Plano do presidente passa por restituir a figura de um "czar da energia" na Casa Branca, alguém que deve ajudar a implementar uma agenda que deve reverter a luta contra as alterações climáticas
Pode vir a ser uma das grandes primeiras remodelações governamentais e algo com um impacto direto em todo o mundo. Donald Trump está a preparar-se para ordenar a saída dos Estados Unidos do acordo climático de Paris, o que pode significar um rombo brutal no objetivo mundial de controlar as emissões com gases de efeito de estufa e fazer frente às alterações climáticas.
De acordo com o The New York Times, o plano de transição na nova administração, que toma posse a 20 de janeiro, tem na Energia e no Ambiente um dos focos. Focos esses que devem ser liderados por dois membros próximos de Donald Trump e que atuam a favor do lóbi da indústria dos combustíveis fósseis.
O objetivo interno passa por reformular as agências responsáveis pela proteção e controlo do ar, água, clima e terrenos públicos, numa medida que se poderá aproximar daquilo que defende o Projeto 2025, uma agenda conservadora da qual o presidente eleito sempre se afastou publicamente, mas que tem várias ligações à sua primeira passagem pela Casa Branca.
David Bernhardt e Andew Wheeler, lobistas do petróleo e do carvão, respetivamente, são os nomes escolhidos para liderar estas alterações. O primeiro coordenou o Departamento do Interior enquanto Donald Trump foi presidente, enquanto o segundo, no mesmo período, chefiou a Agência de Proteção Ambiental (EPA), que pode mesmo vir a mudar de sede. Ambos têm, segundo o NYT, anos de experiência em desmantelar projetos federais para proteção ambiental.
Serão eles que lideram as equipas que planeiam fazer cumprir uma série de ordens executivas e decretos presidenciais para as áreas do Clima e da Energia. Internacionalmente é a saída do Acordo de Paris que salta à vista, mas são muitas as medidas que passam a ser permitidas com essa decisão.
Além da rejeição do acordo alcançado em dezembro de 2015, que prevê a limitação da subida da temperatura global para 1,5 graus Celsius, a nova administração vai procurar eliminar todas as agências que lidem com o fim da poluição, mas também diminuir o tamanho de alguns monumentos nacionais para que exista mais espaço para explorações de petróleo ou carvão em terrenos do Estado.
Uma quase total reversão dos últimos quatro anos, nos quais o presidente Joe Biden fez da justiça climática uma prioridade, tentando assegurar que as comunidades tinham pelo menos 40% de energia proveniente de fontes limpas. De resto, também essa medida é para acabar, até porque esta é uma agenda, a da defesa ambiental, que os aliados de Donald Trump veem como woke que não ajuda a desenvolver a economia.
As fronteiras de locais como o Bears Ears ou a Grand Staircase-Escalante, ambos considerados monumentos nacionais e que ficam no estado do Utah, deve ser imediatamente redesenmhadas para refletir aquilo que Donald Trump já queria em 2017. Nesse mesmo ano fez algo parecido, ambrindo milhares de quilómetros quadrados considerados sagrados para algumas tribos indígenas à exploração económica. Em sentido contrário, e logo no primeiro ano de mandato, Joe Biden tinha expandido a área de proteção destas zonas.
Mas também há medidas para o gás natural. Donald Trump pretende revogar uma medida de Joe Biden, que tinha pausado a permissão da construção de novos terminais para exportação daquele combustível. Em paralelo, estados como a Califórnia e outros podem abandonar algumas medidas mais restritivas no que toca à poluição.
Para garantir que tudo isto é cumprido, e sempre segundo o NYT, Donald Trump quer ao seu lado um “czar da energia” na Casa Branca. Uma figura que coordenará todas as agências e fiscalizará os cortes pretendidos, além de facilitar a produção de petróleo, gás natural e carvão.
De resto, e comparando com uma administração que também tinha fortes interesses na área do petróleo, a figura do “czar da energia” devolve à Casa Branca algo que George W. Bush já tinha feito, quando o então vice-presidente Dick Cheney chefiava a Task Force de Energia, em grande parte responsável por assegurar que os combustíveis fósseis continuavam a ser a principal fonte de energia nos Estados Unidos “durante anos”.
Recorde-se que, completamente ao contrário do que Donald Trump promete fazer, os Estados Unidos prometeram, como quase todos os países, fazer uma saída faseada da produção de combustíveis fósseis.
