Estudo "inovador" indica que o núcleo interno da Terra inverteu o sentido de rotação

24 jan, 16:18
Planeta

Sismólogos chineses que conduziram a investigação consideram que este movimento pode ter repercussões no nível médio das águas, na temperatura global do planeta e na duração dos dias (que se tornam mais curtos)

Um estudo publicado pela Nature Geoscience revela que o núcleo interno terrestre, uma esfera de quase puro ferro na camada mais profunda do planeta, poderá ter parado e invertido o sentido de rotação. Significa isto que o centro da Terra poderá agora estar a rodar no sentido contrário ao da superfície. 

O núcleo central do planeta foi descoberto pela geofísica e sismóloga dinamarquesa Inge Lehmann na década de 1930. Sabemos hoje que foi formado há mil milhões de anos e que tem um papel decisivo no magnetismo terrestre e no campo gravitacional interno, mas a inacessibilidade desde "planeta dentro do planeta" dificulta a compreensão dos seus movimentos de rotação - e as repercussões para a vida à superfície. 

As conclusões do mais recente estudo da dupla de investigadores Yi Yang e Xiaodong Song, ambos sismólogos da Universidade de Pequim, sugerem que o movimento do coração da Terra pode ter mudado de direção, após ter desacelerado em 2009. Esta descrição pode sugerir um cenário apocalítico, mas, na verdade, os resultados observados parecem ir ao encontro de uma tendência de "oscilação" que se repete ciclicamente a cada sete décadas. De acordo com esta teoria, o núcleo muda de direção aproximadamente a cada 35 anos, o que permite fazer algumas previsões: a última mudança de rotação aconteceu no início dos anos 1970, a "paragem" aconteceu em 2009, e a próxima deverá dar-se em meados da década de 2040. 

Xiaodong Song explica que a mais recente oscilação no ciclo poderá repercutir-se no campo gravitacional interno, que por sua vez tem impacto no nível médio das águas, na temperatura global do planeta e ainda na duração de um dia. Não que seja uma mudança muito percetível: se a teoria dos investigadores chineses estiver certa, o período correspondente a um dia é atualmente um centésimo de segundo mais curto do que era em 1970. 

Sismólogos citados pelo El País - e que não estiveram envolvidos no estudo - qualificam-no como "inovador e provocador", mas alertam para as dificuldades em comprovar as hipóteses nele apresentadas. "É possível que daqui a cinco ou dez anos, com mais dados e melhores simulações, consigamos saber se o núcleo terrestre segue estes ciclos, tal como parece acontecer", argumenta o cientista norte-americano John Vidale. Até lá, o conhecimento do centro da Terra continua a ser um mistério pouco a pouco desvendado. 

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