O euro está quase igual ao dólar. O que é que isto muda na sua vida?

7 jul, 08:00

Nesta fase, o euro está a valer cerca de 1,02 dólares. Os especialistas acreditam que a paridade entre as duas moedas será uma questão de dias, o mais tardar em agosto. Há boas e más notícias neste cenário, onde a Europa fica mais apetecível para os norte-americanos. Mas o custo dos combustíveis, por exemplo, poderá aumentar ainda mais

A parte má

Importações: Tudo o que é importado em dólares fica mais caro, incluindo os combustíveis. Ou seja, a desvalorização do euro deverá tornar ainda mais pesada a fatura dos combustíveis para as famílias, já que os barris de petróleo – a partir do qual se produz o gasóleo e a gasolina – são negociados em dólares. Com o euro fraco, a perda do poder de compra poderá também sentir-se na conta do supermercado: o trigo, a partir do qual se produz a farinha usada no pão, é uma das matérias-primas que tem o dólar como referência na negociação. Más notícias também para as empresas europeias que precisam de comprar energia, matérias-primas e componentes em dólares – com o euro a deixar de valer mais que o dólar, será preciso gastar mais para comprar o mesmo.

Viajar: Houve um tempo em que, para os europeus, viajar para os Estados Unidos da América significava compras. Com o euro a valer mais do que o dólar, havia margem para, durante as férias, comprar produtos que, de outra forma, ficariam bem mais caros no país de origem. Agora, um turista europeu que queira viajar para Nova Iorque ou Washington praticamente não tem essa vantagem. Com a paridade esperada entre as duas moedas, tornar-se-á muito mais caro viajar para fora da Europa, face a um poder de compra diminuído.

A parte boa

Exportações: A desvalorização do euro poderá tornar mais atrativas as exportações dos países europeus. Isto porque, com o euro a tornar-se uma moeda fraca, um comprador externo (americano, por exemplo) gastará um valor menor para comprar matéria-prima a partir dos seus dólares – os produtos tornam-se, assim, mais baratos. Além das exportações, também o investimento em imobiliário poderá sair a ganhar com esta nova realidade: um investidor, que tenha as suas poupanças em dólares, conseguirá comprar o mesmo imóvel sem gastar tanto, tirando vantagem do efeito cambial.

Turismo: Se para os turistas europeus se torna mais caro viajar para países que tenham o dólar como moeda, o mesmo não se pode dizer, por exemplo, dos turistas americanos que querem vir conhecer o Velho Continente. Com a desvalorização do euro face ao dólar, estes turistas lidam agora com preços de alimentação ou hotelaria como não viam há duas décadas. Portugal é um dos países que poderá beneficiar desta tendência: nos últimos anos tem recebido uma forte procura de turistas norte-americanos que, apesar de já considerarem o país barato e serem das nacionalidades que mais gastam, poderão sentir-me ainda mais à vontade para gastar, porque os dólares que vão converter em euros vão permitir compras maiores.

As causas

Política Monetária: Um dos fatores que explica esta situação de valorização do dólar é a subida da inflação, a que se alia a forma como os bancos centrais têm respondido à mesma. A Reserva Federal norte-americana (Fed) tem sido mais rápida e agressiva a subir as taxas de juro de referência do que o Banco Central Europeu, que programou a primeira subida apenas para julho. Os investidores encontram então maior retorno na moeda norte-americana, investindo do outro lado do Atlântico.

Instabilidade: Além da política monetária da Fed, há outros motivos para que os investidores se refugiem no dólar: a economia norte-americana, consideram, está menos exposta a um conjunto de fenómenos como a guerra na Ucrânia, as sanções à Rússia ou os confinamentos na China.

Receios de recessão: Há cada vez mais receios em torno do abrandamento económico do bloco europeu, temendo-se mesmo uma possível recessão. Por exemplo, os investidores consideram que a economia da zona euro está muito mais suscetível ao aumento dos preços da energia do que a economia norte-americana, devido às consequências da guerra na Ucrânia. Um dos sinais desse receio está no facto de a Alemanha ter reportado um défice comercial mensal, sinal de que os preços da energia estão a pesar sobre as empresas da maior potência exportadora da Europa.

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