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"Guarda-chuva nuclear": EUA admitem expandir presença nuclear na Europa e já haverá países interessados

2 jun, 06:41
O presidente dos EUA, Donald Trump, recebe na Casa Branca, a 18 de agosto de 2025, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen, o secretário-geral da NATO Mark Rutte e outros líderes europeus. Win McNamee/Getty Images
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A eventual expansão permitiria que mais Estados passassem a receber as chamadas aeronaves de dupla capacidade, conhecidas pela sigla inglesa DCA, capazes de realizar ataques nucleares

Os Estados Unidos estão a discutir a possibilidade de alargar a presença de capacidades nucleares a mais países europeus da NATO, numa iniciativa que procura tranquilizar os aliados numa altura em que Washington reduz parte do seu apoio militar convencional no continente.

De acordo com várias pessoas informadas sobre as conversações ouvidas pelo Financial Times, responsáveis norte-americanos mostraram abertura para considerar novas localizações além dos seis países que atualmente acolhem aeronaves com capacidade para transportar armamento nuclear. As discussões decorrem de forma altamente confidencial e poderão não resultar em alterações concretas ao atual sistema de partilha nuclear da Aliança Atlântica.

A eventual expansão permitiria que mais Estados passassem a receber as chamadas aeronaves de dupla capacidade, conhecidas pela sigla inglesa DCA, capazes de realizar ataques nucleares.

Segundo duas das fontes citadas, a disponibilidade dos EUA para discutir esse cenário pretende demonstrar que o chamado “guarda-chuva nuclear” norte-americano continuará a existir, mesmo que os aliados europeus sejam pressionados a assumir uma maior responsabilidade na defesa convencional.

Entre os países mais interessados estão vários membros da NATO localizados na frente leste da Aliança, incluindo a Polónia e alguns Estados bálticos. Varsóvia tem sido particularmente vocal sobre o tema. O antigo presidente polaco Andrzej Duda chegou a defender publicamente que o programa de partilha nuclear fosse alargado ao território polaco.

Este ano, a Polónia juntou-se também a uma iniciativa francesa destinada a analisar a possibilidade de deslocar temporariamente partes da capacidade de dissuasão nuclear francesa para países aliados europeus.

As conversações continuam a decorrer nos canais internos da NATO e, segundo uma fonte próxima do processo, os aliados mais próximos da fronteira com a Rússia têm sido os que demonstram maior interesse. A invasão russa da Ucrânia e as repetidas referências de Vladimir Putin ao arsenal nuclear do Kremlin terão contribuído para aumentar a procura por garantias adicionais de segurança.

Atualmente, o programa de partilha nuclear da NATO inclui Bélgica, Alemanha, Itália, Países Baixos, Turquia e Reino Unido. Estes países podem receber aeronaves norte-americanas de dupla capacidade e bombas nucleares destacadas para a Europa.

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