Este é o mundo de Gjasula e nós apenas estamos a viver nele

19 jun, 16:43
Klaus Gjasula (Photo by RONNY HARTMANN/AFP via Getty Images)

CROÁCIA 2-2 ALBÂNIA || Os albaneses foram do céu ao inferno e ao céu novamente. Os croatas foram do inferno ao céu e de volta para o inferno que é terem de chegar ao último jogo obrigados a ganhar, ainda por cima frente à atual campeã europeia

Fiquei colado à televisão: o melhor do jogo

Foi o melhor jogo do Euro 2024 até agora, ponho as mãos no fogo por isso. Ambas as equipas quiseram ganhar e fizeram tudo por isso. Os croatas mais dominadores, como seria de esperar, e os albaneses mais pragmáticos e à espera do contra-ataque. Foram 35 remates e mais de 100 ataques. Quem comprou bilhete ou viu na televisão deve estar muito satisfeito com o que presenciou. Exceto os croatas, que complicaram maciçamente as suas contas do apuramento e agora estão obrigados a ganhar à Itália. Fiquei bastante feliz pela festa albanesa no final. Não é todos os dias que se encosta o medalhado de bronze do último Mundial às cordas.

Estamos cada vez mais perto do fim: o pior do jogo

Após toda a emoção, lembrei-me de um facto que me deixou imediatamente triste: podemos estar a apenas 90 minutos de ver o fim da carreira internacional de Luka Modric. Vamos certamente sentir falta dos seus pezinhos benzidos pelos deuses do futebol, que raramente o deixaram desiludido. Toda a minha vida eu vi Modric jogar, desde o Mundial de 2006 até agora. O fim é inevitável, mas não deixa de ser um momento de melancolia.

O colapso albanês: a surpresa do jogo

Admito que ver a Albânia jogar assim é uma surpresa, mas depois de a ver jogar assim aqueles três minutos em que sofreu dois golos são uma surpresa ainda maior. A equipa das águias estava muito confortável no jogo, a consentir a posse de bola para a Croácia e à espera de uma perda de bola para lançar o contra-ataque. Poderiam, inclusive, ter feito o 0-2; num contra-ataque estavam três albaneses para três croatas. Seferi conduziu a bola até à entrada da área. Tendo um colega solto no lado direito, optou pelo remate, que saiu fraco e rasteiro para as mãos de Livakovic. Na jogada seguinte, a Croácia empatou. Vá lá que sacaram o empate, que acaba por ser merecido.

A redenção: o momento do jogo

Não estranhe o título deste artigo, o mundo em que vivemos é mesmo o de Klaus Gjasula. Foi o protagonista da realidade durante os últimos 20 minutos, toda a gente à sua volta era figurante. Teve muito azar com o autogolo, uma vez que foi um ressalto que enviou a bola para a sua baliza, mas acabou por redimir-se ao marcar o golo do empate. Foi um jogador que espalhou o caos em campo. Eu gosto de caos no campo.

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