Portugal, Espanha, Itália ou Grécia. Os EUA concentram por esta altura meios militares por vários pontos da Europa, mas não só. Um ataque contra o Irão pode estar iminente
O Lockheed C-5M Super Galaxy, a maior aeronave de transporte estratégico da Força Aérea dos EUA, aterrou esta sexta-feira de manhã na Base das Lajes, nos Açores, apurou a CNN Portugal. Trata-se do principal avião de transporte pesado norte-americano, numa altura em que Washington tem reforçado os meios nesta região estratégica, assim como em vários pontos da Europa.
A presença do C-5M surge depois de, na quarta-feira, a base da ilha Terceira ter registado um movimento invulgar de aeronaves militares norte-americanas. Durante a tarde desse dia estiveram estacionados 11 reabastecedores KC-46 Pegasus, 12 caças F-16 Viper e um cargueiro C-17 Globemaster III. No mesmo período, vários caças levantaram voo e regressaram à base.
Mas não é só nos Açores que movimentações fora do vulgar têm ocorrido. Nas últimas 24 horas, vários especialistas ouvidos pela BBC têm acompanhado uma concentração significativa de meios, incluindo o avistamento do porta-aviões USS Gerald R. Ford perto de Marrocos.
Dados da plataforma Flightradar24 indicam ainda a criação de pontos de reabastecimento desde Rota, no sul de Espanha, até à ilha de Creta, na Grécia, apoiando operações de caças e outras aeronaves, numa altura em que Washington continua a deixar ultimatos a Teerão, para que ambos alcancem um acordo. Seis aviões-tanque KC-135 Stratotanker foram também localizados em terra na Estação Naval de Rota e outros sete na base de Souda Bay, em Creta.
Enquanto isso, na manhã de quinta-feira, pelo menos seis aeronaves militares dos EUA eram visíveis nos sistemas de rastreamento: dois cargueiros C-17, um KC-135 e dois HC-130 Combat King II e dois aviões de vigilância E-3. Estes últimos foram destacados da Europa para o Médio Oriente, enquanto aeronaves de transporte seguiam em direção ao Mediterrâneo oriental. Dois HC-130J voaram de Nápoles para a base aérea de al-Udeid, no Catar.
“Está realmente difícil acompanhar movimentos desta escala e intensidade”, referiram especialistas da Italmilradar, que monitorizam movimentações militares no Mediterrâneo.
Paralelamente, e já fora da Europa, a Força Aérea dos EUA deslocou dezenas de caças e aeronaves de apoio para bases na Jordânia e na Arábia Saudita, incluindo F-35, F-15, F-16, E-3 AWACS e E-11 BACCN. No plano naval, a Marinha mantém 13 navios no Médio Oriente e no leste do Mediterrâneo, entre eles o porta-aviões USS Abraham Lincoln e nove navios contratorpedeiros com capacidade de defesa contra mísseis balísticos. Um segundo grupo, liderado pelo USS Gerald R. Ford, está igualmente a caminho.
Maior mobilização desde a Guerra do Iraque
De acordo com o Wall Street Journal, este é o maior aumento da presença aérea norte-americana na região desde 2003, ano da invasão do Iraque. Nessa operação, a Força Aérea dos EUA posicionou 863 aeronaves no Médio Oriente. Em 1991, durante a Operação Tempestade no Deserto, foram mobilizadas cerca de 1.300 aeronaves norte-americanas.
“É uma mobilização comparável à que observámos pouco antes da guerra do Iraque”, afirmou Becca Wasser, do Center for a New American Security, destacando o peso do poder aéreo envolvido neste momento, ao Financial Times. Apesar das diferenças face a 2003, a Força Aérea é hoje menor e não existem forças terrestres destacadas, ainda que a capacidade tecnológica tenha evoluido.