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Jovem cumpriu 16 anos de prisão por crime que não cometeu. Agora vai ficar milionária

17 dez 2024, 13:00
Kirstin Lobato passou 16 anos na prisão (K.M. Cannon/Las Vegas Review-Journal via AP)
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Kirstin Lobato foi detida quando tinha 18 anos, mas garantiu sempre a sua inocência. Por isso o Estado vai agora pagar-lhe 32 milhões de euros

Um júri federal determinou que o Departamento de Polícia Metropolitana de Las Vegas deve indemnizar em 32 milhões de euros uma mulher que foi injustamente condenada por assassínio em 2001, e que esteve presa durante 16 anos, passando grande parte da vida jovem atrás das grades.

O painel concluiu que dois detetives aposentados da polícia de Las Vegas, Thomas Thowsen e James LaRochelle, fabricaram provas durante a investigação. Assim, para além dos milhões que vão ser pagos em compensação, Kirstin Blaise Lobato irá receber também cerca de nove mil euros dos ex-detetives. 

O corpo de Duran Bailey, um sem-abrigo, foi encontrado mutilado perto de um caixote do lixo em julho de 2001. A mulher, que na altura tinha 18 anos, foi interrogada sem a presença de um advogado e posteriormente acusada do seu homicídio.

A polícia disse que Kirstin Blaise Lobato confessou ter matado Duran Bailey durante um interrogatório. No entanto, os seus advogados afirmam que a confissão foi mal interpretada, pois a mulher descreveu um incidente anterior em que usou uma faca para se defender de uma tentativa de agressão sexual.

De acordo com o processo, a jovem tinha um álibi sólido, apoiado por registos telefónicos e testemunhas. Além disso, alegou que nunca conheceu a vítima. 

Inicialmente condenada por homicídio em primeiro grau, a sua sentença foi anulada em 2004 devido a falhas na representação legal. Contudo, num novo julgamento em 2006, a mulher foi novamente condenada, desta vez por homicídio culposo.

Kirstin Blaise Lobato manteve sempre a sua inocência e só em 2017 viu a sua condenação definitivamente anulada pelo Suprema Tribunal do Nevada. Novas evidências forenses, como a análise da ausência de ovos de mosca varejeira no corpo da vítima, demonstraram que a jovem não podia ter cometido o crime, dado que estava na sua cidade natal - a cerca de 214 quilómetros de Las Vegas - no momento do homicídio. 

Em 2018, processou Thowsen, LaRochelle e o Departamento de Polícia Metropolitana de Las Vegas.

Após anos de luta, Kirstin Blaise Lobato finalmente viu ser feita justiça na passada quinta-feira, quando o júri decidiu a seu favor. 

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