Pesadelos com frequência? Cientistas acreditam que pode ser um sinal de Parkinson

31 jul, 22:00
Olhos (Pexels)

O que está na origem desta relação é ainda uma incógnita, mas os cientistas deixam o alerta: os mais velhos devem prestar atenção aos sonhos

A qualidade do sono é há muito usada como preditor da saúde humana, mas um recente estudo vem agora elevar a fasquia e colocar os sonhos no centro das atenções. Mais concretamente os sonhos angustiantes, isto é, pesadelos, e, sobretudo, quando são recorrentes nas pessoas mais velhas.

Um grupo de cientistas da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, acredita que ter pesadelos pode ser um sinal precoce da doença de Parkinson - distúrbio neurológico progressivo e degenerativo que afeta o movimento. E as pessoas que têm este tipo de sonhos de forma rotineira são duas vezes mais propensas a desenvolver a doença.

Para chegarem a esta conclusão, publicada na revista científica eClinical Medicine, que pertence à conceituada Lancet, os investigadores analisaram ao longo de oito anos (entre 2003 e 2011) 3.818 homens com mais de 67 anos e que, no início da investigação, não tinham qualquer sinal de Parkinson e já tinham completado o Pittsburgh Sleep Quality Index, que analisa a frequência dos sonhos angustiantes a cada mês. Em média, os participantes relataram ter, pelo menos, um pesadelo por semana.

Assim que cruzaram os dados, os cientistas encontraram uma ligação entre os dois fatores: foram diagnosticados 91 casos de Parkinson no final da análise e em pessoas cujos sonhos angustiantes eram frequentes. A maioria dos diagnósticos aconteceu nos primeiros cinco anos do estudo e quem já tinha pesadelos nessa fase inicial da análise era três vezes mais propenso a ter Parkinson no futuro.

O que falta, para já saber, é de que modo os sonhos, sobretudo os pesadelos, podem interferir com o aparecimento da doença e porque é que são um sinal de alerta - até porque esta não é a primeira vez em que se relacionam pesadelos com Parkinson: estudos anteriores já tinham mostrado que entre 17% a 78% das pessoas com Parkinson tinham pesadelos semanalmente.

Os autores da investigação britânica defendem a importância de mais estudos para aprofundar o tema, mas garantem que os sonhos podem revelar informações cruciais sobre a estrutura e função cerebral, o que poderá abrir caminho para novas análises.

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