Covid-19: infeção aumenta o risco de coágulo, embolia pulmonar e trombose venosa profunda

7 abr, 22:00
Teste de detação do SARS-CoV-2. (AP Photo/Virginia Mayo)

Um recente estudo publicado na revista British Medical Journal dá conta de que as pessoas com sintomas leves também correm riscos

Um novo estudo levado a cabo por investigadores da Universidade de Umeå, na Suécia, em colaboração com cientistas do Reino Unido e da Finlândia, vem revelar que a infeção por SARS-CoV-2 aumenta o risco de coágulo, embolia pulmonar e trombose venosa profunda, até mesmo meses após a infeção.

De acordo com o estudo, que comparou o período de pandemia com dados anteriores, as taxas de incidência para trombose venosa profunda aumentaram significativamente, 70 dias após a infeção por Sars-CoV-2. No caso da embolia pulmonar, a incidência aumentou 110 dias após a infeção, tendo-se verificado ainda um aumento de risco para coágulo sanguíneo 60 dias após o contágio. “Em particular, as taxas de incidência de uma primeira embolia pulmonar foram de 36,17 (intervalo de confiança de 95% - 31,55 a 41,47) durante a primeira semana após a covid-19 e 46,40 (40,61 a 53,02) durante a segunda semana”, lê-se no estudo, publicado esta quarta-feira na revista British Medical Journal

Na prática, nos 30 dias após a infecção, o risco de embolia pulmonar mostrou-se 33 vezes maior, o de trombose venosa profunda cinco vezes e o do coágulo duas vezes, lê-se no The Guardian. Porém, as consequências não são apenas a curto prazo. As pessoas permaneceram em risco aumentado de embolia pulmonar nos seis meses após serem infetadas. Já no que diz respeito à trombose venosa profunda e coágulo, o risco manteve-se aumentado durante três e dois meses após a infeção, respetivamente.

A investigação, que analisou mais de um milhão de pessoas infetadas (independentemente da gravidade da doença) em comparação com quatro milhões de pessoas que "escaparam" à covid-19, dá conta de que o risco é também real para pessoas que ficaram infetadas e desenvolveram apenas sintomas ligeiros, apesar de os pacientes de risco serem mais propensos a estes episódios e efeitos colaterais. No entanto, o estudo destaca que “as taxas de proporção foram mais altas em pacientes com covid-19 crítico e mais altas durante a primeira onda de pandemia na Suécia em comparação com a segunda e terceira ondas”. A primeira onda foi em 2020, com a estirpe original do vírus, seguindo-se depois uma vaga com a variante Alpha. A variante Delta acabou por se tornar dominante no verão, mas já depois da análise do estudo, que ocorreu de fevereiro de 2020 a maio de 2021.

Tal como destacam os autores do estudo, investigações anteriores já tinham mostrado “uma associação entre trombose e infeções”, mas o risco de eventos neste estudo “foi, no entanto, muito maior”, algo que defendem que “pode ser explicado por várias alterações fisiopatológicas na covid-19, como efeito direto do vírus nas células endoteliais, a resposta inflamatória exagerada, (...) e ativação do sistema de coagulação”. Deste modo, frisam, “estes resultados podem impactar nas recomendações sobre estratégias diagnósticas e profiláticas contra o tromboembolismo venoso após a covid-19”.

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