Negacionismo climático: aliada de Trump diz que as cheias no Texas são “falsas”

6 jul 2025, 17:55
Kandiss Taylor, do movimento MAGA, é apoiante do Presidente Trump

Kandiss Taylor, candidata ao Congresso pelos republicanos na Geórgia, voltou a recorrer às redes sociais para negar a realidade. Em plena tragédia no Texas, onde as cheias já fizeram 59 mortos, entre os quais 21 crianças, Taylor partilha teorias da conspiração e acusa os media de "esquerda" de “deturparem” as suas palavras

Enquanto as equipas de salvamento continuam a procurar desaparecidos no centro do Texas, e o balanço de vítimas mortais já chegou aos 59 — incluindo 21 crianças —, uma candidata ao Congresso norte-americano aproveita a catástrofe para semear desinformação.

Kandiss Taylor, que concorre às eleições legislativas de 2026 na Geórgia com o selo MAGA (Make America Great Again) de Donald Trump, publicou no X (ex-Twitter) uma série de mensagens onde sugere que as cheias foram encenadas. “Tempo falso. Furacões falsos. Cheias falsas. Falso. Falso. Falso.”, escreveu.

Numa publicação seguinte, reforçou: “Isto não é só ‘alterações climáticas’. É ‘cloud seeding’ ["semeadura de nuvens", uma técnica de modificação artificial do tempo], geoengenharia e manipulação. Se o tempo falso causa tragédias reais, isso é homicídio.”

As declarações provocaram uma onda de críticas nas redes sociais. Muitos utilizadores acusaram Taylor de oportunismo e negacionismo climático. Confrontada com as reacções, tentou recuar: “Não estava a falar do Texas com esta publicação”, afirmou. “A comunicação social de esquerda distorceu o que eu disse para parecer que me referia à situação no Texas.”

Taylor justificou as publicações com base numa proposta legislativa apresentada por Marjorie Taylor Greene — também ela congressista republicana, de tendência conspiracionista — que pretende proibir “a injecção, libertação ou dispersão de substâncias químicas na atmosfera com o objectivo expresso de alterar o clima”.

Cheias fazem 59 mortos no Texas. Trump declara estado de desastre

No terreno, a realidade não é negável. As chuvas torrenciais que desde sexta-feira atingem o centro do Texas causaram cheias súbitas, devastando várias comunidades, sobretudo no condado de Kerr. As autoridades locais confirmaram que entre os mortos estão pelo menos 21 crianças, e dezenas de pessoas continuam desaparecidas.

Este domingo, o Presidente Donald Trump declarou o estado de desastre para o condado, com o objectivo de acelerar o envio de meios federais para apoiar os socorros. “Estas famílias estão a viver uma tragédia inimaginável, com muitas vidas perdidas e muitas ainda por localizar”, escreveu o Presidente nas redes sociais. O decreto permite canalizar recursos logísticos e financeiros para os municípios afectados.

A previsão meteorológica mantém-se instável até terça-feira, com possibilidade de chuva intermitente, embora se espere um alívio gradual na segunda metade da semana.

MAGA, teorias da conspiração e o paralelo português

O movimento MAGA, promovido por Donald Trump, nasceu como um slogan de campanha mas evoluiu para uma identidade política própria — assente num discurso populista, na desconfiança face às instituições e na promoção activa de teorias da conspiração.

A recusa das alterações climáticas, a desinformação sobre vacinas ou a negação dos resultados eleitorais são pilares recorrentes deste universo.

Em Portugal, o movimento que mais se aproxima do MAGA é o Chega. Também aqui, o partido liderado por André Ventura baseia grande parte da sua força política numa retórica anti-sistema, na descredibilização sistemática dos media e da ciência, e na mobilização emocional de sectores descontentes da população.

A comunicação directa, o uso intensivo das redes sociais e a circulação de informação sem verificação são elementos partilhados por ambos os projectos — separados por um oceano, mas unidos na forma como instrumentalizam a verdade.

E.U.A.

Mais E.U.A.