Bem-vindo de volta, Shaquiri, mas "Alba gu bràth"

20 jun, 00:24
Escócia (getty)

ESCÓCIA 1-1 SUÍÇA || A Escócia mostrou que está disposta a "perder a vida mas nunca a liberdade [de sonhar com os oitavos]". E reencontrámos o velho amigo Shaquiri

A garra escocesa: o melhor

Mais uma vez, foram 90 minutos sem parar, sempre a cantar, sempre a saltar e a festejar cada canto ou corte como de um golo se tratasse. Se na maioria das circunstâncias a teoria de que os adeptos são o 12.º jogador parece não ser nada mais do que um clichê, no caso escocês é uma verdade absoluta e inegável, uma redundância é certo, mas nunca é de mais enaltecer a postura desta bancada azul e branca que nunca se senta mesmo depois de ter levado cinco da Alemanha na ronda inaugural. Não acredita no que leu? Meta um phones, ouça o vídeo abaixo e vai ver como nunca ouviu uma bancada cantar um hino nacional assim. 

O resultado desta noite em Colónia do apoio escocês foi evidente. A garra saltou das bancadas para o relvado e a humilde Escócia agigantou-se perante uma Suíça claramente favorita. O jogo acabou com os suíços encostados à área, entre bolas ao poste e cortes providenciais de Akanji. Não sei o que se passou no balneário escocês, mas é de imaginar que Steve Clarke encarnou e declamou o famoso discurso de Mel Gibson no Braveheart: "Podem tirar-nos a vida mas nunca nos tirarão a liberdade”, gritou Clarke aos ouvidos do capitão Robertson e depois, em uníssono, todos gritaram "Alba gu bràth" repetidamente, a frase gaélica escocesa usada para expressar lealdade à Escócia e que pode ser traduzida como "Escócia para sempre".

Muito obrigado, Shaquiri: a surpresa

Na primeira jornada do Grupo A, Shaquiri não foi titular nem sequer entrou em jogo. Parecia que o fim da era Shaquiri/Xhaka era iminente e inevitável, mas não. 

Shaquiri voltou a ser titular, voltou a ser fulcral e voltou a marcar um golaço de levantar o estádio. Um mau alívio do lateral escocês Anthony Ralston deixou a bola a pingar ainda fora da área, até que Shaquiri surge em velocidade e sem pedir licença. Foi mesmo dali, de primeira e só parou no fundo das redes de Gunn. Neste trajeto, passou por aqueles onde a barra e o poste esquerda se unem e por onde sabe realmente bem ver a bola passar. 

A jogar na MLS desde 2022, atualmente no Chicago Fire, seriam muitos os que achavam que tínhamos perdido o mágico suíço para aquilo a que eles chamam soccer, mas não e é por isso que esta foi a surpresa de Colónia. A magnífica surpresa de Colónia. Ainda assim, Arda Güler continua a ser o detentor do melhor golo do torneio até ao momento.

O cabeceamento de Hanley ao poste e o golo anulado a Embolo: os momentos do jogo

Escócia e Suíça empataram, mas a história poderia ter sido bem diferente. Perto do minuto 70, o defesa central escocês Grant Hanley cabeceou ao poste. O movimento foi perfeito, o livre de Robertson parecia teleguiado, mas Hanley falhou a mira por escassos centímetros. Ainda havia tempo até aos 90 e a Suíça podia ter voltado a empatar, mas é inegável que o jogo teria entrado por um rumo diferente.

Do outro lado, Embolo foi demasiado rápido, ultrapassou tudo e todos, fez golo, mas acabou apanhado na armadilha do fora de jogo. Lance aconteceu ao minuto 83 e o mais provável é que o avançado tivesse matado o jogo, levando os três pontos para Berna. Este foi aliás o segundo golo anulado à Suíça por fora de jogo, na primeira parte Ruben Vargas também foi apanhado em posição irregular após testar as redes escocesas.

Akanji a festejar o corte que salva o empate suíço: o menos bom do jogo

Manuel Akanji é um defesa incrível que todos os clubes do mundo gostariam ter. Atualmente representa o Man. City de Rúben Dias, Bernardo Silva e Matheus Nunes, está avaliado em 45 milhões de euros e esta noite festejou cortes frente à Escócia para manter um empate. 

O corte foi de facto magnífico e providencial para a Suíça, o festejo fez sentido e é por isso que não é "o pior" do jogo, mas sim o "menos bom". Com nomes como Akanji, Shaquiri, Xhaka, Ruben Vargas ou Embolo, não era expectável que a Suíça passasse por tantas dificuldades frente à modesta Escócia e acabasse encostada à sua própria área em aflição.

Ilações a tirar de Colónia? Devemos agradecer a Shaquiri, porque aquilo que fez foi de facto de ver e rever e é sempre aprazível reencontrar um velho amigo. Depois é necessário desmistificar-se o paradigma escocês: são capazes de fazer muito mais do que era esperado e têm um espírito inquebrável, pode ser o "Alba gu bràth" ou pode ser mera sorte de principiante, afinal o Mel Gibson também acaba executado em praça pública no fim do Braveheart.

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