"Comparável ao que vimos antes da guerra do Iraque": EUA mobilizam número impressionante de meios para cercar o Irão

20 fev, 12:23
Aviões americanos na Base Aérea das Lajes nos Açores. ANTÓNIO ARAÚJO/LUSA

Dos porta-aviões USS aos sistemas de defesa antiaérea Patriot, vários são os meios militares que os EUA estão a colocar no terreno para um possível ataque ao Irão, que pode estar para breve

Os Estados Unidos reforçaram de forma significativa a sua presença militar no Médio Oriente nas últimas semanas, num contexto de crescente pressão de Donald Trump sobre o Irão para que chegue a um acordo sobre o seu programa nuclear no prazo “máximo” de 15 dias.

De acordo com antigos funcionários do Pentágono e especialistas em segurança nacional ouvidos pelo Financial Times, a dimensão e a rapidez do reforço norte-americano permitem sustentar uma campanha aérea durante várias semanas, aumentando a probabilidade de um eventual ataque.

“É uma mobilização comparável à que observámos pouco antes da guerra do Iraque”, afirmou Becca Wasser, especialista em estratégia militar do Center for a New American Security, destacando "o peso do poder aéreo envolvido". Também Dana Stroul, antiga secretária adjunta da Defesa para o Médio Oriente, considerou que as atuais medidas são “claramente superiores” ao recente reforço militar nas Caraíbas, que serviu para a inédita operação que terminou na captura de Nicolás Maduro e da sua mulher em plena Venezuela. Na perspetiva da especialista, trata-se de um aumento “extraordinariamente significativo num espaço de tempo muito curto”, o que demonstra a determinação de Trump em alcançar um resultado concreto para a atual crise na região.

As reações surgem depois de, nas últimas semanas, Donald Trump ter admitido que qualquer ação militar teria um impacto “traumático”, superando os ataques que ordenou contra três instalações nucleares iranianas em junho de 2025, na altura numa operação que envolveu bombardeiros B-2 em pleno espaço aéreo iraniano. “Ou alcançamos um acordo, ou será uma situação lamentável para eles”, declarou já esta quinta-feira, dando eco político à presença militar que se acumula no Médio Oriente.

Entretanto, e já depois das consecutivas ameaças do líder presidente norte-americano, dezenas de aeronaves de reabastecimento e transporte cruzaram o Atlântico. Dados da plataforma Flightradar24 indicam que, nos últimos três dias, 39 aviões-tanque foram reposicionados para bases mais próximas de um eventual teatro de operações. No mesmo período, 29 aeronaves de transporte pesado voaram em direção à Europa.

Seis dessas deslocações tiveram origem em Fort Hood, base da 69.ª Brigada de Artilharia Antiaérea, unidade que opera os sistemas Patriot e Thaad, vocacionados para a defesa contra mísseis e aeronaves. Um dos aviões enviados a partir de Fort Hood aterrou na Jordânia.

De resto, a presença norte-americana na Europa faz-se também nos Açores, já que tem sido visível o aumento da presença de aeronaves de reabastecimento, transporte e de ataque. Em paralelo, há também um aglomerar de aviões em países como Alemanha ou no Báltico.

Ainda ao Financial Times, Becca Wasser sublinhou que os Estados Unidos mobilizaram vários “facilitadores essenciais” para uma campanha prolongada de ataques, incluindo aeronaves de alerta e controlo aéreo antecipado. Na sua análise, trata-se de uma preparação “muito séria” que poderá ir além de mera retórica.

Já no plano naval, os EUA mantêm pelo menos uma dúzia de navios na região, entre os quais um porta-aviões e oito navios contratorpedeiros, segundo a Marinha dos EUA, além de três navios de combate adaptados para operações de desminagem. Ao mesmo tempo, o mais recente e maior porta-aviões norte-americano, bem como três destróieres adicionais, seguem para o Médio Oriente, devendo a presença naval ser reforçada nas próximas semanas.

Segundo uma análise do Financial Times a imagens de satélite, o porta-aviões USS Lincoln foi localizado ao largo da costa de Omã, próximo ao Irão. Já um sinal de rastreamento AIS do grupo de ataque do USS Gerald R. Ford foi detetado, na tarde de quarta-feira, ao largo da costa ocidental de África. Ambos os navios transportam milhares de militares e dezenas de aeronaves de combate.

Paralelamente, os Estados Unidos destacaram aviões de combate adicionais e reforçaram as bases na região com sistemas de defesa aérea Thaad e Patriot, consolidando um dispositivo militar cuja dimensão é apontada por vários especialistas como "um sinal claro de prontidão para um eventual confronto". 

"Trata-se de uma mobilização tão grande que quase sugere a necessidade de ataques. Caso contrário, este será um dos bluffs mais caros da história dos EUA", referiu ainda Becca Wasser ao Financial Times.

Ainda segundo o jornal, qualquer ataque de Washington terá inicio quando o porta-aviões Gerald R. Ford chegar ao local.

E se a preparação norte-americana indica uma aglomeração de forças em torno do Médio Oriente, também o Irão está a preparar-se para algo maior. De acordo com a CNN Internacional, imagens de satélite confirmam que há uma preparação para a guerra em Teerão.

Médio Oriente

Mais Médio Oriente