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Professor universitário, investigador e autor

Haverá (anti)diplomacia nos candidatos às Europeias?

4 jun, 15:52
Debate na rádio - campanha eleitoral para as Eleições Europeias (Lusa/António Pedro Santos)

Por onde anda, em fase de campanha - mais propriamente nos debates, a postura diplomática dos principais candidatos ao Parlamento Europeu?

Ei-los, os candidatos dos 8 partidos representados na Assembleia da República:

AD - Sebastião Bugalho: dos novos rezará a história da nova Europa? É o mais novo (e por isso) menos experiente candidato às eleições europeias. Estudos houvesse para comprovar que experiência é sinónimo de menor competência. Será ele capaz? É ver para crer! Ego, confiança, convicção, carisma e pujança são características que tem para dar e vender. Uma performance considerada, por alguns, abaixo das expectativas, mas com capacidade de gerar apoio popular e até algum entusiasmo.

BE - Catarina Martins: de atriz a política, poderá ter capacidade de comunicação (não fosse ela atriz), mas não se livra da sobranceria que pretende mostrar em relação aos demais candidatos (mas sem sucesso) colocar-se no pedestal superior. Crítica a direita e até a esquerda. O importante é criticar. Parece que não se recorda das críticas que lhe foram feitas, em tempos, pela sua aparente falta de habilidade em consolidar o seu partido como uma força política significativa em Portugal.  Uma coisa é certa, tem sido firme na sua postura que nada demais ou a mais acrescenta para a Europa.

CDU - João Oliveira: do direito à política, assim é marcado o seu percurso, no meio de alguns sucessos, na esfera política.  É crítico acérrimo em relação à submissão de Portugal à bendita, ou, maldita, política do euro. Uma das suas bandeiras é a promoção do euroceticismo, com recurso aos jovens. Tem-se mantido fiel aos princípios do partido encontrando assim dificuldades em expandir o apoio além da base tradicional. Não apresenta proposta inovadoras… Porque será que Portugal é dos poucos, se não o único, pais da UE que ainda tem um partido comunista representada na Assembleia da República? 

CHEGA - Tânger Corrêa: voz da experiência de vida com amplitude multicultural e multilateral. É o único candidato com comprovada experiência diplomática e, consequentemente, internacional. Não, não é favorável a uma maior integração europeia, que a seu ver leva à perda da soberania e ao crescimento do aparato burocrático europeu com o perigo autoritário. Fora das politiquices, é o candidato menos conhecido. Tem sentido de Estado de um diplomata de carreira e tem louvado “propostas boas” de outros partidos (ora não fosse diplomata).

PAN - Fidalgo Marques: empreendedor social e cultural por “vocação” e político por “convicção”. Destacou-se por uma campanha vigorosa e centrada em temas ambientais e de bem-estar animal, pilares fundamentais do partido. Apesar de sua dedicação e do apelo crescente dessas questões, Marques enfrenta desafios significativos em conquistar um eleitorado mais amplo. A sua mensagem tem dificuldade em diferenciar-se em um cenário político competitivo e saturado. 
  
PS - Marta Temido: outra vez sem rumo ou soluções? Já se viu e assistiu o que e ao que foi e aconteceu em matéria de saúde. Não se livra das críticas sobre a gestão da pandemia e os desafios no sistema de saúde, que impactaram negativamente a sua imagem. Talvez seria bom ter feito uma pausa política e daqui a 5 anos candidatar-se às Europeias. A imagem ainda muito associada aos (muitos) dissabores da recente pandemia poderão não jogar a seu favor. No entanto, acredita-se que mantenha o apoio da base tradicional do PS!

IL - Cotrim Figueiredo: de gestor, a empresário e, invariavelmente, político. Conduz uma campanha enérgica e centrada em propostas de liberalização económica e redução da intervenção estatal. Tem tentado mobilizar um eleitorado jovem e urbano, ansioso por mudanças nas políticas económicas tradicionais. No entanto, a sua mensagem encontra resistência entre os eleitores mais conservadores e aqueles preocupados com a proteção social, limitando o crescimento do seu apoio. Não esquecer também que conta com uma considerável experiência na área da Economia, onde bate todos os restantes candidatos.

Livre - Francisco Paupério: deseja a paz no mundo. Uma campanha marcada pelo compromisso com a justiça social, a sustentabilidade ambiental e a defesa dos direitos humanos. Embora a sua abordagem inclusiva e progressista tenha sido bem recebida por um eleitorado mais jovem, enfrenta desafios em alcançar um público mais amplo. A campanha, apesar de bem-intencionada carece de visibilidade e estratégias eficazes para se destacar num ambiente político competitivo. Terá os próximos 5 anos para se preparar para as eleições europeias 2029.

Qual seria o candidato perfeito? Seria o melhor de cada um num só! Com uma dose de diplomacia europeia!
 

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