EUA temem que operação turca na Síria coloque em risco luta contra o Estado Islâmico

Agência Lusa , FMC
1 jun, 21:26
Familiares de soldados do Estado Islâmico na Síria (AP)

A Turquia anunciou a semana passada que iria iniciar uma operação no norte da Síria para combater milícias curdas. Os EUA têm uma aliança armada com um grupo liderada por curdos

Os Estados Unidos exprimiram esta quarta-feira preocupação com o lançamento de uma operação militar turca na Síria contra milícias curdas, considerando que a intervenção coloca em risco a luta contra o grupo terrorista Estado Islâmico (EI).

“Continuamos a lutar efetivamente, em conjunto com os nossos parceiros, para derrotar o EI dentro da Síria e não queremos ver nada que prejudique esses esforços”, referiu o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, durante uma conferência de imprensa conjunta com o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg.

O chefe da diplomacia norte-americana enfatizou que os EUA “se opõem a qualquer escalada [do conflito] na Síria”.

As Forças Democráticas Sírias (FSD), uma aliança armada liderada pelos curdos e apoiada pelos EUA, participam nas operações contra o EI.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou na semana passada uma nova operação militar no norte da Síria, para combater as milícias curdas e solicitou o apoio da NATO.

Erdogan não referiu datas específicas ou mais detalhes sobre a futura operação, embora num discurso este domingo, tenha sustentado que esta ofensiva pode acontecer "qualquer noite, de surpresa".

O objetivo dos turcos é estabelecer uma "zona de segurança de 30 quilómetros" na fronteira com a Síria para combater as Unidades de Proteção do Povo (YPG), as milícias curdo-sírias que Ancara considera apenas um ramo local do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerada uma entidade terrorista também pela União Europeia e pelos Estados Unidos.

De resto, o chefe de Estado turco estabeleceu como uma das condições para permitir a adesão da Suécia e Finlândia à NATO, que a Aliança Militar e os países nórdicos apoiem as suas “operações antiterroristas” contra os curdos.

Na conferência de imprensa com o secretário de Estado norte-americano, Jens Stoltenberg garantiu que vai convocar uma reunião em Bruxelas nos próximos dias, com altos funcionários da Suécia, Finlândia e Turquia, para resolver o veto de Ancara à entrada dos nórdicos na NATO.

Quer a Suécia, quer a Finlândia, insistem que tratam o PKK como uma organização ilegal, mas o governo turco considera que os países nórdicos não estendem essa classificação às YPG.

Ancara anunciou um veto aos pedidos de adesão à NATO, acusando os dois países nórdicos de abrigarem ou apoiarem militares curdos e outros que considera serem uma ameaça à sua segurança.

Outra das exigências por parte da Turquia é o levantamento do embargo de armas por parte dos dois países nórdicos.

Historicamente não-alinhados, Suécia e Finlândia há vários anos que colaboravam com a NATO, mas a invasão russa da Ucrânia levou os governos dos dois países a repensarem o seu posicionamento face à Aliança Atlântica.

Os 30 membros da Aliança Atlântica têm de estar de acordo para permitir novas entradas.

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