Paulo Rangel diz que PSD "não tem um problema de identidade" e (ainda) não revela se avança novamente

3 fev, 10:46

Eurodeputado, que não assume se vai ou não tentar ser o sucessor de Rio, diz que partido não deve rever "o posicionamento no espectro político", no centro-direita, defendendo que o futuro passa antes por uma nova "prestação política" e pela "renovação"

Paulo Rangel defende que a derrota do PSD deve ser usada para "uma reflexão e um debate profundos" dentro do partido, que precisa de “arregaçar as mangas” e “pôr mãos à obra”.

Num artigo publicado no jornal Público, o eurodeputado escreve que o partido "não tem um problema de identidade", que "não deve rever o seu posicionamento político", que situa no centro-direita, defendendo que o futuro passa antes por uma nova "prestação política" e pela "renovação".

No dia em que se reúne a comissão política do partido para analisar o resultado das legislativas de domingo, o ex-candidato à liderança do PSD diz que a derrota não deve apenas ter tomada “pelo seu valor facial”, exigindo uma reflexão profunda e mudanças, dizendo ainda que o PSD "foi sempre um partido capaz de agregar o espaço que vai do centro-esquerda até à direita moderada".

No entanto, relembra, as eleições legislativas de domingo resultaram numa “alteração substancial da paisagem político-partidária” e o partido tem “novos desafios e novos reptos”, exigindo uma reflexão e um debate profundos.

O eurodeputado escreve ainda que “uma deriva que ignore esta matriz de centro-direita e que hostilize a direita moderada está em contradição com o código genético e com a história do partido” e que para vencer futuras eleições o PSD tem de ser capaz de “conquistar o centro político (ao qual pertence naturalmente)” e para obter maiorias absolutas “terá de chegar a franjas do centro-esquerda”.

Defende, por isso, que os grandes reptos do partido não são as questões da identidade ideológica e do posicionamento político-partidário, mas estão do lado da prestação política e da renovação do partido.

Defesa dos debates quinzenais

Paulo Rangel diz que o primeiro desafio do PSD "é liderar a oposição de um modo visível, afirmativo, construtivo” até porque, em contexto de maioria absoluta, "é um imperativo democrático".

“Olhando para a inovação da IL, para a agressividade do Chega ou para o regresso da oposição da esquerda radical, vai ser uma tarefa muitíssimo exigente”.

Já quanto aos debates quinzenais, Rangel discorda do presidente do PSD. Esta quarta-feira, depois da audiência com o Presidente da República, Rui Rio manteve-se contra a realização de debates quinzenais. O social-democrata concorda que será imperativo um "maior escrutínio e fiscalização", mas rejeita o "espetáculo parlamentar para abrir telejornais". “Para fazer espetáculo, não contam comigo”, reiterou.

Uma opinião com a qual Paulo Rangel não concorda. O ex-candidato à liderança defende que o PSD deve apostar no regresso dos debates quinzenais, “que asseguram a presença do escrutínio parlamentar no espaço público”.

Rangel diz ainda que o PSD deve mobilizar as gerações jovens e reganhar a confiança das gerações mais séniores. Para conseguir "ganhar massa crítica" nesses "dois nichos geracionais", o eurodeputado defende que são necessários novos rostos e uma aposta na comunicação da era digital.

Quem se segue?

Ninguém assumiu ainda a candidatura, mas várias fontes dão conta de movimentações e contactos entre os apoiantes de Luís Montenegro (que se tem mantido em silêncio). Internamente, a ordem é de que ainda não é o momento para falar.

Miguel Pinto Luz, que remeteu para depois da comissão política do partido qualquer declaração sobre uma eventual candidatura, também estará, ao que a CNN apurou, a fazer as suas contas, e Jorge Moreira da Silva está igualmente a fazer a sua reflexão. Paulo Rangel também não é dado como excluído, embora "esteja diminuído" depois da derrota de há dois meses.

No artigo de hoje no Público, Rangel não dá luzes de uma aposta na candidatura depois do desaire do último congresso, apesar de dizer que o partido tem como desafio a sua "renovação".

"A capacidade de recrutamento de novos quadros, capazes de representar a sociedade actual e de fazer a ligação ao tecido humano e social, é condição essencial para a afirmação de um projecto político moderno, atraente, potencialmente vencedor", escreve.

No entanto, Miguel Pinheiro, comentador CNN, considera que o artigo de opinião de Paulo Rangel é um "manifesto de candidatura" à liderança do partido.

"Paulo Rangel, que parecia ter posto completamente de parte a hipótese de se candidatar novamente ao fim de tão pouco tempo, se calhar passa-se ali qualquer coisa. Vamos ter de esperar mais algum tempo para perceber que tipo de movimentações é que estão a existir", afirmou esta manhã, no "Novo Dia" da CNN Portugal.

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