Maior avião de transporte da Força Aérea dos EUA aterra nas Lajes. Desde 2003 que não havia tantos militares norte-americanos na Europa

20 fev, 15:46
O Lockheed C-5M Super Galaxy da Força Aérea dos EUA chega ao Aeroporto Jose Aponte de la Torre em Roosevelt Roads com tropas no teto em 12 de setembro de 2025 em Ceiba, Porto Rico. (Foto de Kendall Torres Cortes/Anadolu via Getty Images)

Portugal, Espanha, Itália ou Grécia. Os EUA concentram por esta altura meios militares por vários pontos da Europa, mas não só. Um ataque contra o Irão pode estar iminente

O Lockheed C-5M Super Galaxy, a maior aeronave de transporte estratégico da Força Aérea dos EUA, aterrou esta sexta-feira de manhã na Base das Lajes, nos Açores, apurou a CNN Portugal. Trata-se do principal avião de transporte pesado norte-americano, numa altura em que Washington tem reforçado os meios nesta região estratégica, assim como em vários pontos da Europa.

A presença do C-5M surge depois de, na quarta-feira, a base da ilha Terceira ter registado um movimento invulgar de aeronaves militares norte-americanas. Durante a tarde desse dia estiveram estacionados 11 reabastecedores KC-46 Pegasus, 12 caças F-16 Viper e um cargueiro C-17 Globemaster III. No mesmo período, vários caças levantaram voo e regressaram à base.

Vários aviões de abastecimento e caças da força aérea americana estacionados na Base Aérea das Lajes, nos Açores, a 18 de fevereiro de 2026. ANTÓNIO ARAÚJO/LUSA

Mas não é só nos Açores que movimentações fora do vulgar têm ocorrido. Nas últimas 24 horas, vários especialistas ouvidos pela BBC têm acompanhado uma concentração significativa de meios, incluindo o avistamento do porta-aviões USS Gerald R. Ford perto de Marrocos.

Dados da plataforma Flightradar24 indicam ainda a criação de pontos de reabastecimento desde Rota, no sul de Espanha, até à ilha de Creta, na Grécia, apoiando operações de caças e outras aeronaves, numa altura em que Washington continua a deixar ultimatos a Teerão, para que ambos alcancem um acordo. Seis aviões-tanque KC-135 Stratotanker foram também localizados em terra na Estação Naval de Rota e outros sete na base de Souda Bay, em Creta.

Enquanto isso, na manhã de quinta-feira, pelo menos seis aeronaves militares dos EUA eram visíveis nos sistemas de rastreamento: dois cargueiros C-17, um KC-135 e dois HC-130 Combat King II e dois aviões de vigilância E-3. Estes últimos foram destacados da Europa para o Médio Oriente, enquanto aeronaves de transporte seguiam em direção ao Mediterrâneo oriental. Dois HC-130J voaram de Nápoles para a base aérea de al-Udeid, no Catar.

“Está realmente difícil acompanhar movimentos desta escala e intensidade”, referiram especialistas da Italmilradar, que monitorizam movimentações militares no Mediterrâneo.

Paralelamente, e já fora da Europa, a Força Aérea dos EUA deslocou dezenas de caças e aeronaves de apoio para bases na Jordânia e na Arábia Saudita, incluindo F-35, F-15, F-16, E-3 AWACS e E-11 BACCN. No plano naval, a Marinha mantém 13 navios no Médio Oriente e no leste do Mediterrâneo, entre eles o porta-aviões USS Abraham Lincoln e nove navios contratorpedeiros com capacidade de defesa contra mísseis balísticos. Um segundo grupo, liderado pelo USS Gerald R. Ford, está igualmente a caminho.

Grupo de Ataque do Porta-Aviões USS Abraham Lincoln, no Mar Arábico, a 6 de fevereiro. Foto cedida pelo especialista em comunicação social de 1.ª classe Jesse Monford/Marinha dos EUA via Getty Images

Maior mobilização desde a Guerra do Iraque

De acordo com o Wall Street Journal, este é o maior aumento da presença aérea norte-americana na região desde 2003, ano da invasão do Iraque. Nessa operação, a Força Aérea dos EUA posicionou 863 aeronaves no Médio Oriente. Em 1991, durante a Operação Tempestade no Deserto, foram mobilizadas cerca de 1.300 aeronaves norte-americanas.

“É uma mobilização comparável à que observámos pouco antes da guerra do Iraque”, afirmou Becca Wasser, do Center for a New American Security, destacando o peso do poder aéreo envolvido neste momento, ao Financial Times. Apesar das diferenças face a 2003, a Força Aérea é hoje menor e não existem forças terrestres destacadas, ainda que a capacidade tecnológica tenha evoluido.

E.U.A.

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