Obama: "O nosso país está paralisado, não pelo medo, mas por um lóbi de armas e um partido político"

25 mai, 03:33
Barack Obama (AP Images)

Barack Obama, que tentou sem sucesso alterar as leis que regulam o acesso e posse de armas nos EUA, acusou o lóbi das armas e o Partido Republicano pela paralisia do país. "Não demonstraram qualquer vontade de agir de forma a ajudar a evitar estas tragédias", acusa Obama

O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama reagiu a mais um massacre com armas numa escola - desta vez, no Texas - com palavras muito duras contra o lóbi das armas e "um partido político" que estão a paralisar o país, impedindo a alteração das leis sobre posse de armas. Sem o nomear, Obama apontou o dedo ao Partido Republicano, cujos congressistas têm bloqueado todas as tentativas de impor maiores controlos no acesso dos cidadãos americanos a armas de fogo.

"Quase dez anos após Sandy Hook- e dez dias após Buffalo - o nosso país está paralisado, não pelo medo, mas por um lóbi de armas e um partido político que não demonstraram qualquer vontade de agir de forma a ajudar a evitar estas tragédias", disse Obama numa declaração escrita. Sandy Hook, no estado do Connecticut, foi o local onde aconteceu, em dezembro de 2012, aquele que é ainda hoje o massacre mais mortífero alguma vez ocorrido numa escola primária nos EUA, e um dos tiroteios em massa mais graves na história do país. A referência a Buffalo, cidade do estado de Nova Iorque, tem a ver com o massacre de dia 14, quando um supremacista branco matou dez pessoas num supermercado de um bairro de população maioritariamente afrodescendente.

Obama era presidente, e Joe Biden vice-presidente, quando ocorreu o massacre de Sandy Hook. Em reação a esse acontecimento, que vitimou 28 pessoas (20 crianças e oito adultos), a Administração Obama propôs alterações legais impondo algumas restrições no acesso e posse de armas de fogo - incluindo uma verificação mais cuidada dos antecedentes de quem quer comprar armas. Mas essas propostas acabaram por ser chumbadas, sobretudo graças à oposição do Partido Republicano e à enorme pressão pública do lóbi de fabricantes de armas.

Donald Trump e as principais figuras do Partido Republicano são fortes apoiantes da National Rifle Association, a principal organização pró-armas no país, que apresenta a liberdade de porte e uso de armas de fogo como direito essencial do "modo de vida americano", protegido pela Constituição. Mas o lóbi pró-armas não se limita ao Partido Republicano. Entre os democratas também há opositores a restrições ao acesso a armas. Na semana passada, diversos congressistas da maioria democrata defenderam uma alteração das leis, após o massacre de Buffalo, mas o senador Joe Manchin, um democrata sui generis que tem alinhado várias vezes com as teses conservadoras dos republicanos sobre diversos assuntos, opôs-se.

"Michelle e eu lamentamos com as famílias em Uvalde, que estão a sofrer uma dor que ninguém deveria ter de suportar. Também estamos zangados por eles", escreveu Obama. "Já passou muito tempo para a ação, qualquer tipo de ação. E é outra tragédia - mais silenciosa mas não menos trágica - para as famílias terem de esperar outro dia. Que Deus abençoe a memória das vítimas e, nas palavras da Escritura, cure os corações destroçados e cure as suas feridas".

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