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Marta Temido diz que timing do Governo não é inocente e que estrutura de missão não resolve atrasos

Agência Lusa , MJC
4 jun, 14:28
Marta Temido, do Partido Socialista, em campanha em Viana do Castelo (Lusa/ José Sena Goulão)

Candidata socialista considerou que as propostas “pouco trazem de novo” e recusou interpretar ou comentar a decisão do Presidente da República de o ter promulgado horas depois, dizendo apenas que “os portugueses avaliarão”

A cabeça de lista socialista às europeias rejeitou que uma estrutura de missão resolva os problemas das migrações, considerando que não é inocente o ‘timing’ do Governo, que quer corrigir a leitura de aproximações à extrema-direita.

Questionada pelos jornalistas sobre o Plano de Ação para as Migrações, apresentado na véspera pelo Governo, Marta Temido considerou que as propostas “pouco trazem de novo” e recusou interpretar ou comentar a decisão do Presidente da República de o ter promulgado horas depois, dizendo apenas que “os portugueses avaliarão”. “Não é uma estrutura de missão que vai resolver os problemas de atrasos nas respostas”, sustentou, em declarações aos jornalistas à margem de uma ação de campanha em Viana do Castelo.

Sobre se viu aproximações à extrema-direita por parte do Governo com estas medidas, segundo a candidata socialista, “nalguns pontos há até uma tentativa de corrigir aquilo que possa ser essa leitura”. “Eu até acho que o plano foi feito também com a intenção de dar um sinal em relação a esse aspeto”, respondeu.

Sobre se o timing de apresentação foi inocente, estando o país em campanha eleitoral para as europeias, Marta Temido respondeu: “obviamente que não”. "A pergunta é o que é que está por trás do PowerPoint. Se estivermos a falar da Europa, se pusermos na última página do Powerpoint aquilo que é a posição do PPE para as migrações veremos que há uma leitura que não é convergente", alertou.

Marta Temido foi confrontada com as declarações da véspera, precisamente numa ação de campanha sua, do antigo diretor-geral da Organização Internacional das Migrações (OIM), o socialista António Vitorino, de que a transição do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) para a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) "correu mal".

"Eu própria já tinha referido que havia provavelmente aspetos que hoje, se pudéssemos corrigir, tínhamos feito de outra maneira. Isso não tem a ver com a AIMA, isso tem a ver com a fase final do funcionamento do SEF e ninguém ignora que teve uma retração em termos do que é o normal funcionamento do serviço", respondeu.

Segundo a antiga ministra da Saúde, a AIMA quando entrou em funcionamento "herdou um pesado passivo", mas "a direção da mudança estava certa pelos vistos nem o novo Governo põe em causa". "Já informou que não ia alterar o Conselho Diretivo da AIMA e também já manifestou que no essencial não ia mexer em coisas com os vistos CPLP e por outro lado vem apenas fazer uma mudança num tema concreto, sejamos claros: não é uma estrutura de missão que vai resolver os problemas de atrasos nas respostas", defendeu. "O que está em causa é o reforço estrutural da AIMA e sobretudo a informatização dos processos e era esse caminho que estava a ser feito", apontou.

Sobre a mudança na questão da entrada com manifestação de interesses, Temido referiu que a proposta do Governo é que essa função seja transferida para o espaço consular. "Ora bem, nós fizemos esta modificação exatamente com a intenção de responder às necessidades da economia. Não foi um capricho. Cá estaremos para ver. Preocupa-nos. Não posso dizer que seja uma opção que nos parece que vá resolver nada, mas cá estaremos para ver", antecipou.

As novas regras para os imigrantes em Portugal entraram hoje em vigor e fazem parte do Plano de Ação para as Migrações, apresentado na segunda-feira pelo Governo e que inclui um leque de 41 medidas.

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