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Cadeias de abastecimento afetadas, subida dos preços da energia e inflação: zona euro deve preparar-se para longa instabilidade

Agência Lusa , MJC
9 mar, 19:49
O Ministro das Finanças grego e Presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, toca o sino durante uma reunião dos Ministros das Finanças do Eurogrupo em Bruxelas, Bélgica (EPA)

O aviso foi feito pelo presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis

O presidente do Eurogrupo alertou hoje que a zona euro se deve “preparar para longa instabilidade”, que pode afetar cadeias de abastecimento e pressionar os preços da energia e a inflação, pelo conflito no Médio Oriente.

“A economia europeia tem capacidade e resiliência para absorver choques temporários, mas, ao mesmo tempo, devemos estar preparados para um período mais prolongado de instabilidade, com possíveis perturbações no transporte marítimo, aumentos nos preços da energia e implicações para a inflação”, disse Kyriakos Pierrakakis, em conferência de imprensa após a reunião dos ministros das Finanças da zona euro, em Bruxelas.

O Eurogrupo – reunido hoje pela primeira vez em Bruxelas desde o início da guerra iniciada por Israel e por Estados Unidos contra o Irão e marcada pela resposta iraniana – analisou os impactos económicos do conflito, ao nível energético e inflacionista.

No final do encontro, o presidente do fórum informal dos ministros garantiu aos jornalistas que o organismo está “a acompanhar de perto as reações dos mercados aos desenvolvimentos no Médio Oriente, que dominam atualmente as manchetes internacionais”.

“O ano de 2025 foi positivo para a economia europeia, com um crescimento superior ao esperado, apoiado pela estabilização da procura interna, mercados de trabalho robustos e condições de financiamento favoráveis. Hoje, contudo, encontramo-nos num ambiente bastante diferente”, reconheceu Kyriakos Pierrakakis.

Teme-se na Europa que se volte à situação de crise energética de 2022, após a invasão russa da Ucrânia, já que o espaço comunitário depende fortemente das importações provenientes de mercados globais, muitos dos quais estão direta ou indiretamente ligados ao Médio Oriente.

Qualquer escalada militar que afete a produção ou o transporte de energia - especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial - tende a gerar choques nos mercados energéticos internacionais e a elevar os preços.

“A energia está no centro da nossa atenção, [pois] a instabilidade no Médio Oriente e os acontecimentos globais lembram-nos de quão vulneráveis são os mercados energéticos e de como as nossas economias podem continuar expostas a choques externos”, observou o presidente do Eurogrupo.

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