Prestação da casa volta a subir em setembro. Mas ciclo de subidas está perto do fim

31 ago, 07:00
Banco Central Europeu (AP Photo)
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A prestação da casa cujos contratos sejam revistos em setembro vai voltar a aumentar. Banco Central Europeu deve voltar a subir taxas de juro em setembro, mas ciclo de subidas está perto do fim. Confira o seu caso

Os detentores de contratos de crédito à habitação cuja revisão ocorra em setembro vão sentir uma nova subida da prestação a pagar ao banco, podendo esse aumento ultrapassar os 88 euros.

A tendência de subida nos encargos com a casa já se faz sentir há vários meses e resulta da política de subida de taxas de juro seguida pelo Banco Central Europeu (BCE) para controlar as pressões inflacionistas na zona euro, pressões estas que decorrem dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão e que, por sua vez, levaram ao fecho do estreito de Ormuz e à subida dos preços do petróleo.

Mas as notícias negativas poderão terminar já nos próximos meses uma vez que as expetativas que existem são de que a instituição com sede em Frankfurt, na Alemanha, apenas deverá subir as taxas de juro mais uma vez, precisamente na reunião do próximo dia 10.

O BCE, recorde-se, subiu juros na reunião de junho, passando a sua principal taxa de referência, a taxa de depósitos, de 2% para 2,25%. Agora, em setembro, deverá voltar a subir as taxas em mais um quarto de ponto percentual, colocando a taxa de depósitos nos 2,5%.

Segundo a agência Reuters, que cita três fontes da instituição liderada por Christine Lagarde, os responsáveis do BCE deverão aumentar as taxas de juro em 0,25 pontos percentuais na próxima reunião, mas já não deverão ser sinalizadas novas subidas de taxas.

Ainda assim, um fator determinante para que se confirme, ou não, esta decisão, será a publicação dos dados de inflação referentes a agosto, cuja divulgação será feita esta terça-feira, pelo Eurostat, o órgão estatístico da União Europeia. A taxa de inflação na zona euro era de 1,7% em janeiro, tendo atingido um pico de 3,2% em maio, registando em julho 2,9%, ainda acima do referencial de 2% que o BCE considera ser de estabilidade dos preços. Igualmente determinantes para a decisão do BCE serão as próprias projeções económicas atualizadas dos especialistas do banco central, que serão apresentadas na reunião de 9 e 10 de setembro.

E apesar de os mercados apostarem que o BCE ainda poderá subir taxas duas vezes até ao final do ano, uma sondagem da Reuters de meados de agosto, mostra resultados quase unânimes de que a subida de taxas de juro terá um fim depois da subida de setembro.

Uma maioria de 83% dos inquiridos, 57 de 69, na sondagem realizada entre 10 e 13 de agosto, esperava que o BCE ⁠aumentasse a sua taxa de depósito em um quarto de ponto, para 2,50% em setembro. Mas segundo a mesma sondagem, cerca de 80% dos economistas esperavam que a taxa de depósito terminasse este ano nos 2,50%, ou seja, sem mais aumentos depois da subida de setembro, enquanto 63% afirmaram que a taxa de depósitos se manteria nesse nível, pelo menos até ao terceiro trimestre do próximo ano.

Se se concretizar esta previsão, o ciclo de aperto monetário será o mais curto do BCE desde 2011, quando subiu as taxas duas vezes em resposta a um choque nos preços da energia.

Independentemente do que vier a acontecer na reunião de dia 10, as taxas Euribor já anteciparam uma subida das taxas por parte do BCE e, em agosto, voltaram a subir em relação a julho.

 

Mas mais importante ainda do que esta subida mensal é que tanto a média mensal da Euribor 3 meses, como a Euribor 6 meses como a Euribor 12 meses aumentaram substancialmente em relação à taxa praticada, respetivamente, há três, seis e 12 meses antes. E é desta evolução que resulta a subida na prestação a pagar ao banco que se vai fazer sentir em setembro.

Dando como exemplo a Euribor 6 meses, o indexante mais utilizado em Portugal, a subida da prestação deverá atingir os 59,65 euros, se se considerar um empréstimo de 200 mil euros a 30 anos, com um spread (margem do banco) de 1%. Para o mesmo tipo de empréstimo, mas usando como indexante a Euribor 12 meses, a subida será de 88,65 euros e usando a Euribor 3 meses, a subida será de 29,82 euros.

Confira o seu caso:

Quanto já aumentou e como vai evoluir em setembro a prestação da casa

Empréstimo a 30 anos com spread de 1% || Valores de agosto até dia 28

 

EURIBOR 3 MESES

  Empréstimo de 50 mil euros
Data Pagava (€) Variação (€)
Set/24 254,76  
Dez/24 239,00 -15,76
Mar/25 225,49 -13,51
Jun/25 213,65 -11,83
Set/25 211,91 -1,74
Dez/25 212,44 0,54
Mar/26 211,66 -0,79
Jun/26 217,17 5,51
set/26 224,63 7,46

 

  Empréstimo de 100 mil euros
Data Pagava (€) Variação (€)
Set/24 509,52  
Dez/24 478,00 -31,52
Mar/25 450,97 -27,03
Jun/25 427,30 -23,67
Set/25 423,81 -3,49
Dez/25 424,89 1,08
Mar/26 423,31 -1,58
Jun/26 434,34 11,03
Set/26 449,25 14,91

 

  Empréstimo de 150 mil euros
Data Pagava (€) Variação (€)
Set/24 764,28  
Dez/24 717,00 -47,28
Mar/25 676,46 -40,54
Jun/25 640,95 -35,50
Set/25 635,72 -5,23
Dez/25 637,33 1,62
Mar/26 634,97 -2,37
Jun/26 651,51 16,54
Set/26 673,88 22,37

 

  Empréstimo de 200 mil euros
Data Pagava (€) Variação (€)
Set/24 1 019,04  
Dez/24 956,00 -63,04
Mar/25 901,94 -54,06
Jun/25 854,60 -47,34
Set/25 847,62 -6,98
Dez/25 849,78 2,15
Mar/26 846,62 -3,16
Jun/26 868,68 22,06
Set/26 898,50 29,82

 

EURIBOR 6 MESES

  Empréstimo de 50 mil euros
Data Pagava (€) Variação (€)
Set/24 251,12  
Mar/25 223,73 -27,38
Set/25 213,68 -10,05
Mar/26 215,23 1,54
Set/26 230,14 14,91

 

  Empréstimo de 100 mil euros
Data Pagava (€) Variação (€)
Set/24 502,23  
Mar/25 447,47 -54,77
Set/25 427,36 -20,10
Mar/26 430,45 3,09
Set/26 460,28 29,83

 

  Empréstimo de 150 mil euros
Data Pagava (€) Variação (€)
Set/24 753,35  
Mar/25 671,20 -82,15
Set/25 641,04 -30,16
Mar/26 645,68 4,63
Set/26 690,42 44,74

 

  Empréstimo de 200 mil euros
Data Pagava (€) Variação (€)
Set/24 1 004,47  
Mar/25 894,93 -109,53
Set/25 854,73 -40,21
Mar/26 860,90 6,18
Set/26 920,56 59,65

 

EURIBOR 12 MESES

 

  Empréstimo de 50 mil euros
Data Pagava (€) Variação (€)
Set/24 243,52  
Set/25 214,62 -28,90
Set/26 236,79 22,16

 

  Empréstimo de 100 mil euros
Data Pagava (€) Variação (€)
Set/24 487,04  
Set/25 429,25 -57,79
Set/26 473,57 44,33

 

  Empréstimo de 150 mil euros
Data Pagava (€) Variação (€)
Set/24 730,56  
Set/25 643,87 -86,69
Set/26 710,36 66,49

 

  Empréstimo de 200 mil euros
Data Pagava (€) Variação (€)
Set/24 974,08  
Set/25 858,49 -115,59
Set/26 947,14 88,65

 

NOTA 1 | Como foram feitos os cálculos

Os cálculos partem do princípio de que há três anos o capital em dívida era de 50, 100, 150 ou 200 mil euros, consoante o exemplo, e que o prazo de pagamento era de 30 anos, com um spread (margem do banco) de 1%. A partir desse ponto, a cada revisão do contrato, aplica-se a taxa de juro correspondente e diminui o montante em dívida e o prazo de pagamento do crédito.

NOTA 2 | O que são as taxas Euribor

Euribor é a abreviatura de Euro Interbank Offered Rate. As taxas Euribor baseiam-se nas taxas de juro que um conjunto de bancos europeus está disposto a pagar para emprestar dinheiro uns aos outros. No cálculo, os 15% mais altos e mais baixos de todas as cotações recolhidas são eliminados. As restantes taxas são calculadas como média e arredondadas a três casas decimais. O valor das taxas Euribor é determinado e publicado diariamente. Existem cinco taxas Euribor diferentes, todas com diferentes maturidades (uma semana, um mês, três meses, seis meses e 12 meses).

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