Irão tem vindo a intensificar a sua retórica contra os EUA ao longo da última semana, alertando que qualquer ataque teria como resposta uma força capaz de desestabilizar todo o Médio Oriente
O grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln já chegou ao Oceano Índico, estando agora em estado de prontidão para ajudar em quaisquer potenciais operações dos EUA contra o Irão, adiantam duas fontes à CNN.
O grupo está dentro da área de responsabilidade do Comando Central dos EUA, cuja jurisdição inclui operações militares no Médio Oriente.
Ainda assim, o porta-aviões não está necessariamente em posição definitiva para qualquer potencial operação. O presidente Donald Trump continua a considerar opções para atacar o Irão, mas não há indicação de que tenha sido tomada qualquer decisão nesse sentido.
Um grupo de ataque de porta-aviões inclui normalmente um porta-aviões, cruzadores de mísseis guiados, navios de guerra antiaéreos e contratorpedeiros ou fragatas antissubmarinas.
A CNN já tinha noticiado que o porta-aviões estava a caminho da região.
Os aliados têm pressionado os EUA para evitar qualquer ação militar.
No Irão, continua a subir o número de mortos resultante da repressão governamental contra os manifestantes. No domingo, a agência de notícias norte-americana Human Rights Activists News Agency (HRANA) informou que 5.520 manifestantes foram mortos desde o início dos protestos, no final do mês passado. Segundo a agência, outras 17.091 mortes ainda estavam a ser apuradas.
Donald Trump exigiu ao Irão o fim do assassínio de manifestantes, ameaçando intervir no país caso tal se verifique. Na semana passada, no entanto, o presidente norte-americano adiantou que o Irão "quer conversar", sugerindo que os EUA podem iniciar negociações com Teerão.
Na segunda-feira, a Casa Branca reiterou que está aberta a conversações com o regime iraniano, desde que "saibam quais são os termos", segundo um responsável norte-americano.
“Estamos disponíveis para negociar, como se costuma dizer, por isso, se quiserem entrar em contacto connosco e souberem quais são os termos, falaremos”, adiantou o responsável.
Entretanto, a República Islâmica prepara-se para um possível ataque dos EUA. Em Teerão, foi inaugurado no domingo um grande mural na Praça da Revolução, ilustrando um enxame de caças a sobrevoar um navio de guerra com a bandeira americana.
Durante as orações de sexta-feira na capital, o imã que liderou o sermão alertou os EUA contra o lançamento de quaisquer ataques.
“O trilião de dólares que investiram na região está sob a vigilância dos nossos mísseis”, advertiu Mohammad Ali Akbari.
O Irão tem vindo a intensificar a sua retórica contra os EUA ao longo da última semana, alertando que qualquer ataque teria como resposta uma força capaz de desestabilizar todo o Médio Oriente.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baghaei, assumiu na segunda-feira que Teerão é “mais do que capaz” de responder a qualquer agressão dos EUA com uma resposta “lamentável”.
“A chegada de um ou mais navios de guerra não afeta a determinação defensiva do Irão”, frisou. “As nossas forças armadas estão a monitorizar cada movimento e não perdem um único segundo para melhorar as suas capacidades.”
No sábado, os militares iranianos indicaram que as capacidades e eficiência dos seus mísseis aumentaram significativamente desde a guerra de 12 dias com Israel, em junho. O Irão lançou múltiplas vagas de ataques com mísseis e drones contra alvos israelitas durante este conflito, que começou após um ataque surpresa de Israel contra o Irão no ano passado, que matou vários comandantes militares de alto nível e cientistas nucleares. Os Estados Unidos juntaram-se posteriormente, atingindo importantes instalações nucleares iranianas.
O Irão possui um grande arsenal de mísseis balísticos de médio e longo alcance, tendo disparado vários desses mísseis contra Israel durante o conflito. Os seus drones, um pilar do seu poderio militar, foram também utilizados além das suas fronteiras, incluindo na invasão russa da Ucrânia.
O major-general Ali Abdollahi, comandante do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irão, um importante comando operacional militar, alertou na semana passada que qualquer agressão contra o seu país "transformará imediatamente todos os interesses, bases e centros de influência americanos em alvos legítimos, definidos e acessíveis" para o Irão.
As autoridades iranianas avisaram ainda que um eventual ataque norte-americano seria retaliado com uma vaga de ataques contra os aliados dos EUA na região. As nações árabes aliadas dos EUA no Golfo Pérsico têm vindo a pressionar Donald Trump a amenizar as ameaças, segundo responsáveis regionais que falaram com a CNN este mês.
O Irão possui também uma rede de grupos armados regionais que poderiam ser mobilizados em caso de ataque. Embora alguns destes grupos, como o Hezbollah, tenham sido significativamente enfraquecidos por Israel nos últimos dois anos, outros continuam fortemente armados.
No domingo, Abu Hussein al-Hamidawi, comandante do Kataeb Hezbollah, uma milícia pró-Irão no Iraque, apelou aos apoiantes do Irão "em todo o mundo” para se prepararem para “uma guerra total em apoio da República Islâmica do Irão".
"Dizemos aos inimigos: a guerra contra a República Islâmica não será um passeio no parque", declarou.
Nadeen Ebrahim e Jennifer Hansler, da CNN, contribuíram para esta reportagem.