Máximo respeito deu nulo
Portugal empatou com a França sem golos esta quinta-feira no segundo jogo do Europeu de Sub-17 que está a decorrer na Albânia e, agora, fica a depender de si próprio para chegar às meias-finais, podendo garantir a qualificação até com um empate no último jogo diante da Alemanha. Esta tarde, a equipa de Bino voltou a realizar uma exibição muito sólida e até podia ter reclamado a vitória na ponta final do jogo.
Um embate entre duas seleções que venceram os respetivos jogos na ronda inaugural e que sabiam que um novo triunfo as deixava com um pé nas meias-finais. Num torneio curto, com apenas dois grupos de quatro equipas, o segundo jogo pode ser determinante e, por isso mesmo, as duas seleções entraram com muitas cautelas e, acima de tudo, com máximo respeito pelo adversário.
Além das contas do grupo, a França já tinha demonstrado o seu poder letal, no triunfo sobre a Alemanha (3-0), em que abriu o marcador logo no primeiro minuto. No entanto, desta vez, foi Portugal que entrou melhor no jogo, desde logo, com uma elevada posse de bola. A equipa de Bino, com um onze fresco em termos físicos, com seis alterações em relação ao jogo com a Albânia, assumiu as rédeas do jogo, fazendo a bola rolar a toda a largura do terreno, à procura de uma abertura para chegar à área francesa.
Portugal ensaiou os primeiros ataques, conquistou o primeiro pontapé de canto, mas, ao fim de dez minutos, a França começou a responder na mesma moeda, também com posses de bola prolongadas, obrigando os portugueses a recuar em bloco para a defesa da área de Romário Cunha. Tudo isto em câmara lenta, com as equipas a defenderem à zona, com grande disciplina tática, mas com pouca capacidade para surpreender o adversário, num jogo com um ritmo demasiado baixo.
Portugal ia criando perigo, sobretudo, em lances de bola parada, com o central Mauro Furtado, com um bom pé esquerdo, a assumir a marcação de todos os cantos [cinco na primeira parte] e livres laterais. Num deles, surgiu a melhor oportunidade de Portugal na primeira parte, com José Neto, com um pontapé acrobático, a obrigar o guarda-redes francês a aplicar-se para evitar o primeiro golo.
A verdade é que, nesta altura, a França já tinha equilibrado a contenda, agora com mais posse de bola e a conseguir jogar mais tempo no último terço de Portugal. Os franceses procuravam explorar a velocidade de Azzi e Nguessan, mas encontraram pela frente uma equipa muito disciplina em termos táticos, a controlar todas as entradas para a área de Romário Cunha.
No entanto, já perto do intervalo, a França teve duas oportunidades flagrantes para abrir o marcador. A primeira resulta de um erro tremendo do guarda-redes português que deixou escapar uma bola e permitiu a Nguessan destacar-se sobre a direita. O guarda-redes do Sp. Braga recuperou e acabou por redimir-se, com uma defesa tremenda ao remate do avançado do Saint-Étienne. Logo a seguir, o mesmo Nguessan surgiu destacado sobre a esquerda e obrigou novamente Romário a aplicar-se.
A França chegava ao intervalo claramente por cima do jogo, depois da boa entrada de Portugal, mas a segunda parte viria a ser bem mais entretida.
A França regressou com um bloco mais subido, Portugal encontrou mais espaços e o jogo ganhou, finalmente, velocidade, com as oportunidades a multiplicarem-se nas duas balizas. José Neto ensaiou um remate de fora da área e, logo a seguir, Eymard arrancou uma trivela para nova defesa de Romário. A França tentava assumir as rédeas do jogo, mas era Portugal que criava mais perigo, em rápidas transições.
Por volta da hora de jogo surgiu uma das melhores oportunidades do jogo, com Duarte Cunha a cruzar da direita e Anísio, com tudo para fazer golo junto ao segundo poste, acertou apenas de raspão. Bastava encostar, mas o jogador do Benfica não acertou bem na bola e a oportunidade perdeu-se.
Uma tendência que se foi acentuando, à medida que a França aumentava a pressão, Portugal criava novas oportunidades. Foi assim quase até final e, já em tempo de compensação, Portugal voltou a ficar a centímetros do golo, na sequência de um cruzamento bem medido de João Aragão da direita, mas nem Tomás Soares, nem Gil Neves, os avançados que tinham saltado do banco, conseguiram chegar a tempo do que seria um golo certo.
Se a França acabou a primeira parte por cima do jogo, na segunda parte foram os portugueses que estiveram mais perto de reclamar a vitória. Fica um empate entre duas seleções favoritas à conquista do troféu e que ficam, agora, em posição privilegiada para chegar às meias-finais. A França já está praticamente apurada, uma vez que vai defrontar a anfitriã Albânia que já está eliminada. Portugal, por seu lado, precisa apenas de não perder diante da Alemanha, no próximo domingo, para regressar às meias-finais.