O secretário da Defesa, Pete Hegseth, ordenou aos militares que preparassem planos para efetuar cortes orçamentais drásticos nos próximos cinco anos, com uma exceção para a segurança das fronteiras, de acordo com um novo memorando obtido pela CNN.
O memorando, datado desta terça-feira, pede aos líderes militares que apresentem uma proposta de cortes orçamentais de 8% por ano durante os próximos cinco anos. As propostas para os cortes maciços no orçamento do Pentágono de aproximadamente 850 mil milhões de dólares devem ser apresentadas até 24 de fevereiro, menos de uma semana depois de Hegseth ter emitido o memorando.
O memorando foi emitido um dia antes de o presidente Donald Trump ter aprovado o plano orçamental da Câmara dos Representantes, que inclui um aumento de 100 mil milhões de dólares nas despesas com a Defesa, o que sugere uma grande desconexão no seio da administração. O próprio Hegseth apelou a um aumento do orçamento da Defesa há uma semana. Durante uma visita a Estugarda, na Alemanha, Hegseth afirmou: “Penso que os EUA precisam de gastar mais do que a administração Biden estava disposta a gastar, que historicamente investiu pouco nas capacidades das nossas forças armadas”.
“Peço que os Departamentos Militares e os Componentes do Departamento de Defesa disponibilizem os recursos e a prontidão necessários para um tempo de guerra e compensem esses requisitos com itens de baixo impacto, como programas de diversidade, equidade e inclusão e de mudanças climáticas desnecessários”, escreveu Hegseth no memorando. O memorando, que foi rotulado de CUI - informação não classificada controlada - foi enviado aos líderes seniores do Pentágono, aos comandantes dos comandos combatentes e às agências de defesa.
O memorando surge no momento em que o Departamento de Eficiência Governamental de Trump e Elon Musk está a iniciar um grande esforço para reduzir o governo federal, cortando despesas e despedindo um número significativo de trabalhadores em todo o país.
O Washington Post foi o primeiro a noticiar o memorando.
“O Departamento de Defesa está a realizar esta revisão para garantir que estamos a fazer o melhor uso dos dólares dos contribuintes de uma forma que cumpra as prioridades de defesa do Presidente Trump de forma eficiente e eficaz”, disse o porta-voz do Pentágono, Robert Salesses.
Apesar do objetivo declarado de Hegseth de “reavivar o espírito guerreiro”, alguns oficiais da Defesa responsáveis pela elaboração de listas de funcionários civis do Pentágono a despedir já esta semana estão a manifestar preocupações de que os despedimentos sumários possam violar a lei e prejudicar a prontidão militar dos EUA.
Os cortes propostos para o orçamento de cerca de 850 mil milhões de dólares do Pentágono ascenderiam a dezenas de milhares de milhões de dólares em cortes no primeiro ano, a maior redução no orçamento do Departamento de Defesa desde a cativação em 2013.
A proposta vai certamente encontrar resistência por parte dos republicanos do Congresso, muitos dos quais apelaram ao aumento do orçamento da Defesa e ridicularizaram a administração Biden por aumentos apenas modestos nas despesas com a Defesa. O senador republicano Roger Wicker, presidente da Comissão de Serviços Armados do Senado, apelou a um aumento gradual das despesas com a defesa para mais de um bilião de dólares por ano.
Os cortes também surgem numa altura em que Trump pede aos aliados da NATO que aumentem a despesa com a defesa para 5% do produto interno bruto (PIB), o que representaria um aumento maciço da despesa para quase todos os países da NATO. (Se os EUA gastassem cinco por cento do seu orçamento na defesa, o orçamento militar ultrapassaria 1,2 biliões de dólares).
