EUA criam observatório para documentar e divulgar crimes de guerra russos

Agência Lusa , NM
18 mai, 00:18

Governo norte-americano tem sido parte ativa na divulgação deste tipo de situações através da publicação de imagens de satélite

Os Estados Unidos criaram um “observatório”, dotado inicialmente com seis milhões de dólares, para “recolher, analisar e partilhar amplamente as provas de crimes de guerra” cometidos pela Rússia na Ucrânia, divulgou esta terça-feira o Departamento de Estado norte-americano.

Esta iniciativa pretende em particular “preservar informação” pública ou dados de satélites comerciais segundo “padrões internacionais”, para que possam alimentar qualquer procedimento que vise culpabilizar os responsáveis por “atrocidades”, explicou o Departamento de Estado em comunicado.

“Uma plataforma ‘online’ compartilhará a documentação do 'observatório de conflitos' com o público, para ajudar a refutar os esforços de desinformação da Rússia”, salientou o governo liderado por Joe Biden.

Os Estados Unidos já acusaram formalmente a Rússia de crimes de guerra na Ucrânia, particularmente contra civis, e comprometeram-se a trabalhar para responsabilizar os seus perpetradores.

Joe Biden acusou pessoalmente o Presidente russo, Vladimir Putin, de ser um “criminoso de guerra” e um “carniceiro”.

O chefe de Estado norte-americano foi mesmo mais além do que o seu próprio governo ao referir que Moscovo está a cometer um “genocídio” na Ucrânia.

Este programa terá um investimento inicial de seis milhões de dólares (cerca de 5,6 milhões de euros), sendo que o financiamento futuro virá da Iniciativa de Resiliência Democrática Europeia (EDRI).

O ‘observatório de conflitos’ resulta da colaboração da Esri, empresa líder em sistemas de informações geográficas, o Laboratório de Pesquisa Humanitária da Universidade de Yale, a Smithsonian Cultural Rescue Initiative e o PlanetScape Ai.

“O governo dos EUA também contribuiu com imagens comerciais de satélite para estes esforços. Esperamos que outras organizações parceiras internacionais participem à medida que o programa avança. Relatórios e análises estarão disponíveis online através do site ConflictObservatory.org”, referiu ainda o Departamento de Estado.

A guerra na Ucrânia, que esta terça-feira entrou no 83.º dia, causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas de suas casas – cerca de oito milhões de deslocados internos e mais de 6,2 milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Também segundo as Nações Unidas, cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa – justificada por Putin com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.

A ONU confirmou esta terça-feira que 3.752 civis morreram e 4.062 ficaram feridos, sublinhando que os números reais poderão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a cidades cercadas ou a zonas até agora sob intensos combates.

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