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EUA preparam planos militares para atacar defesas do Irão no Estreito de Ormuz se cessar-fogo falhar

CNN , Zachary Cohen
24 abr, 16:03
irao

Embora os militares tenham atingido a Marinha iraniana, grande parte do primeiro mês de bombardeamentos concentrou-se em alvos fora do estreito, permitindo às forças dos EUA atacar mais profundamente o território iraniano. Os novos planos preveem uma campanha de bombardeamentos muito mais concentrada nas vias marítimas estratégicas

(Foto acima: Forças dos EUA patrulham o Mar Arábico junto ao M/V Touska, a 20 de abril, depois de a embarcação com bandeira iraniana ter tentado atravessar o bloqueio naval norte-americano. US Navy)

Responsáveis militares norte-americanos estão a desenvolver planos para atacar as capacidades do Irão no Estreito de Ormuz, caso o atual cessar-fogo entre os dois países colapse, segundo várias fontes com conhecimento do processo.

As opções, entre vários conjuntos de alvos em análise, incluem ataques com especial foco no chamado “dynamic targeting” [seleção dinâmica de alvos] das capacidades iranianas na zona do Estreito de Ormuz, no sul do Golfo Arábico e no Golfo de Omã, indicam as mesmas fontes. Em causa estão potenciais ataques contra pequenas embarcações rápidas de ataque, navios de colocação de minas e outros meios assimétricos que têm permitido a Teerão fechar de forma eficaz estas vias marítimas estratégicas e usá-las como instrumento de pressão sobre os Estados Unidos.

O bloqueio tem provocado fortes repercussões na economia global, ameaçando comprometer os esforços do presidente Donald Trump para reduzir a inflação nos EUA, e mantém-se apesar do cessar-fogo que suspendeu os ataques norte-americanos iniciados a 7 de abril.

Embora os militares tenham atingido a Marinha iraniana, grande parte do primeiro mês de bombardeamentos concentrou-se em alvos fora do estreito, permitindo às forças dos EUA atacar mais profundamente o território iraniano. Os novos planos preveem uma campanha de bombardeamentos muito mais concentrada nas vias marítimas estratégicas.

A CNN já tinha noticiado que uma grande parte dos mísseis de defesa costeira do país permanece intacta. O Irão dispõe também de numerosas pequenas embarcações que podem ser usadas como plataformas de ataque a navios, complicando os esforços dos EUA para reabrir o estreito.

Ataques militares na zona do estreito, por si só, dificilmente reabrirão de imediato a via marítima, disseram à CNN várias fontes, incluindo um corretor sénior do setor do transporte marítimo.

Navios ancorados junto à costa a 22 de abril, em Bandar Abbas, Irão. Bandar Abbas é uma cidade portuária e capital da província de Hormozgan, junto ao Golfo Pérsico e ao Estreito de Ormuz. (Stringer/Getty Images)

“Sem conseguir provar de forma inequívoca que 100% da capacidade militar do Irão foi destruída — ou sem uma elevada certeza de que os EUA conseguem mitigar o risco com os seus meios — tudo dependerá do nível de risco que [Trump] está disposto a aceitar e de avançar com navios através do estreito”, afirma uma fonte com conhecimento do planeamento militar.

Os militares norte-americanos poderão também concretizar a ameaça anterior de Trump de atacar alvos de uso duplo e infraestruturas, incluindo instalações energéticas, numa tentativa de forçar o Irão a regressar à mesa das negociações, acrescentam as fontes. Trump já disse que os EUA retomarão as operações de combate na ausência de uma solução diplomática.

Atacar infraestruturas representaria uma escalada controversa no conflito, alertam alguns atuais e antigos responsáveis norte-americanos.

Outra opção em estudo passa por atingir líderes militares iranianos e outros “obstrucionistas” dentro do regime que, segundo responsáveis dos EUA, estarão a minar ativamente as negociações. Entre eles está Ahmad Vahidi, que desempenha funções como comandante-chefe da Guarda Revolucionária Islâmica, refere uma das fontes.

“Por razões de segurança operacional, não discutimos movimentos futuros ou hipotéticos”, diz um responsável do Departamento de Defesa quando questionado sobre o planeamento de alvos. “As Forças Armadas dos EUA continuam a apresentar opções ao presidente, e todas permanecem em cima da mesa.”

Trump tem repetidamente afirmado que o regime iraniano está “fragmentado” após operações conjuntas EUA-Israel que mataram vários altos responsáveis, incluindo o líder supremo do país. Numa publicação nas redes sociais na quinta-feira, Trump aponta para uma aparente divisão entre a Guarda Revolucionária e membros do governo envolvidos nas negociações com os EUA como um dos obstáculos a um acordo diplomático.

“O Irão está a ter muitas dificuldades em perceber quem é o seu líder! Simplesmente não sabem! A luta interna é entre os ‘radicais’, que têm perdido MUITO no campo de batalha, e os ‘moderados’, que não são assim tão moderados (mas estão a ganhar respeito!), é LOUCO!”, escreveu.

Protestos no Irão após morte do líder do Hezbollah Hassan Nasrallah em ataque de Israel ao Líbano. (Abedin Taherkenareh/EPA)

Novos ataques norte-americanos deverão também visar as restantes capacidades militares do Irão, incluindo mísseis, lançadores e instalações de produção que não foram destruídas na primeira vaga de ataques EUA-Israel ou que possam ter sido deslocadas para novas posições estratégicas desde o início do cessar-fogo, acrescentam as fontes.

A CNN já tinha noticiado que cerca de metade dos lançadores de mísseis iranianos e milhares de drones de ataque unidirecionais sobreviveram à campanha de bombardeamentos, segundo avaliações dos serviços de informações dos EUA.

Na semana passada, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, reconheceu numa conferência de imprensa que o Irão deslocou alguns dos seus meios militares durante o cessar-fogo e ameaça atingir esses alvos caso Teerão recuse um acordo.

Trump parece relutante em reiniciar a guerra com o Irão e prefere uma solução diplomática para o conflito, segundo apurou a CNN. Ainda assim, várias fontes reconhecem que a extensão do cessar-fogo não é “indefinida” e que as forças armadas dos EUA estão preparadas para retomar os ataques se tal for ordenado.

O presidente continua a expressar frustração pela recusa do Irão em reabrir o Estreito de Ormuz, que foi praticamente fechado ao tráfego marítimo internacional em resposta aos primeiros ataques EUA-Israel.

Um homem balança-se numa corda gigante numa praia enquanto navios permanecem ancorados junto à costa, a 22 de abril de 2026, em Bandar Abbas, Irão. (Stringer/Getty Images)

A administração Trump subestimou a disposição do Irão para encerrar o estreito antes de lançar a guerra — uma decisão que poderia ter sido “evitada” se os EUA tivessem posicionado meios militares na zona desde o início para dissuadir ou responder a Teerão, segundo duas fontes com conhecimento do planeamento inicial.

A incapacidade de impedir o fecho do estreito nos primeiros dias do conflito acabou por conduzir ao atual impasse entre os dois países, com muitos petroleiros a recusarem atravessar a via marítima por receio de ataques.

A Marinha dos EUA tem atualmente 20 navios no Médio Oriente, incluindo três porta-aviões, e sete no Oceano Índico, diz um responsável norte-americano na quinta-feira.

As forças norte-americanas começaram a impor um bloqueio aos portos iranianos a 13 de abril, utilizando grande parte desses meios, e já redirecionaram pelo menos 33 navios até quinta-feira.

O USS Abraham Lincoln realiza operações de bloqueio norte-americanas no Mar Arábico, a 16 de abril. (US Navy/NAVCENT Public Affairs/US Central Command Public Affairs)

As forças dos EUA também abordaram pelo menos três embarcações, incluindo duas no Oceano Índico, a cerca de 3.200 quilómetros do Golfo Pérsico. A mais recente ocorreu durante a noite de quarta-feira, quando militares norte-americanos intercetaram um “navio sem nacionalidade sob sanções” que transportava petróleo iraniano no Oceano Índico, anuncia o Departamento de Defesa.

*Haley Britzky e Natasha Bertrand contribuíram para este artigo

 

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