As simulações de Rafael Leão: o pior do Turquia 0-3 Portugal

23 jun, 03:55
Rafael Leão

Há um grupo na nossa playlist do Euro que se chama “We Were Promised Jetpacks”, prometeram-nos mochilas a jato, o nome significa que falhamos quase sempre naquilo que prevemos que seja o futuro, não temos as mochilas a jato que há 50 anos diziam que teríamos, somos maus em futurismos, mais depressa veem o futuro os artistas do que os cientistas, foi por isso que a empresa belga Scabal, que fabrica fatos de luxo em Mangualde, em 1971 pediu a Salvador Dali que imaginasse a roupa que esta nossa espécie haveria de usar no ano 2000 – são essas aguarelas que estão na exposição no Museu Grão Vasco com os títulos que citei abundantemente nas notas aos jogadores. Pois bem, prometeram-nos que Rafael Leão seria a nossa mochila a jato do futuro, prometeram-nos que ele estaria presente na seleção nacional na Alemanha, mas ainda não o vimos por lá, o seu paradeiro é desconhecido e é preciso salvá-lo para recambiar esta sombra que hoje voltou a tentar fazer natação artística e se atirou para o chão como se tivesse cinco anos ou estivéssemos em 1987, os árbitros vissem mal, não houvesse um milhão de câmaras e as regras fossem complacentes. Quando o sol lhe bate nos olhos e ele os franze, Roberto Martínez ajaponesa o olhar e fica igualzinho ao Krillin, a personagem do Dragon Ball que dava um grito imenso, e imagino que Martínez tenha franzido os olhos no balneário e se tenha mesmo transformado no Krillin, imagino que ele tenha dado um grito gutural de fazer abalar sismógrafos, imagino que tenha inventado o vocabulário que lhe falta em português para dizer coisas que não se podem escrever, imagino que as orelhas do Rafael Leão estejam vermelhas dos insultos e esticadas dos puxões, imagino que lhe tenham dito que apanhar um cartão amarelo num jogo por simulação de falta é parvo mas apanhar dois cartões amarelos em dois jogos por simulação de faltas é imbecil, o que eu não imagino, mas não imagino mesmo, é onde está o Rafael Leão, esse trovão lancinante que rasga defesas com a alegria dos benditos parece agora a personagem de  “A Mulher de Cabelo Ruivo” de Orhman Pamuk que, empoleirado “numa laranja colossal suspensa no espaço” do brilho das estrelas se pergunta por que razão em vez de alcançar o brilho das estrelas resolveu cavar no chão em que dorme. Não precisamos de heróis, não é isso, herói foi o Aristides Sousa Mendes que aliás foi quem deu visto ao Salvador Dalí para ir para os Estados Unidos com a mulher, Gala era russa e precisava de sair da Europa, heróis são esses, mas pá, Leão, assim não vai dar, gostamos muito de ti mas não sabemos onde andas, vê lá se apareces, também há futuros sem ti mas não são tão bonitos.

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VEJA AQUI AQUI AS NOTAS AOS JOGADORES NO TURQUIA 0-3 PORTUGAL, O MELHOR DO JOGO, O MOMENTO DO JOGO E A SUPRESA DO JOGO 

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