Surtos de Ómicron por todo o mundo ensombram ano novo

27 dez 2021, 06:23
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Da Europa ao Pacífico, passando pela América do Norte, a nova variante está a provocar novos recordes de infeções, que voltam a ensombrar uma passagem de ano

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Anthony Fauci, o imunologista mais famoso do mundo e conselheiro de saúde da Casa Branca, avisou este domingo que os números de novos casos de Covid-19 vão continuar a crescer por todo o mundo e que provavelmente chegaremos a um ponto em que praticamente toda a gente terá anti-corpos para o SARS-CoV2, seja por ter sido vacinado, seja por ter estado doente. Porém, Fauci lembrou que a variante Ómicron está a provocar uma nova vaga global de infeções por ser mais transmissível, mas também por ter maior capacidade de reinfetar mesmo quem já esteve doente e foi declarado curado.

Apesar da nova variante ser aparentemente menos agressiva, causando doença menos grave e menor risco de hospitalização, Fauci lembrou, em entrevista à cadeia de televisão ABC, que o perigo da nova variante se percebe por um cálculo matemático simples: “Se temos muitas, muitas, muitas mais pessoas [infetadas] com doença menos grave, isso poderá neutralizar o efeito positivo de a doença ser menos grave”.

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A pressão sobre os sistemas de saúde continuará altíssima, e provavelmente mais alta do que alguma vez foi desde que surgiu o novo vírus, devido à enorme transmissibilidade da variante Ómicron.

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A demonstrar isso mesmo, há notícias um pouco por todo o mundo de novas vagas de covid, que mais uma vez deverão ensombrar a celebração do Ano Novo. Apesar das enormes restrições sobre as viagens aéreas internacionais, as deslocações internas dentro dos países para os tradicionais encontros familiares estarão a funcionar como catalizador de inúmeros novos surtos, agravando uma tendência de subida da incidência que já vinha de antes do período de Natal.

Europa

Está a ser assim na Europa, e Portugal não escapa à tendência. A curva ascendente em Portugal é bem inclinada, com 775 casos por milhão de habitantes a sete dias. Ainda estamos longe do pior momento da pandemia no nosso país, atingido no final de janeiro deste ano, com média de 1.256 casos por milhão de habitantes a sete dias, mas já ultrapassámos metade dessa média e estamos a crescer rapidamente. A incidência em Portugal está no ponto em que estava a 9 de janeiro deste ano - e recorde-se que vinte dias depois chegou ao recorde absoluto de novos casos até agora. 

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Olhando para o número de novos casos por dia, Portugal tem ultrapassado a fasquia dos 10 mil, mas ainda parece longe dos 16.432 de 28 de janeiro, o dia em que o país atingiu o pico de novas infeções. Quanto a mortes, os dados são bastante diferentes do que se registou no início desta ano: as 108 mortes da última semana estão muito longe das mais de 2 mil mortes da pior semana de janeiro.

No Velho Continente, os piores casos são a Dinamarca e o Reino Unido, onde o crescimento de novos casos graças à variante Ómicron é exponencial. Até agora, o pior momento da pandemia no Reino Unido tinha-se registado em Janeiro, com 875 casos por milhão de habitantes na média a sete dias - neste momento, esse valor já vai quase no dobro, com 1472 casos. E não há sinais de abrandamento. 

O mesmo se passa com a Dinamarca, que tem atualmente o título de pior desempenho europeu a nível de incidência Covid, recorde que durante alguns meses foi de Portugal - os dinamarqueses já pulverizaram por muito o recorde português, e estão neste momento com uma média de novas infeções acima de dois mil casos diários por milhão de habitantes na ponderação a sete dias. Também neste caso, sem sinais de abrandamento. É a primeira vez que um país europeu ultrapassa a fasquia dos dois mil casos diários, de acordo com a base de dados do site Our World in Data.

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Há outros países europeus onde a atual vaga já ultrapassou o pior registo anterior de novos casos. É o que acontece com Espanha e França, por exemplo. A França ultrapassou os 100 mil novos casos diários, aproximando-se do seu recorde absoluto, em abril, provocado pela variante Delta. Mas a última semana já é a pior de sempre ao nível de incidência em França: 511 mil novos casos em sete dias, bem acima do anterior máximo semanal.

Cenário igual em Espanha: este Natal, ultrapassou o máximo de casos da vaga de Janeiro passado, e a última semana é também a mais negra de sempre no país em termos de novas infeções. Também Itália, que em novembro de 2020 teve o seu maior pico de novos casos, superou agora esses números.

A Irlanda é outro país onde a curva ascendente está a deixar as autoridades em estado de alerta, esperando-se que após o Natal, que os irlandeses celebram em família com grandes reuniões, os números disparem ainda mais.

Segundo os dados da OMS agregados pelas grandes regiões do mundo, a Europa é, de longe, aquela onde a atual vaga está a ter mais impacto no registo de novos casos. Quase três milhões de novas infeções por semana, em comparação com menos de dois milhões no final de 2020 e início de 2021.

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Américas

No continente americano a situação global não é tão grave como foi noutros momentos da pandemia, mas a tendência também é de crescimento, sobretudo na América do Norte. Com mais de 260 mil casos detetados imediatamente antes do Natal, os EUA aproximam-se perigosamente da fasquia dos 300 mil casos diários, com aconteceu em janeiro. Porém, os dados norte-americanos podem estar subestimados, pois o país tem-se debatido com enormes constrangimentos no acesso a testes. 

Logo a norte, no Canadá, este é já o pior período de toda a pandemia, bem acima de qualquer das vagas precedentes. 

Para já, a boa notícia é que o impacto da variante Ómicron ainda não se faz sentir muito nos países da América Latina. Por exemplo, o Brasil, que foi um dos grandes motores de casos na América do Sul noutras vagas, tem os dados relativamente estabilizados, embora se note uma tendência para recrudescimento de novos casos.

Ásia

O panorama geral no Indo-Pacífico parece menos preocupante do que noutras ocasiões, mas esse é um efeito deturpado sobretudo pelo enorme pico de casos que a Índia sofreu em maio, que distorce as comparações com a situação atual. Os casos na Índia estão a crescer, e a variante Ómicron já está com transmissão comunitária no país, mas o cenário está muito longe da calamidade que os indianos testemunharam na primavera.

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Diversos países da Ásia-Pacífico estão em alerta vermelho com a transmissão comunitária da Ómicron, incluindo-se mesmo o Japão, que tem seguido uma das políticas de fronteiras mais rigorosas, para tentar evitar a importação dessa variante. É garantido que já existe transmissão comunitária da nova variante entre os nipónicos, nomeadamente nas maiores cidades do país, Tóquio e Osaka. 

Na Nova Zelândia, também um Estado insular e com fortes controlos à entrada no país, os casos mais do que duplicaram desde o Natal. 

Laboratório transformou testes positivos em negativos

Na Austrália, registou-se uma subida de novos casos nunca vista nos últimos quinze dias. A incidência está quatro vezes acima do pior registo ao longo de toda a pandemia. Domingo foi o dia com mais casos de sempre na Austrália - com quase dez mil - e as autoridades já alertaram para uma grande vaga pós-Natal. Há milhares de australianos em confinamento, e o número de hospitalizações também deu um grande salto nos últimos dias.

Para agravar a situação, cerca de 1.400 pessoas que tinham um resultado negativo em testes Covid feitos antes do Natal ficaram agora a saber que a informação estava errada - são 1395 testes, pelo menos, cujo resultado positivo foi transformado em negativo por um erro de origem desconhecida. A responsabilidade é de um grande laboratório de Sidney.

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Agora, todas essas pessoas e todos aqueles com quem estiveram durante as festas, estão a ser contactadas, para nova testagem e eventual confinamento.
Nos estados mais populosos da Austrália a variante Ómicron já é predominante.

A Coreia do Sul continua a assistir à pior vaga da pandemia, e a nova variante não é a principal responsável. Por enquanto, ainda é a Delta que está a catapultar os números de infeção no país. Ao fim de vinte dias a assistir a sucessivos recordes de incidência, pela primeira vez o país registou menos de cinco mil casos. Mas as autoridades não sabem se a redução será reflexo das medidas de restrição entretanto impostas, ou de menor testagem durante os dias de Natal. Entretanto, o sistema de saúde continua debaixo de água, com números nunca vistos de internados e de pessoas em UCI por causa do SARS-Cov2.

Também a China, apesar da política de Covid zero, está a braços com surtos. Xian, o epicentro de uma vaga que deixou a cidade em confinamento, registou mais 150 casos. A população de 13 milhões de habitantes da cidade tem ordem de permanecer em casa, e será sujeita a mais um teste generalizado, para despistar eventuais novos casos.

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As autoridades de saúde consideram a situação “difícil e complexa”, tendo em conta que, com a ordem de confinamento que persiste há vários dias, o número de novos casos diários já deveria ter baixado.

Vários outros países da Ásia-Pacífico estão a preparar-se para uma grande vaga de novos casos. É o caso de Singapura e da Tailândia - a capital, Bangkok, já anunciou que serão canceladas todas as comemorações de Ano Novo.

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