Estamos do lado da Ucrânia". "É a equipa da Europa e a equipa dos EUA a ajudar a Ucrânia".

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