EUA voltaram a bombardear o Iémen, 53 pessoas morreram. Houthis vão retaliar e falam em "crime de guerra"

17 mar 2025, 12:46
Fumo após ataque israelita a aeroporto de Saná, no Iémen (AP)

Escalada de violência: Houthis respondem com ameaças a navios norte-americanos no Mar Vermelho

É a maior ofensiva militar dos EUA no Médio Oriente desde que Trump assumiu a presidência, em janeiro. Esta segunda-feira, os norte-americanos realizaram uma nova série de ataques aéreos no Iémen, segundo o relato da televisão Al Masirah, controlada pelos houthis. 

O objetivo das operações é responder às ameaças do movimento houthi (pró-Irão) contra a navegação internacional. Os houthis têm intensificado os ataques a embarcações comerciais no Mar Vermelho, uma situação que afeta diretamente o comércio global. 

A nova vaga de bombardeamentos dos EUA atingiu, entre outros locais, a cidade portuária de Hodeidah e a província de Al Jawf, a norte da capital Sanaa, revelou a Al Masirah. Ainda segundo esta televisão iemenita, morreram pelo menos 53 pessoas. Uma informação entretanto confirmada por Anees Alsbahi, porta-voz do Ministério da Saúde do Iémen. 

Entre as vítimas mortais estão cinco crianças e duas mulheres e há ainda 98 pessoas feridas. 

O movimento houthi, que tem dominado a maior parte do Iémen na última década, tem atacado repetidamente embarcações desde novembro de 2023, o que resultou numa crescente preocupação internacional sobre a segurança das rotas comerciais. Para mitigar essa ameaça, os EUA têm mobilizado um número significativo de recursos para interceptar mísseis e drones.

Os ataques desta segunda-feira acontecem num contexto de crescente pressão da Casa Branca sobre o Irão. Washington tenta levar Teerão a negociar o atual programa nuclear, intensificando também as sanções impostas ao país.

O líder do movimento houthi, Abdul Malik al-Houthi, reagiu aos ataques norte-americanos, que descreveu como sendo um “crime de guerra”, e prometeu que atacaria, em resposta, os navios dos EUA presentes no Mar Vermelho. "Se os EUA continuarem com a agressão, nós vamos continuar a escalada", declarou.

De Moscovo, um aliado dos houthis, já veio entretanto um apelo para que esta ofensiva americana cessasse no Iémen.

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