Comissão Assalto ao Capitólio coopera com Justiça sobre esquema ilegal para manter Trump no poder

Agência Lusa , FMC
14 jul, 00:40
Donald Trump

Em causa estão alegadas listas de eleitores falsos

A comissão parlamentar norte-americana que investiga o assalto ao Capitólio está a cooperar com o Departamento de Justiça sobre um esquema ilegal para manter Donald Trump no poder, disse esta quarta-feira o líder Bennie Thompson. 

“A única questão em que nos envolvemos com eles é a lista de eleitores fraudulentos”, explicou o congressista aos jornalistas, citado pelo Politico, depois de ter dito na emissão da CNN que a comissão já começou a partilhar informações com o Departamento de Justiça. 

Esta investigação judicial centra-se no plano de enviar 'grandes eleitores' falsos e pró-Trump para a certificação do resultado das eleições no Congresso. Nos Estados Unidos, cada estado tem um número de 'grandes eleitores' definido com base no tamanho da população, e são estes que formalizam a escolha do presidente, de acordo com o sentido de voto dos respetivos cidadãos.

O Departamento de Justiça está, segundo explicou Thompson, particularmente interessado nas transcrições das entrevistas que a comissão parlamentar fez a alguns dos falsos 'grandes eleitores', cujo intuito era mudarem os votos de Joe Biden para Donald Trump a 6 de janeiro de 2021.

Na CNN, o congressista disse que a partilha de transcrições é o tipo de colaboração que a comissão pretende ter com o Departamento.

“Começámos a partilhar informação sobre quem entrevistámos e esse tipo de coisas, de acordo com o que eles pediram”, afirmou. “Estamos no processo, a negociar como essa informação será visualizada”, acrescentou.

Este aspeto será fundamental para os membros da comissão parlamentar, que em abril negou o pedido abrangente do Departamento de Justiça para obter transcrições de mais de mil entrevistas com testemunhas.

“Somos uma comissão legislativa, não somos um braço do Departamento de Justiça”, disse Zoe Lofgren, membro da comissão parlamentar. “Mas certamente não queremos ser um entrave para eles”. 

O esquema sob investigação terá sido criado por Donald Trump em conjunto com um grupo de advogados conservadores, que pressionaram legislaturas estaduais controladas por republicanos a nomearem falsos 'grandes eleitores', que mudariam o sentido de voto das populações dos seus estados, de Biden para Trump. 

Os legisladores republicanos não aceitaram fazê-lo, mas aliados de Trump seguiram com o plano e houve falsos eleitores que assinaram certificados reivindicando serem os eleitores legítimos. A 6 de janeiro, o plano era que o vice-presidente Mike Pence se recusasse a certificar a vitória de Biden citando a existência destes conjuntos de eleitores com votos contraditórios em estados-chave. Mike Pence recusou fazê-lo. 

As declarações de Bennie Thompson chegam numa altura em que a comissão parlamentar já fez sete audiências públicas sobre o assalto ao Capitólio com grande audiência mediática. 

Na audiência de 12 de julho, a vice-presidente da comissão, a republicana Liz Cheney, revelou que uma testemunha recebeu um telefonema de Donald Trump. A testemunha não aceitou a chamada, alertou o seu advogado e este informou a comissão, que passou os dados ao Departamento de Justiça. 

“Penso que, por abundância de cautela, qualquer tentativa de falar com uma testemunha com quem a comissão estivesse em contacto seria preocupante”, afirmou Bennie Thompson, nas declarações aos jornalistas. 

Espera-se que a oitava audiência aconteça na próxima semana. 

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