No comentário semanal no Jornal Nacional da TVI, Paulo Portas analisou o assassínio de Charlie Kirk, nome proeminente do movimento MAGA
Charlie Kirk, um proeminente nome entre o movimento MAGA, foi assassinado esta semana. No comentário semanal na TVI - do mesmo grupo da CNN Portugal -, este foi um dos temas analisados por Paulo Portas.
O experiente político lembra que com Reagan ou Obama a primeira reação seria tentar travar a "espiral de violência" e unir os EUA em torno nas condolências à morte de uma pessoa de 31 anos. Donald Trump nºao o fez.
Paulo Portas identifica ainda a "coligação diabólica" - das redes-sociais e das armas, num país que tem "mais armas do que americanos" - que tem motivado a sucessão de crimes com índole política nos EUA cujo o resultado foi sempre o mesmo: "Ninguém quis saber".
O que Paulo Portas tem a dizer sobre o assassínio
"Não consigo perceber como é que perante a morte de uma pessoa de 31 anos há manifestações de júbilo ou há manifestações de alegria.
Seja essa pessoa quem for e, no caso, ele tinha muitas ideias com as quais eu não concordo, mas utilizava a palavra, não utilizava a arma. E acho, com toda a fraqueza, que os Estados Unidos perderam o eixo - já não há um módico de respeito e humanidade.
Nós, quando morre alguém, inclina-se, respeita, dá condolências, faz orações... Não fazemos disso uma guerra cultural. E, infelizmente, o que aconteceu a este jovem - bastante importante no movimento MAGA - não é a primeira vez que acontece.
Lembro apenas, para termos a noção das coisas, há cerca de um ano houve um jovem que tentou matar Trump. Quantas armas ele tinha em casa? Dezoito. Ninguém quis saber.
Há uns meses foi morta uma congressista e o seu marido e outros dois salvaram-se por pouco no Minnesota, com espetáculo nas redes, e ninguém quis saber.
Há uns meses, ao governador da Pensilvânia, o senhor Shapiro, - um dos melhores da América -incendiaram-lhe a casa, não morreu por um triz. Ninguém quis saber
Tudo isto com redes sociais e armas. É aqui que eu acho que está a coligação diabólica.
Há uma classe política relativamente medíocre. Ou seja e como escrevia Thomas Friedman esta semana, um presidente como Reagan ou um presidente como Obama chamaria o melhor da América, dos democratas e dos republicanos, dos políticos e dos juízes, dos legisladores, e procuraria unir a nação nas condolências, e tentar evitar que esta espiral de violência continue.
Mas, isso não acontece neste momento e é uma coisa que faz imensa impressão.
Morre um sujeito MAGA e os wokes jubilam. É morto um sujeito identificado com os wokes e os MAGA festejam. Isto é uma loucura.
Não há nenhuma razão para matar uma pessoa por causa das suas ideias.
(...)
Bom, dito isto, queria só juntar a isto duas coisas. Em cada 100 americanos, quantas armas há? 127. Ou seja, há mais armas do que americanos.
E quando se junta o ódio, a intolerância, as redes sociais, a inflação verbal e as armas podem acontecer coisas perigosas", culmina Paulo Portas.
