Vítor Baía recorda penálti contra a Turquia: «Foi o meu momento no Euro 2000»

22 jun, 10:33
Vítor Baía no Euro 1996 (Stewart Kendall/Allstar/Getty)

Antigo guarda-redes rebobina a 1996 e 2000 para recordar as campanhas da «geração de ouro». Quanto a 2004, Baía não esquece a opção de Scolari

Em conversa com Rio Ferdinand – anfitrião do programa «Inside the Box» durante o Euro 2024 – Vítor Baía recordou a partida com a Turquia, nos «quartos» do Euro 2000. Para princípio de conversa, o antigo defesa recupera a expressão «geração de ouro» e convida Baía a explicar a pressão sentida pelo grupo.

«Recebemos essa denominação porque conquistámos dois Mundiais, em 1989 e 1991, pelo que o país tinha muitas expectativas quanto à nossa geração. O Euro de ’96 foi a nossa primeira grande competição. Também criamos muitas expectativas e estávamos no princípio da carreira», recorda o antigo guarda-redes.

No verão de 1996, em Inglaterra, Portugal empatou com a Dinamarca – campeã em título – venceu a Turquia, por 1-0, e a Croácia, por 0-3. Por isso, a Seleção Nacional terminou no topo do Grupo D, com sete pontos, mais um face à Croácia.

Nesse Europeu, sob comando de António Oliveira, Baía capitaneou a Seleção até aos quartos de final, até à derrota com a Chéquia (0-1).

«Naquele grupo, eu tinha mais internacionalizações. Mas, quanto a técnica, o Figo e o Rui Costa estavam num patamar superior. Além disso, também eram líderes», detalha.

Contudo, o bom momento luso terminou às mãos da Chéquia e no chapéu de Karel Poborsky.

«Foi um choque. Foi difícil recuperar a confiança depois daquela partida, porque as expectativas eram elevadas e acreditávamos que conseguiríamos algo especial. O Poborsky teve sorte nos ressaltos, mas a finalização foi fantástica», sublinha.

No caminho para a final, a Chéquia eliminou a França, nos penáltis. Todavia, o sonho terminou no prolongamento da partida decisiva, ante a Alemanha (2-1).

«O momento» de Baía com a Turquia

Num torneio disputado entre Países Baixos e Bélgica, Vítor Baía reconhece que o grupo convocado por Humberto Coelho era mais «experiente», face às carreiras nos clubes. Num grupo composto por Alemanha, Roménia e Inglaterra – para muitos o «grupo da morte» – Portugal começou por «remontar» os ingleses (3-2).

«Começámos muito mal, a perder por 2-0. Acreditei que se tratava de um pesadelo. Depois, o golo do Figo muda o rumo da partida. Sabíamos que o Figo seria chave neste torneio. Ainda assim, o João Vieira Pinto esteve bem, e o Nuno Gomes fez um ótimo Europeu», analisa.

Seguiram-se os triunfos ante Roménia, por 1-0, e Alemanha, por 3-0. Nos «quartos», a Seleção Nacional reencontrou a Turquia. Depois de Nuno Gomes inaugurar o marcador, de cabeça, assistido por Figo, aos 44 minutos, a seleção turca beneficiou de um penálti, somente um minuto mais tarde.

 

«Senti-me incrível por defender o penálti [batido por Arif Erdem], é um momento importante. Saíamos para o intervalo a vencer. Foi o meu momento neste Europeu. Bateu o penálti quase para o meio e aguentei a posição. Em Portugal ainda me recordam deste momento…e na Turquia também [risos]», descreve o antigo guarda-redes, de 54 anos.

 

Quanto aos líderes de balneário, Baía elenca vários: Rui Costa, Figo, Costinha e Paulo Sousa. Nas meias-finais, Portugal mediu forças com a França.

«Eram incríveis, sobretudo com Zidane e Henry. Jogámos muito bem, o Nuno Gomes inaugurou o marcador e o Henry empatou. Tivemos muitas oportunidades, mas, depois, aconteceu aquele momento do Abel Xavier, já no prolongamento. Os árbitros fizeram o trabalho deles. No penálti, o Zidane manteve-se concentrado. Fiz o trabalho de casa, mas não tive hipótese. Foi o golo de ouro, o jogo acabou. Não merecíamos perder assim», lamenta.

Para Vítor Baía, a «geração dourada» apenas terminou em 2004, quando Figo e Rui Costa disputaram o Europeu, em Portugal. Ainda que tenha conquistado a Liga dos Campeões pelo FC Porto, Scolari deixou o guarda-redes fora da convocatória.

«Ninguém compreende. Foi um choque para o país, fui o melhor guarda-redes na Europa. Um ou dois dias depois de ganharmos a Liga dos Campeões, soube que não ia disputar o Europeu. Por isso, antecipei o fim da minha carreira pela Seleção», comenta.

Vítor Baía recupera, para fechar, as memórias do verão de 2016, quando Portugal conquistou o Europeu em França.

«Foi incrível. Estava a fazer comentários televisivos e saltei, gritei. Sentimos que estava ali o vingar da nossa geração», remata.

Vítor Baía acumulou 80 internacionalizações e foi o primeiro da história a atingir as 75, em agosto de 2000. A última competição foi o Mundial de 2002, na Coreia do Sul e Japão.

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