Bugalho "teve um momento desastroso" e Temido "não dominava os temas". No meio disto foi Cotrim a sair por cima

CNN Portugal , ARC
29 mai, 16:00
Debate entre os candidatos da IL, BE, Livre e CDU (Rui Valido)

A experiência em "candidaturas e debates" valeu aos cabeças de lista do Bloco de Esquerda e da Iniciativa Liberal uma boa avaliação dos comentadores de política da CNN Portugal

Cotrim teve a melhor prestação, mas não surpreendeu. Bugalho manteve “o fato de comentador”, o que lhe valeu o lugar de derrotado. E houve ainda uma "agradável surpresa". Os debates entre os cabeças de lista dos partidos na corrida ao Parlamento Europeu terminaram os debates televisivos e esta é a avaliação dos comentadores da CNN Portugal.

É unânime a atribuição do primeiro lugar ao candidato da Iniciativa Liberal (IL), João Cotrim de Figueiredo. “Foi o único que nunca teve um mau desempenho. Tem a ver com o ter conhecimento sobre a matéria, a maneira como expõe os assuntos mas sobretudo com os conhecimentos”, sublinha Inês Serra Lopes.

A comentadora da CNN Portugal sabia que Cotrim de Figueiredo era “bom”, pelo que o desempenho nos debates televisivos “não foi uma grande surpresa”. Houve, no entanto, algo de que Inês Serra Lopes não estava à espera: “Não sabia que conhecia tão bem os meandros do Parlamento Europeu e a forma de funcionar das instituições europeias”.

O cabeça de lista da IL é também o eleito de Anabela Neves e Paulo Ferreira, mas para estes Cotrim de Figueiredo partilha o pódio com Catarina Martins, que encabeça a corrida às europeias pelo Bloco de Esquerda (BE). “Foram os mais assertivos, com as mensagens mais claras para o respetivo eleitorado, os mais combativos com os outros candidatos quando necessário e os mais sólidos do princípio ao fim”, justifica Paulo Ferreira.

Os dois são “os mais experientes em candidaturas e debates” dos oito candidatos dos partidos com assento parlamentar, o que, de acordo com o comentador, lhes “facilitou bastante a prestação”. 

E se Catarina Martins e Cotrim de Figueiredo são os justos vencedores, quem não respondeu tão bem ao desafio foram os candidatos pelo Partido Socialista (PS), Marta Temido, e pela Aliança Democrática (AD), Sebastião Bugalho. “Temido ficou aquém, porque tem experiência política e eu fiquei com a ideia, sobretudo logo no primeiro debate, de que não dominava os assuntos europeus ao ponto de poder entrar na discussão nos debates”, explica Paulo Ferreira, afirmando que a cabeça de lista do PS “afinou” o entrave ao longo dos debates seguintes.

A comentadora Anabela Neves também viu uma evolução em Marta Temido. “Foi melhorando ao longo do tempo. E ontem [no debate contra todos os partidos com assento parlamentar] esteve melhor, mais sólida. Esteve mais combativa, a picar mais os adversários - principalmente o da AD”, frisa.

Sebastião Bugalho, por outro lado, não tem o que Paulo Ferreira diz ser o “problema” da candidata do PS - não dominar os temas. “Ele domina os temas”, assegura o comentador. Contudo, faltou-lhe “afinar a mensagem”.

“Revelou inconsistência em alguns momentos e uma certa sobranceria no relacionamento com os adversários. Foi pouco claro em matérias como o aborto. Teve um momento desastroso no último debate, que correu muito mal e em que se confrontou com a própria moderadora e prejudicou-se”, garante Anabela Neves, referindo-se ao momento em que os candidatos foram questionados pela jornalista Sara Pinto sobre se, em caso de necessidade, irão pressionar para alargar o prazo de execução do PRR no Parlamento Europeu.

Sebastião Bugalho não gostou da pergunta e respondeu: "Eu tenho muita confiança na capacidade de execução deste Governo, mas não vim para aqui debater assuntos governamentais ou nacionais, vim para aqui debater assuntos europeus. Se podermos falar, de facto, daquilo que nós realmente vamos poder falar, acho que era mais útil para os portugueses".

A comentadora Anabela Neves acrescenta que Sebastião Bugalho “teve dificuldades em despir um certo fato com que convive há vários anos: o de comentador”.

Inês Serra Lopes não concorda e garante: “O Sebastião é muito bom a debater”. A comentadora da CNN Portugal não consegue, no entanto, avançar um nome para o fim do pódio. O cabeça de lista da CDU podia ser aquele que mais facilmente apontaria, mas admite “simpatizar com a posição solitária pela paz”: “Até o João Oliveira, que teve uma posição a favor do desarmamento que me agrada, porque é o único que fala contra a normalidade. O normal é todos dizer ‘Não não, nós não vamos deixar a Europa desarmada contra a Rússia’”. 

E é precisamente aqui onde para Paulo Ferreira está o problema. O comentador lembra que João Oliveira é “um político experiente”, mas acrescenta: “O problema não é da prestação, é de se meter num caminho difícil em relação ao euro e à Rússia com a guerra na Ucrânia”.

"Há um ambiente de preparação para a guerra e é agora que o povo tem de se levantar para interromper esse caminho, porque esse caminho não serve a ninguém. A melhor ajuda que se pode dar à Ucrânia é trabalhar para a paz e não se trabalha para a paz enviando armas", defendeu o candidato da CDU, num debate em que defrontou Marta Temido (PS), Sebastião Bugalho (AD) e António Tânger Corrêa (Chega).

Já os cabeças de lista do PAN, Pedro Fidalgo Marques, e do Livre, Francisco Paupério, “cumpriram” o seu papel. “Sendo novos nestas funções e exposições públicas não tinha expectativas, mas cumpriram - melhor o Francisco Paupério, que foi uma surpresa agradável”, diz Paulo Ferreira, reconhecendo que, mesmo assim, os dois estão “ainda longe dos outros” adversários.

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