Ventura quer Costa fora de "qualquer cargo do mundo", eurodeputados do Chega querem ir mais novos para Bruxelas

10 jun, 01:40

Líder do Chega queria vencer as eleições, acabou com menos de 10%. Mas sublinha: o partido continua a ser a terceira força política

André Ventura tinha estabelecido como objetivo vencer as eleições europeias mas acabou em terceiro, abaixo dos 10% dos votos e com dois eurodeputados eleitos. "É pena só irmos dois. Somos dois, mas somos bons", frisou António Tânger Corrêa, um dos eurodeputados eleitos pelo Chega, já no púlpito da sede de campanha do partido, numa reação aos resultados oficiais.

António Tânger Corrêa reconheceu que "hoje não foi um dia bom para o Chega", mas assinalou que não se candidatou às europeias "para ter um tacho" ou "para ser promovido a qualquer coisa". "Meus caros amigos, não nos deixemos iludir: os únicos que vão fazer uma politica europeia são os dois representantes do Chega. E aqui vos prometo que vamos para Bruxelas com o mesmo ânimo como se tivéssemos - que infelizmente não temos - 20, 30 ou 40 anos, vamos para lá com tudo, vamos para lá negociar, fazer a diferença", comprometeu-se.

O cabeça de lista às europeias era o próprio António Tânger Corrêa, mas foi o nome de André Ventura que os apoiantes, em sentinela, entoavam no hotel que esta noite se transformou em palco do Chega: "Queremos o André Ventura a mandar em Portugal!", cantavam os apoiantes, ainda antes de Tânger Corrêa começar a reagir.

O mesmo cântico fez eco na sala assim que André Ventura tomou a palavra, para assinalar que o Chega passou "de 0 [nas europeias de 2019] para 2 eurodeputados". "Estamos de parabéns", exclamou, momentos antes de se demarcar dos partidos de "extrema-esquerda", como o BE e o PCP, que acusa de não assumirem as suas derrotas eleitorais.

"Não somos como aqueles que ganham sempre. Aqui estou eu, enquanto presidente do partido, a assumi-lo", declarou, voltando a responsabilizar-se pelo resultado obtido pelo Chega.

Apesar da derrota assumida, "a noite trouxe outra realidade", destacou André Ventura: "É que nem liberais, nem extrema-esquerda - continuamos a ser nós a terceira força política portuguesa", frisou, concluindo que, apesar de o Chega não ter vencido - objetivo que o próprio estabeleceu desde início ,- nenhum partido o ultrapassou "em ranking de força política em Portugal".

André Ventura recusou aceitar a leitura daqueles que tentam "extrapolar o resultado destes resultados para as eleições legislativas ou outras", comprometendo-se a ir a eleições "sempre com o objetivo de vencer".

Ventura diz que "nunca" apoiará Costa para "qualquer cargo no mundo"

Apesar da distância, André Ventura aproveitou ainda para responder a Luís Montenegro, que anunciou este domingo o apoio do Governo e da Aliança Democrática à candidatura de António Costa para a presidência do Conselho Europeu.

"Aqui se vê quem em Portugal continua a dar a mão ao socialismo e a permitir que noites como hoje sejam de vitória do PS", ironizou. E garantiu: "Ao contrário do que diz o primeiro-ministro, o líder do Chega nunca permitirá que se apoie António Costa para qualquer cargo no mundo."

Este domingo, depois de assumir a derrota eleitoral para o PS, Luís Montenegro admitiu que "é possível que a presidência Conselho Europeu seja destinada a um candidato socialista". "Se o doutor António Costa for candidato a esse lugar, a Aliança Democrática e o Governo de Portugal não só o apoiarão como farão tudo para que esse candidatura possa ter sucesso”, adiantou o primeiro-ministro, em resposta aos jornalistas após um discurso em reconheceu a derrota nas eleições europeias.

Relacionados

Política

Mais Política

Patrocinados