Informado em todas as frentes, sem interrupções?
TORNE-SE PREMIUM

Euro 2024: Espanha-França, 2-1 (crónica)

9 jul 2024, 22:33

Lamine Yamal resgata La Roja para a final

A primeira meia-final do Campeonato da Europa teve duas equipas com fome de vencer.

A Espanha com as ganas que têm feito dela a melhor seleção da prova até agora.

E a França que, depois de empates, vitórias à tangente e uma mão-cheia de exibições pouco convincentes (que chegaram para atingir as meias-finais), cresceu para um patamar mais consentâneo com o de um vice-campeão mundial.

O duelo entre potências futebolísticas do velho continente trouxe, mais do que a novidade de um Mbappé sem máscara, duas equipas sem complexos e mais focadas na baliza adversária do que na defesa da sua. E isso, ilibando nuestros hermanos desse pecado transnacional, não deixa de ser outra novidade neste torneio.

Antes de Kolo Muani ter feito o primeiro golo de França marcado por um jogador francês neste Europeu de bola corrida (dois autogolos e um penálti convertido por Mbappé até esta terça-feira), Fabián Ruiz já tinha ameaçado para a Espanha.

Os franceses lideravam no marcador, mas pareciam estar também acima do adversário no plano estratégico e anímico. Pela insistência explorar o lado mais franco de Espanha, onde estavam os habituais suplentes Jesús Navas e Nacho, opções para os lugares dos castigados Carvajal e Le Normand. Mas também pelo tempo em que os espanhóis tardaram a recompor-se do murro no estômago, infligido quase de imediato após o incrível falhanço do número oito espanhol após ser superiormente servido por Lamine Yamal.

Viu-se essa dificuldade no momento em que Jesús Navas saltou sobre Rabiot quando o médio gaulês se preparava para acionar Mbappé e quando a estrela francesa ficou perto do 2-0 ainda antes do minuto 20.

De um momento para o outro, o jogo transformou-se com um toque de magia de um teenager de 16 anos que já está para a elite como os melhores entre os melhores.

Lamine Yamal dançou sobre Rabiot e disparou de fora da área ao ângulo superior direito de Maignan e voltar a fazer história neste Europeu, tornando-se no mais jovem de sempre a marcar. Indefensável.

O «senhor» golo puxou os franceses das nuvens e fez elevar os espanhóis para a bitola exibicional deste Europeu: aquela que lhes permitiu passar sobre Croácia, Itália, Albânia, Geórgia e Alemanha, numas vezes com mais brilho do que noutras, mas sempre com uma competência inquestionável.

Aquilo que a França teve a possibilidade de fazer (e não fez), Espanha logrou fazê-lo. Ainda as ondas de choque do empate de faziam sentir quando Dani Olmo fez o 2-1: em quatro minutos, a seleção gaulesa sofria mais golos do que nos 480 minutos dos cinco jogos anteriores.

«¡No pasarán!», ousara escrever um reputadíssimo jornal francês na manchete desta terça-feira.

Na segunda parte, os artistas de Espanha foram obrigados a transformarem-se em operários para suster as incursões de Dembélé, pela direita, e de Mbappé, pela esquerda. Depois, foram a jogo Griezmann – pela primeira vez em dez anos, no banco da seleção num jogo de uma fase a eliminar – Barcola, Camavinga e Giroud.

Upamecano ameaçou de cabeça, Theo Hernández e Mbappé de meia-distância, mas La Roja soube defender-se e mostrar que é uma equipa da cabeça aos pés, brilhante com a bola nos pés e competente sem ela.

Com um registo perfeito, Espanha é a primeira seleção a vencer seis jogos num Europeu e está na final.

Segue-se Inglaterra ou Países Baixos. Alguma delas passará?

A FIGURA: Lamine Yamal

Aos 16 anos - completa 17 na véspera da final do Europeu - tem momentos em que parece já saber quase tudo sobre futebol. Acelera quando é preciso e sabe pausar o jogo quando tem de ser, como se dentro dele vivesse o outro Ser. O golaço que tirou a Espanha de um mau momento no jogo com França foi o ponto alto da noite, mas o prodígio do Barcelona esteve em destaque também noutros momentos. Por pouco não serviu Fabián Ruiz para o golo que colocaria a Espanha em vantagem logo nos minutos iniciais e demonstrou ainda utilidade nas tarefas defensivas. Nos minutos finais travou um contra-ataque potencialmente perigoso e viu o cartão amarelo. Notável, como pode ver pelos dados da SofaScore, parceira do Maisfutebol.

O MOMENTO: o monumento que virou o jogo do avesso

O jogo estava aberto, mas a seleção francesa estava por cima e parecia inclusive mais perto de dobrar a vantagem do que de sofrer o golo do empate. Até que, de um momento para o outro, Lamine Yamal encontrou espaço para disparar de fora da área ao ângulo para o golo do empate que tirou a Espanha de um momento difícil e lançou-a para uma remontada que completou escassos minutos depois.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Euro 2024

Mais Euro 2024